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Segunda-feira, 06 de Julho de 2026

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A emancipação de Guaíba contada por um líder emancipacionista

Cidade completou 94 anos de história neste mês

A emancipação de Guaíba contada por um líder emancipacionista
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Para a coluna deste final de semana decidi dar continuidade ao assunto emancipação e apresentar aos leitores do Jornal Repórter Guaibense, a transcrição de outra coluna jornalística, porém publicada no jornal “A Voz do Guaíba” – na data de 14 de outubro de 1952, página 3, alusiva aos 26 anos de emancipação do município.

Na transcrição do texto mantive todos os termos colocados pelo autor, o Dr. Gastão Leão, um dos líderes emancipacionistas (meu avô paterno). Houve a correção ortográfica com o objetivo de atualizar a escrita a fim de facilitar a compreensão das palavras sem interferir na linguagem da época.

Chamo a atenção para alguns aspectos apresentados no texto, pois fazem parte do contexto urbano da cidade da época, assim como os procedimentos utilizados em pleitos eleitorais, no caso um plebiscito, os quais atualmente a legislação não mais permite, como por exemplo, transportar pessoas até o local da votação. O pleito foi muito disputado, gerando inclusive termos pejorativos para ambos os lados.

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Os barrenses chamavam os pedrenses de “bucheiros”, pelo motivo de Pedras Brancas possuir cinco charqueadas e matadouros e os pedrenses apelidaram os barrenses de “barriga de farelo”, por este distrito produzir, em grande quantidade, o arroz de onde sobra o farelo da palha após este grão ser beneficiado. Por muito tempo permaneceu o mal-estar criado pela acirrada disputa, o qual foi se dissipando aos poucos, principalmente após a emancipação da Barra do Ribeiro, em 1958.

 

HISTÓRIAS DA CIDADE, por Gastão Leão

Quem primeiro em Pedras Brancas, primitivo nome de nossa cidade, lançou a ideia de ver os distritos da capital do Estado situados a margem direita do Guaíba, se constituírem em município autônomo, foi o Finado MANOEL DA SILVA PAIVA, sempre que tinha ocasião, em palestra com seus amigos, exteriorizava este pensamento.

Muitos anos se passaram até que em meados de 1924, O Conselheiro Municipal, Coronel AFFONSO FONSECA, do Conselho Municipal de Porto Alegre, residente e também proprietário em Barra do Ribeiro, julgou oportuna a época e lançou a propaganda, para a emancipação dos 7º, 8º e 9º distritos, isto é, Pedras Brancas, Barra do Ribeiro e Mariana Pimentel, com sede em Barra do Ribeiro.

O 7º distrito de Pedras Brancas, que é a nossa atual cidade, diante de tal fato levantou-se como um só homem, sem distinção de credos políticos, irmanando-se num só ideal, “Sede em Pedras Brancas”.

Não houve um só cidadão, que não tivesse cooperado com seus esforços, para tão nobre campanha.

Começaram as demarches e as lutas pela disputa da sede.

Pedras Brancas, constituiu imediatamente uma Comissão Central, composta dos Srs. Cel. Ignácio de Quadros, Oscar Alves da Silva e Gastão Leão. Esta comissão desenvolveu trabalho árduo, durante vários meses, norteando as demarches e propagandas, até atingir o fim colimado, qual seja, a sede em Pedras Brancas, longa e árdua foi a luta, pois o Governo do Estado, tinha suas simpatias por Barra do Ribeiro, não só pelo prestígio do Conselheiro Cel. Affonso Fonseca, como também pelas relações de amizade da tradicional família Araújo Ribeiro, com o Exmo. Sr. Dr. Borges de Medeiros, Presidente do Estado.

Por outro lado, levantou-se na defesa de Pedras Brancas o finado Conselheiro Municipal João Pinto da Fonseca Guimarães, colega e amigo de Affonso Fonseca, antigo proprietário da fazenda Santa Rita.  Assim é que Barra do Ribeiro e Pedras Brancas, tiveram seus representantes no Conselho Municipal de Porto Alegre. As propagandas e demarches se sucediam memoriais das classes conservadoras e eram enviados ao Presidente do Estado, por comissões especiais, pleiteando a sede do futuro município.

