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Sexta-feira, 17 de Abril de 2026

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A volta das rondas

A hospitalidade do gaúcho engrandece e se faz presente, o ato de acolher aqueles que chegam aos CTGs

A volta das rondas
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Começamos esse texto com o final da última coluna:

“Somos assim, cheio de enlaces culturais e transcendentais.

Nos aproximamos e em uma só voz entoamos nosso hino com orgulho e união, sem diferenças sociais, raciais, etc... Apenas a oportunidade de celebrarmos e mantermos viva a nossa história e cultura. ”

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E quem diria que o movimento de oito rapazes, lá nos idos de 1947, liderados por João Carlos Paixão Côrtes, em um momento pós guerra, com o americanismo em alta, buscaram com todo o esforço resgatar os costumes da gente do campo.

Num tempo em que andar de bombacha na rua era insulto a sociedade de classe aristocrática, que tomar chimarrão só na campanha, no interior, afinal era bebida de peão.

Os oito jovens iniciaram um movimento dentro da escola Júlio de Castilhos, na cidade de Porto Alegre, rebuscando os costumes interioranos e dentre esse movimento, as manifestações artísticas e culturais apareceram como vertentes para disseminar esse movimento, que ganhou o nome de Tradicionalismo.

O Tradicionalismo trouxe as noites de rondas, que remetem ao trabalho dos campeiros ao cuidar a tropa, quarteando horas para ficar vigilante.

Nesse caso rondavam a cultura e a tradição, vigilantes para que não se dissipasse como fumaça uma história tão densa do povo sulino.

Tempos em que já se tinha a preocupação em manter viva a nossa história, lá com o grupo dos 8, hoje, ainda nos demoramos com a necessidade de seguirmos vigilantes sobre o assunto. As rondas realizadas em cada galpão, nos traz a oportunidade de convívio, as trocas de conversas, assistir as apresentações artísticas e culturais! Sim, culturais também, pois a nossa cultura é muito rica em conteúdo.

Semana Farroupilha é bem mais que a música e os bailes, são as declamações, a comida típica, as danças, a história da formação do Rio Grande, o mate, a chula, o cavalo, o campeiro, o tiro de laço, a castração, a marcação, a mão no arado e a comida na mesa, enfim, é o mês para relembrarmos nossos antepassados que a força de boi e regado com suor, o solo entregou o cio para o alimento e fez um estado se desenvolver.

Em época de ronda crioula, a hospitalidade do gaúcho engrandece e se faz presente, o ato de acolher aqueles que chegam aos CTGs (Centro de Tradição Gaúcha), com olhar curioso, daqueles que estão realizando a visita pela primeira vez, pessoas de outros Estados, de outras culturas, as nossas queridas crianças ou ainda os tradicionalistas atuantes. Receber bem sempre traz a bondade a tona, ressalta a fraternidade que gira em torno desse movimento maravilhoso desenhado por jovens para a sociedade em geral.

O mês de setembro e suas atividades, nos fazem refletir sobre o orgulho de sermos gaúchos, da tradição que carregamos conosco e o verdadeiro sentido e valor do tradicionalismo.

Aliás esse é o título de uma tese de Barbosa Lessa que nos remete a reflexões sobre o porquê de tudo isso, mas é assunto para uma próxima coluna.

Quando perguntado por mim, sobre o que é tradição, Dom Barulho se debruça na tábua da cerca, sorve o mate verde e espumoso e me manda olhar o campo.

Olho aquele poncho verde estendido, cobrindo o negrume da terra e fico extasiado, digo que vejo a vida e ele se regozija.

Corrobora que sim, a vida estampada na terra é tradição dos mais antigos ancestrais, que descobriram pela necessidade da vida, que jogando a semente e cuidando do sumo da terra, ela entrega frutos e nos alimenta.

O campo alimenta o gado, que engordamos para comer o churrasco, que foi tradição herdada dos índios Charruas, assim como o charque, a mandioca, o xiripá e tantos outros costumes que perpetuaram no tempo, tornando-se tradicional.

Que nos mantenhamos unidos para seguirmos lado a lado em prol deste grandioso movimento cultural.

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Mário e Tainara

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Mário e Tainara

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