Repórter Guaibense

Domingo, 30 de Agosto de 2026

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A casa grande de paredes brancas

"Aquela casa branca, de verde janelas que abrem-se como se fossem olhos translúcidos..."

A casa grande de paredes brancas
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No alto da imponente colina, uma casa, um cipreste e uma família guerreira que teima em cuidar da memória de um povo. Aquela casa branca, de verde janelas que abrem-se como se fossem olhos translúcidos, mirando a cidade que seu proprietário revolucionário fundou.

Na casa de paredes grossas e semblante rude, há uma energia intensa e tão  brilhante que transcende o tempo, assenta a vida e desafia o mundo a entonar o cântico da história. História essa, que foi escrita com inteligência, força, lutas, ideais e mortes. Patrimônio histórico de um povo, compêndio de uma revolução que mudou os rumos de um país e que sofre descaso social, mas apoia-se no seio de uma família que lhe adota.

A árvore frondosa e centenária, um cipreste, é a guardiã da casa e vigilante aos transeuntes. Essa árvore é personagem que assistiu tantos episódios da famosa revolta, que se tivessem braços para escrever suas memórias, faltariam folhas e tinta para as retratarem. Ela é teimosa, desafia o tempo e segue altiva e viva, emprestando a sombra, a silhueta e a estampa à bandeira da nossa cidade. A árvore, a casa e seus habitantes são símbolos desse pedaço de sul chamado Guaíba.

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Esse cipreste do alto de sua frondosa imponência, vigia a casa, e a alva casa, empresta ao povo uma vida de história, memória e servidão.

Lembrando que diferente de outros mausoléus maltrapilhos, que perecem como taperas, ou que tombaram em derrocada carcomidas pelo tempo, pelo abatimento imoral do descaso, essa casa se impõe pela força das paredes e amor de uma família, que faz dela seu fortim pela memória de um povo e que, abre as portas como quem abre os braços em um abraço fraterno para receber quem quiser sorver do sabor de um relato, do ardor de rememorar, pois ali, acreditem no que escrevo, ali nasceu um novo ciclo nesse país, ali nasceu um novo Rio Grande, naquela casa que por vocês passamos e nem nos damos conta que ela nos chama com sua voz atemporal, ali nasceu a identidade de um povo, pois ali naquela casa que teima em vencer o tempo, viveu José Gomes de Vasconcelos Jardim e Eleonor Ferreira Leitão, família que dá origem a nossa querida Guaíba, que nos entrega suas terras para construirmos as nossas moradas, que nos oferece a igreja para lembrarmos de orar pelos nossos erros e agradecer pelas nossas graças, nos entrega a missão de ser o berço, nascedouro de uma revolução que durou dez anos e nos assenta nas páginas dos alfarrábios para a eternidade. Onde buscar por Gomes Jardim, encontrarás Guaíba, Revolução, Presidente da República Rio Grandense, encontrarás as memórias de um povo que por vezes passa pela calçada sem ao menos olhar para o nascedouro de tantos fatos, de tantas glórias e de uma cidade.

Como poeta louco e atrevido, te escrevi e te descrevi em muitos versos, remoendo as memórias que nem mesmo vivi.

A casa está ali de pé, não por sorte, nem por teimosia, há que se exaltar a valentia de uma família que assumiu como sua a missão de perpetrar a condução da história e mantê-la viva na alma de sua gente. Gaston Leão e sua família são zelosos, estudiosos e bem feitores, são acessíveis e de uma luz tão intensa que iluminaria o Rio Grande todo ao exalarem e exaltarem as memórias de uma gente tão destemida com as quais se fazem entranhar em sua própria história. Uma de suas filhas, Miriam Leão, historiadora e defensora do patrimônio histórico entende e difunde sua importância, defendeu a casa em seu tombamento como patrimônio histórico.

E a casa segue sua senda semeadeira da história ao abrir suas janelas como os olhos e suas portas em forma de braços para receber todos os que querem mergulhar no tempo e entender onde nasceu o Rio Grande, de onde brotaram as sementes de uma cidade que germinou Pedras Brancas e floresceu Guaíba, ainda há quem não se deixe tocar pela efusão poética atemporal que nela habita, mas nunca é tarde para rebuscar o que a história nos legou, afinal se entendemos que o setembro é o mês do Gaúcho, precisamos buscar a compreensão e a conexão com o nascedouro desse movimento, e ali, naquela casa branca com olhos envidraçados e portas de abraço, viveram e morreram homens e mulheres que são nossos antepassados, que nos forjaram e nos entregaram uma difícil e dura missão, a de fortalecer nossas virtudes para não acabarmos como escravos. Abre os braços casa velha de alma eterna, os Leões guerreiros que te protegem merecem sempre a nossa reverência, e tu segues na imponência de perpetuar nossa história, nosso povo e nossa memória. Me atrevo a retratar fragmentos de poesia que te retratei...

 

“Ah casarão que habitas e que deixas habitar

Tuas noites jamais serão as mesmas

Os teus fantasmas que teimam em servir mais que assombrar

Regozijaram-se com teu esplendoroso interior

De mentes intensas de luz, de calor, de afeto e de amor

Casarão que teimas em sobreviver

Estás sempre de pé e a ordem para nos acolher...”

Comentários:
Mário e Tainara

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Mário e Tainara

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