No clímax da luta, o Exmo. Sr. Dr. Borges de Medeiros, resolveu que a escolha da sede fosse feita através de um plebiscito.

Eram as urnas portanto que iriam decidir a escolha da sede. E foi este o primeiro plebiscito nos moldes republicanos que se fez no Brasil.

A notícia do Plebiscito nos foi trazida pelo Dr. João Pio de Almeida, secretário do Interior, representante do Presidente do Estado.

Na reunião realizada com o Exmo. Sr. Representante do Presidente do Estado, o Cel. Ignácio de Quadros, presidente da Comissão Central, convidou o Sr. Secretário do Interior, a assumir a presidência da mesa. Em seguida o Sr. Representante do Presidente do Estado disse o seguinte: O Dr. Borges de Medeiros, ilustre Presidente do Estado, fará cumprir com toda a justiça o plebiscito estabelecido entre os distritos de Pedras Brancas e Barra do Ribeiro, que disputam a primazia da sede do futuro município e que faria manter absoluta neutralidade entre ambas as partes, garantindo a liberdade e lisura no pleito. Após vários considerandos, disse que desejava levar ao conhecimento do Presidente do Estado, uma solução do que acabava de expor.

O presidente da comissão pró vilamento, deu a palavra então ao Dr. Gastão Leão, que em resumo disse o seguinte: Que os habitantes da terra que tem a fortuna as cinzas de Gomes Jardim, sem distinções de credos políticos, vem reiterar ao Presidente do Estado, o compromisso formal de agirem como sempre, dentro do direito e da justiça e na mais perfeita democracia, amparados nas tradições desta terra, confiam em absoluto, na vitória do pleito, pois todos os cidadãos, pensam como um só homem.  Finda esta memorável reunião, com o encerramento dos trabalhos pelo presidente da Comissão Central.

A propaganda, em virtude da resolução do Exmo. Sr. Presidente do Estado, recrudesceu, as caravanas se sucediam diariamente e percorrendo os distritos, em todas as direções. Comissões e subcomissões distritais distribuíam cartazes alusivos que eram colocados em todas as partes. Um deles trazia estes dizeres: A terra que tem a fortuna de guardar as cinzas de Gomes Jardim, saberá honrá-las, no próximo pleito, que decidirá a sede do novo município.

Barra do Ribeiro e Sertão estavam juntos e Pedras Brancas, com seu eleitorado maior (se realizava) e Mariana Pimentel, seria o fiel da balança este distrito seria quem daria a vitória.

A propaganda na Colônia era intensa e apesar de tudo as nossas esperanças eram poucas. O tempo se esgotava e o dia do plebiscito aproximava-se célere, quando o Sr. Júlio Ostrowski e Antônio Pinhatti, residentes em Mariana Pimentel, procuraram a Comissão Central de Pedras Brancas, que se encontrava reunida à noite, na Sociedade dos Mandins e aí o Sr. Júlio Ostrowski, líder da Colônia Polonesa hipotecou seu integral apoio à Pedras Brancas, conduzido por inúmeros caminhões, dirigidos por Lídio Fraga, que se desempenhou, cabalmente, quando as estradas eram péssimas e pouco permitia o tráfego destes veículos.

Após o pleito memorável de 22 de setembro de 1926, venceu Pedras Brancas por 22 votos. E hoje desfrutamos a sede municipal, devemos agradecer ao esforçado Sr. Júlio Ostrowski, o baluarte da vitória.

Em 14 de outubro de 1926, ou seja, a precisamente 26 anos, era criado o novo município com o nome de Guaíba.

 

Notas:

Manoel Da Silva Paiva - Existe hoje em Guaíba, uma rua chamada Maneca Paiva, no Bairro Cel. Nassuca.

Demarches – Palavra francesa que significa “passos”.

Fazenda Santa Rita – Atualmente onde temos o Bairro Santa Rita.

Sociedade dos Mandins – Clube social. Localizava-se onde hoje temos a loja Ismaela (Rua São José esquina com a Rua Cônego Sherer).

 

Comentários:
Míriam Leão

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Míriam Leão

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