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Sexta-feira, 08 de Maio de 2026

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Temporais chegam ao Estado nessa semana

Passagem de dois novos ciclones pelo RS leva a preocupações

Temporais chegam ao Estado nessa semana
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Nesta época do ano, é normal que as chuvas comecem a ter maior frequência e intensidade em virtude do fluxo de umidade que vem do norte do Brasil, trazido em altitude pelos ventos. Associado a isso, está a influência do fenômeno El Niño e, como um fator adicional, as águas do oceano Atlântico quentes que alimentam ainda mais os sistemas meteorológicos. Esses sistemas conjugados potencializam as frentes frias, as áreas de baixas pressões e a formação de ciclones extratropicais, no sul da América do Sul.

Entretanto o desastre que deixou pelo menos 46 mortos, com outras 47 pessoas ainda desaparecidas e mais de 340 mil pessoas afetadas diretamente levou o Ministério Público Federal (MPF) a instaurar um inquérito civil com objetivos de apurar as providências tomadas pelo poder público em relação às enchentes que atingiram a região serrana e do Vale do Taquari no Rio Grande do Sul na semana passada, assim como as possíveis responsabilizações por omissões.

De acordo com o MPF, o inquérito “averiguará possíveis responsabilidades quanto às medidas que poderiam ter sido tomadas para mitigar e prevenir os efeitos adversos das inundações, bem como proporcionar ações de comunicação e resposta no auxílio à população atingida”.

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A conduta e a resposta das prefeituras e da Defesa Civil dos municípios de Bento Gonçalves, Caxias e Lajeado serão as primeiras análises do MPF. Os procuradores já solicitaram à Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Estado maiores informações sobre a conclusão do zoneamento ecológico e econômico, bem como a criação de possíveis comissões de mudanças climáticas. 

A resposta do poder público gaúcho ficou em destaque na imprensa na última 4ª feira (06/09/2023) após o governador Eduardo Leite afirmar, em entrevistas, que os institutos de meteorologia não indicaram o volume histórico de chuva que caiu no estado. Posteriormente, o governador foi desmentido pela agência MetSul, que antecipou a possibilidade de chuvas acima de 300 milímetros no começo de setembro, afirmando que “Os modelos, assim, anteciparam os volumes de chuva, assim como a gravidade do que se avizinhava já era conhecida muitos dias antes. A ciência meteorológica cumpriu seu papel”.

De acordo com o professor Pedro Luiz Côrtes, do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP), “A gente precisa não só de obras para tentar minimizar ou reduzir os efeitos dos eventos extremos, mas também desenvolver junto aos gestores públicos e à população uma cultura de prevenção”.

É fato que sem medidas preventivas, o impacto humano e material das chuvas extremas fica ainda mais latente. A Folha/UOL fez um levantamento preliminar da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), o qual estimou um prejuízo decorrente do ciclone extratropical no RS em R$ 1,3 bilhão, de forma que os setores de comércio e agricultura concentram a maior parte das perdas, pouco mais de 650 milhões de reais até o momento.

Para a reconstrução das áreas destruídas, o governo gaúcho promete considerar a mudança climática em novos projetos de infraestrutura e de acordo com o governador, “Dentro de todo evento climático, [incluindo] salvamentos, resgates, assistência humanitária e agora no processo de reconstrução, a gente já tem que levar em consideração essas novas condições climáticas”.

E para essa semana, os prognósticos não são animadores, pois o Rio Grande do Sul terá a ocorrência dois ciclones em sequência. O alerta é do Coordenador do Curso de Geografia da Escola de Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Luciano Zasso, ao destacar que os modelos de satélite mostram a ocorrência dos fenômenos entre esta segunda (11) e terça e de quarta (13) para quinta-feira (14) no Estado.

Como já se sentiu, o primeiro ciclone já passou entre a noite de segunda (11/09) e a terça-feira (12/09), com ventos muito fortes, acima de 40 km/h. Conforme Zasso, o evento climático passou mais para dentro do Oceano e os ventos estiveram mais concentrados no Litoral gaúcho. "Não será o mais forte, mas poderia trazer mais vento, muita agitação marítima para a área costeira e chuva", destaca.

Entretanto, os prognósticos da meteorologia apontam que um segundo ciclone se formará de quarta para quinta-feira passará bem próximo da Costa gaúcha. "Teremos ventos muito fortes na parte Leste do Rio Grande e em todo o Litoral gaúcho", destaca.

Com o aumento das temperaturas acima de 30ºC na segunda-feira, que trouxe uma umidade excessiva ao estado, o resultado deverá ser um cenário de bastante instabilidade, precipitação e ventos fortes até quinta-feira - 14/09.

Na quarta-feira, a chuva ficará generalizada por todo Estado e em algumas áreas com volume bem expressivo em torno de 30mm a 50 mm principalmente no Centro de Estado e chegando à região de Porto Alegre.

Para os moradores das Ilhas (Grande dos Marinheiros, Pavão, Pintada e das Flores) fica o alerta - há um prognóstico de o Lago Guaíba continue a subir, pois o vento Sul será bastante forte associado com a chuva e os rios que já estão com muito volume da região Serra que desembocam no Guaíba. Dessa forma, a tendência é que ocorra um cenário de elevação rápida do Lago Guaíba, o que pode afetará os moradores das Ilhas que moram mais próximo das margens. "Eu diria que na quarta-feira o alerta é Laranja quase um Vermelho", destaca o coordenador Luciano Zasso.

A quinta-feira ainda deverá ser de muita atenção para os moradores das Ilhas porque os rios continuarão desembocando no Lago Guaíba com grande volume e vazão muito forte. "O Lago Guaíba continuará represado em função do Vento Sul desde a Laguna dos Patos o que acaba por ter impacto no Guaíba", explica.

Os prognósticos ainda apontam que as instabilidades nas regiões do Vale do Taquari não serão nas proporções que causaram a destruição na região, mas que as regiões afetadas devem continuar em alerta, visto que as chuvas desta semana vão atrapalhar o processo de recuperação das cidades, mas não será no nível que causou toda a destruição nos municípios.

Já na sexta-feira (15/09), os gaúchos terão um forte aquecimento com prognósticos que mostram temperaturas acima de 30°C.

Ao longo desta semana, uma área de baixa pressão atmosférica atuará sobre o Estado e vai se intensificar com o fluxo de umidade da Amazônia e com a aproximação de uma frente fria. Nos primeiros dias do mês de setembro, os volumes de chuva ocorridos já superaram a média histórica na maior parte do Rio Grande do Sul e podem variar entre 100 milímetros e 200 milímetros nas regiões Sul, Campanha, Oeste, Centro, Sudeste, Leste e Noroeste e ultrapassar 250 milímetros em alguns pontos. Além disso, o risco é alto para queda de granizo, descargas elétricas e vento forte.

 

Fontes:

CLIMAINFO. Disponível em: https://climainfo.org.br/2023/09/10/mpf-apura-responsabilidade-de-orgaos-publicos-nas-enchentes-historicas-do-rs/ Acesso em 12/09/2023.

G1. Disponível em https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2023/09/12/passagem-de-ciclone-extratropical-pelo-rs-completa-uma-semana-relembre-a-cronologia-do-desastre.ghtml Acesso em 12/09/2023.

JORNAL DO COMÉRCIO. Disponível em: https://www.jornaldocomercio.com/geral/2023/09/1122673-rio-grande-do-sul-tera-a-ocorrencia-de-dois-ciclones-em-sequencia-nesta-semana.html Acesso em 12/09/2023.

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Aline Stolz

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