Os agostos existem para esparramar ventos, e neles carregarem as folhas caídas para que as novas sementes possam florescer.
No agosto vem também algumas chuvas, afinal sementes na terra molhada tendem a germinar e acordar pra vida.
Essa questão de agosto é o mês do “desgosto” é lenda aqui e em muitas partes do mundo. Entre os antigos romanos, a visualização de um dragão que cuspia fogo nos céus durante o mês era considerada azarenta. O dito dragão era, na verdade, a constelação de Leão, que se apresenta no hemisfério norte durante o oitavo mês do ano. Já em Portugal, a má fama veio por causa das saídas de embarcações. As portuguesas não casavam em agosto pois era época de navios partirem em expedição. Os maridos iam, as deixavam sem lua-de-mel e, por muitas vezes, viúvas. Na Argentina, há quem acredite que agosto não é o mês de se lavar a cabeça, por trazer azar. É também agosto o período de maior incidência de raiva entre cães e outros animais, o que faz o mês ser conhecido como o “mês do cachorro louco”.
Entendendo as lendas, falemos sobre o desgosto, o que se trata como desgosto?
Desgostar é não gostar de algo, ou sentir-se afetado com algo e, portanto, dizemos que estamos desgostosos.
Segundo a filosofia, aquilo que não se muda não devemos dispor energia tentando mudar, aquelas coisas da vida das quais não temos ação sobre ela, não devemos perder tempo reclamando ou gerando indisposição.
O desgosto pode ser uma opção de cada um ou ainda a maneira como cada um de nós olha para as situações vividas, ainda que saibamos, que há situações que não temos como mudar, como o exemplo mencionado acima, aqui no RS trata-se de um mês de muito frio e vento gelado. Já sabemos disso, certo? Porque ainda sim, nos colocamos a reclamar, ficarmos desgostos, ainda que não possamos mudar?
Talvez precisamos usar mais da aceitação, neste caso, não no sentido de encerrar o assunto e sim, acolher as oportunidades que podemos ter. A aceitação, não deve ser confundida com ficar ensimesmado.
A aceitação, é a adoção voluntária de uma postura intencionalmente aberta, receptiva, flexível e não critica com respeito à experiência momento a momento. A aceitação também não significa querer ou gostar de alguma coisa, desejar que ela estivesse aqui ou julgá-la como justa, certa ou apropriada. Não significa deixar as situações inalteradas – significa aceitar as experiências como elas são, por opção e no momento.
Então agora que passeamos pela perspectiva da aceitação, que tal olharmos para o agosto como um período do ano e da vida da gente, como uma oportunidade de sentir, pensar, perceber ou lembrar de memorias afetivas, de um viver mais valorizado. Isso requer disponibilidade do comportamento e habilidades de aceitação, empregadas como uma escolha baseada em valores.
“Não podemos controlar o vento, podemos apenas ajustar as velas.”
(DITADO POPULAR)
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