Quem busca terapia sente que está precisando ajuda para resolver alguma questão que esteja trazendo desconforto ou procura melhorar suas relações. A busca é um processo. Ou seja, uma caminhada que se inicia e pode levar um tempo que não pode ser medido inicialmente. Pois a passada a ser dada, depende da energia do caminhante e o quanto tempo ele precisa deter-se para avaliar o cenário que está. Ou seja, é algo singular e pode levar para caminhos até então muito esquecidos, mas que acabam influenciando no trajeto atual.
É um momento de autocuidado. De pensar em si e se dedicar a entender seus sentimentos e movimentos e o que faz a partir disso. No entanto, vê-se por ai, muitas pessoas prontas a dar fórmulas mágicas para resolver questões emocionais. Observo títulos como: Cinco passos para vencer a ansiedade, Como sair da depressão... Promessas de resoluções de questões psíquicas quase instantaneamente. Uma ilusão. E a questão maior é que existe consumo para esse tipo de coisa. Na busca desenfreada de soluções que não precisem de muito esforço, muitos pegam para si pequenos apontamentos e utilizam. Não mudam o interior, focam em consumir o que traz apenas alivio imediato e não a conscientização e conhecimento real do que está se passando.
O processo terapêutico, não pode ser replicado para todos como uma bula de remédio. Aliás não é um remédio que traz cura. Não é possível mudar o que aconteceu. Mas a partir da consciência dele, podemos fazer escolhas sadias para viver. Ter qualidade de vida buscando lidar da melhor maneira possível com as dificuldades enfrentadas diariamente.
Costumo associar o processo a montagem de um quebra-cabeça. Conforme o número de peças, pode ser mais longo ou mais curto. Dependendo da demanda do paciente também. Tem-se a noção do que se vai ver, mas quando tudo está misturado, a cada encaixe das peças vai se tendo visões mais claras do que estamos montando. Demanda energia, mas quando se descobre o lugar certo da peça, é uma sensação de satisfação. É um trabalho em conjunto. Onde o cliente/paciente é o protagonista e o terapeuta apenas aquele que vai iluminando o caminho. Como os lanterninhas nos cinemas antigamente. Eles ficavam responsáveis por acompanhar as pessoas pelos corredores dos cinemas e apontar os lugares que estavam vagos.
Quero dizer com tudo isso, que o cuidado de si requer esforço e persistência. Amor mesmo. Colocar-se como prioridade. Procurar entender seus processos e com isso não ficar preso a movimentos repetidos que desgastam e não proporcionam mudança.
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