Nesta semana, vamos refletir sobre o termo que surgiu entre os anos 70 e 80,onde se originou da palavra inglesa “bully” que tem como significado ameaçar, amedrontar, intimidar, entre outros sinônimos.
Porém, para darmos início ao nosso encontro, gostaria de iniciar nossa reflexão com algumas afirmações e posteriores perguntas.
Vocês sabiam, que mesmo depois que inventaram a lâmpada, com cada vez mais tecnologia, nunca paramos de produzir velas.
Por que a vela não se tornou obsoleta? O que existe na vela que a faz tão significativa aos nossos olhos? Sem dúvida, uma invenção ainda mais moderna surgirá e a lâmpada deixara de ser fabricada, mas acredito que a vela persistirá em nossa sociedade para sempre...ao final retomaremos esse assunto.
Em minha infância não tínhamos ideia do que era o bullying, aliás, sequer lembro da referida palavra e tão pouco podíamos dissociar, a violência considerada “normal” daquelas que hoje acompanham o crescimento das crianças como é bullying.
Apesar de existir a terminologia a mais de duas décadas, a a lei 13.185/2015, entrou em vigor no dia 06 de novembro de 2015, tendo como objetivo principal, o aumento da promoção da cultura da paz e medidas de conscientização, prevenção e combate a diversos tipos de violência.
Após quase 6 anos da referida lei, a norma permitiu avanços no enfrentamento de um problema que eleva os índices de evasão escolar,criminalidade e o uso de drogas por adolescentes e jovens!
Como falei, permitiu AVANÇOS mas não os resolveu por COMPLETO !
A lei possibilitou a identificação do comportamento daquele que comete bullying, facilitando a tipificação e a identificação do agressor, coibindo em parte, que continuássemos com os avanços de um problema que estava atuando diretamente na formação de todos os cidadãos.
O conceito de Bullying, consiste em uma prática sistemática e repetitiva de atos de violência física e psicológica, tais como intimidação, humilhação, xingamentos e agressão física, de uma pessoa ou grupo contra um indivíduo. A prática do bullying geralmente acontece no ambiente escolar e pode provocar danos psicológicos sérios em suas vítimas.
Ainda na mesma linha, o Bullying é um instituto que consiste em uma ação reprovável que colocam pessoas em uma situação constrangedora e também de humilhação, e essa prática se torna cada vez mais comum nas relações interpessoais.
A referida atitude geralmente é feita contra alguém que não consegue se defender ou entender os motivos que levam a tal agressão. Normalmente, a vítima teme os agressores, seja por causa da sua aparente superioridade física ou pela intimidação e influência que exercem sobre o meio social em que está inserido.
No bullying escolar , podemos observar que não tem uma motivação única. Uma criança ou adolescente pode sofrer bullying no ambiente escolar por diversas razões:
- um aspecto físico considerado fora do padrão,
- um traço de personalidade menosprezado pelos demais,
- um jeito de pensar que não é aceito .
Tínhamos antigamente,um conceito de que era “normal” haver violência no desenvolvimento social das crianças, um chega para lá, uns amassos, insultos de pequena expressão. Tais comportamentos não eram tratados como bullying, mas sim como uma “certa” tensão social, que de certo modo pode-se dissociar do bullying, desde que possamos definir pontos de vista sobre o problema e a situação , com a definição automática nos limites das ações, o que na maioria das vezes, em um primeiro momento é muito difícil de acontecer.
Neste compasso, o primeiro ponto trata-se de identificarmos a VÍTIMA e o AGRESSOR:
No caso da VÍTIMA, citamos alguns exemplos :
- Medo de ir à escola;
- Silêncio repentino;
- Distúrbios do sono;
- Ferimentos (hematomas, arranhões );
- Alteração considerável de humor ;
No caso do Agressor , algumas características :
- Irritabilidade;
- Constante oposição frente as autoridade ( pais, professores)
- Alteração da verdade sobre fatos e situações;
- Sinais de brigas;
- Posse de pertences que não sejam seus ;
Precisamos sempre analisar os dois lados deste polo da relação para podermos buscar uma composição ou sugestão de resolução para o problema.Não é simplesmente protegendo os “atacados” dos “atacantes” que se resolvem as coisas. O trabalho focado no desenvolvimento socioemocional de todos os envolvidos é o melhor caminho possível para uma resolução saudável.
Dentre essa relação de conflito, temos um terceiro elemento que são os espectadores e esses também precisam ser trabalhados psicologicamente para que não se tornem agressores ou vítimas em situações futuras.
Analisando tudo que foi dito, precisamos sempre verificar o que estamos fazendo internamente para coibir tais situações .
- Como estão as relações dos pais com seus filhos ?
- Como estamos tratando os problemas dos nossos filhos com relação a sua preparação para a vida ?
- Estamos fazendo a nossa parte em vez de só reclamarmos do SISTEMA ?
As tragédias que ocorreram ao longo dos anos, POR CONTA de situações de BULLYNG se não serviram de alerta para que pais e mães enxerguem mais seus filhos, não sei mais o que precisa para que possamos colocar o trem nos devidos trilhos ...
Tenho sido repetitivo em minha coluna em falar que a família é a responsável pela formação ou deformação do caráter dos filhos, pois é ali que são vividas as primeiras e melhores lições de amor, de respeito, de responsabilidade, de ética, dignidade, comprometimento, que eles levarão quando baterem asas na busca da realização de seus sonhos.
Nesta deixa, voltamos ao início de nossa reflexão e retomamos com o assunto das velas. Lembram ?
Ninguém precisa das velas, mas elas continuam a ser fabricadas. Porque será ? Será pelo risco de queimarmos os dedos ou a dinâmica da chama que ilumina de forma irregular, ou o calor que ela emite, ou o fato de ela derreter a si mesma?
Temos o sentimento de que, se algum dia a tecnologia moderna falhar, e a sociedade moderna entrar em colapso pela falta de energia elétrica, ainda teremos as velas guardadas na gaveta para nos proporcionarmos a luz que tanto precisamos.
Precisamos assim como as velas, voltar a zelar pela família, para que possamos em vez de apenas ficar passando informações , possamos voltar a conviver verdadeiramente com os filhos, pois , se não trabalharmos a formação individual deles, com certeza vamos gerar um impacto negativo em seu convívio coletivo.
“REPASSE DE INFORMAÇÃO” sem convivência não gera formação emocional. A relação entre os membros da família construída dia a dia gera confiança e dá alicerce a formação do caráter das pessoas.
Precisamos de uma vez por todas entender que é preciso APRENDER A VIVER COM OS FILHOS e não apenas para os filhos.
Não podemos de maneira alguma deixar que a modernidade das relações humanas possam nos confundir ao ponto de esquecermos do verdadeiro papel da família .
A família e a “vela” estão, e sempre estarão ali para nos iluminarmos e nos fortalecermos das dificuldades impostas pelo mundo moderno. Não existem, pessoas sem calor humano, não existe calor sem “vela”, assim como não existe um PROBLEMA que uma FAMÍLIA unida não possa resolver, mesmo que ainda, não possamos entender o porquê de cada coisa……
Mais não falo, apenas reflito ....
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