A pandemia que estamos vivendo exige de nós certos cuidados e nos limita enquanto ser humano. Uma simples reunião de amigos nos finais de semana, festejos de aniversário, formaturas, defesas de título, processos judiciais, coisas simples que até então eram marcadas por encontros de pessoas em carne e osso, hoje já não nos pertencem mais. O autor do referencial teórico que estudo no mestrado, Etienne Wenger, diz que “somos seres sociais” e eu concordo com ele cada vez mais.
Confesso que durante esses cinco meses ministrando aulas remotamente eu não me sentia conectado de fato com meus estudantes, creio que o principal motivo para tal é a certa resistência que eles têm em ligarem suas câmeras. Isso nos limita do contato visual, entre outros fatores, durante uma conversa ou apresentando algum conteúdo, inibindo-me de observar as expressões faciais dos meus alunos. No início desse processo de aulas remotas não importava, para mim, o fato dos alunos ligarem ou não suas câmeras, afinal se eles conversavam comigo via chat ou microfone, para mim bastava.
Porém os meses foram se passando e a necessidade de vê-los foi aumentando exponencialmente. Eis que na volta do recesso escolar, duas turmas passaram a ligar suas câmeras, sendo que em uma delas, todos os estudantes ligam. E é nítida a diferença das aulas. Falo isso pois gosto de rever minhas aulas tentando encontrar pontos em que posso melhorar. A alegria e interação estão muito mais presentes naquelas aulas em que há um contato visual (câmeras ligadas), permitindo visualizar as expressões faciais quando faço uma piada ou quando estou apresentando o conteúdo de fato. Me sinto mais próximo dessas turmas, mas, ao mesmo tempo, distante da outra que não liga.
Essa semana foi marcada por um momento ímpar: participei de um “festejo” de aniversário incomum. Estava caminhando na orla de Guaíba, obviamente de máscara, quando quatro pessoas (também de máscara) me abanam. Demorei um pouco, mas percebi que eram minhas alunas. Bem, na volta da caminhada me deparo com elas novamente. Elas estavam indo na frente do prédio de outras alunas minhas (suas colegas) para cantar parabéns e me convidaram para participar, aceitei. Ao mesmo tempo, duas alunas estavam fazendo videochamadas com outras duas colegas que não conseguiram ir. As aniversariantes se emocionaram e eu entendi perfeitamente o porquê da emoção, afinal é a mesma que sinto quando vejo meus alunos durante as aulas.
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Bem, por que estou falando disso? Apenas para relatar que, embora estejamos vivendo de maneira diferente, as ferramentas para tornarmos o momento um pouco mais agradável estão nas nossas mãos (e cada vez mais acessíveis). Obviamente eu prefiro abraçar e beijar amigas, amigos e familiares, porém o momento não me permite isso, então por que não inovar? Por que não sermos “seres tecnologicamente sociais” desde que para o bem? São questões que deixo para vocês refletirem.
Penso que relações sociais (aulas, aniversários, etc.), sejam elas em carne e osso ou mediadas por tecnologias, são necessárias para sermos humanos e conseguirmos principalmente, demonstrar afeto.
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