Acontecimento 1:
Deputados (federais) da Frente Parlamentar Mista da Educação, em reunião com o ministro da Educação Milton Ribeiro, no dia 4 de fevereiro, pedem que os professores tenham prioridade no calendário de vacinação para a covid-19, entrando no grupo 2. O ministro prometeu considerar a solicitação.
Reflexões acerca do fato:
Muito louvável a iniciativa dos parlamentares, fico pensando que esta deveria ser uma bandeira de luta do próprio MEC, a vacinação de todos os setores educacionais professores, alunos, funcionários, gestores... Estamos em quase um ano com ensino remoto, escolas fechadas (com algumas exceções), em torno de seis milhões de estudantes brasileiros sem acesso a internet, professores exaustos, alunos e familiares angustiados, MEC em silêncio... Todos desejam o retorno presencial das aulas com certeza, mas um retorno seguro, priorizar o setor educacional parece ser tão óbvio que não se entende o porquê de não ser.
Acontecimento 2:
O Sindicato do Ensino Privado (SINEPE/RS) enviou um pedido ao Governo do Estado para tornar obrigatória a presença dos estudantes nas aulas das instituições públicas e privadas no estado do RS, abrangendo Ensino Fundamental, Médio e Superior em 2021, se a medida for aprovada, a presença será obrigatória, mas não diária, exceto para professores e alunos do grupo de risco para covid-19, propõe-se inclusive o aumento da capacidade de atendimento que atualmente é 50% da turma. O Gabinete de Crise do Governo RS ainda está analisando o pedido.
Reflexões acerca do fato:
Entende-se os motivos e o desejo de retorno das escolas de ensino privado de um retorno, mas obrigar a presença em sala de aula dos estudantes em redes públicas e privadas, sem a vacina, é questionável, inclusive juridicamente, deve-se levar em conta inúmeros fatores. Até então os pais podem optar se levam seus filhos para as aulas presenciais ou não, mesmo que saudáveis. Acredito que vacinados (e aqui reitero a necessidade de serem todos do segmento educacional), o retorno seria mais seguro e confiantes. O medo e a angústia desviarão o foco da aprendizagem, da interação, será preciso atenção para um acolhimento mais emocional do que educacional neste primeiro momento, e isto não se faz de maneira obrigatória, impositiva, há que se pensar!
Autocuidado e cuidado com o próximo. Uma educação democrática entende que as pessoas são diferentes e portanto suas realidades, necessidades e formas de aprender também o são, entende que é preciso uma escola que acolha, que busque formas de atingir a todos, sem perder ninguém pelo caminho. O ponto de chegada é fundamental, mas a forma que se percorre o caminho é que faz toda a diferença!
Por uma educação pública, democrática e de qualidade!
"Se você acha a educação cara, experimente a ignorância." Derek Bok
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