Existe polêmica até na etimologia da palavra, o latim tardio aponta Carnaval como carne vale ou adeus a carne, como previsão da quaresma.
A carne que se fala são os prazeres carnais, a limpeza do espírito pelo afastamento dos prazeres e aproximação do ser com o Divino.
Em Roma existia uma procissão para Ísis, onde o povo ainda prestava homenagem aos deuses antigos. Isis era colocado em um carro de bois em forma de barco e levada até as margens dos oceanos, onde ela era consagrada como protetora dos navegadores, o nome carrum navale pode ter dado também o nome ao tema.
Na tradição Greco-Romana, as chamadas Dionísias, celebração ao deus Dionísio, está mais próximo do que conhecemos, as pessoas colocavam pele de animais, bebiam bebidas alcoólicas e festejavam por dias.
Ainda havia as saturnálias, festa em homenagem a saturno, ocorria a inversão social, onde os senhores serviam seus serviçais um dia inteiro.
Nos séculos dezesseis e dezessete tínhamos no Brasil o festejo do Entrudo, trazido pelos portugueses, Entrudo era o nome de um grande boneco de madeira que desfilava pelas ruas e as pessoas que comandavam o boneco, jogavam farinha com cheiro de ervas e limão nos transeuntes, mas foram reprimidos devido à falta de disciplina.
O povo não queria que a festa acabasse, criaram então as festas em locais onde só participavam convidados, geralmente teatros e clubes, mas buscaram criar cordões e ranchos.
Os cordões imitavam procissões religiosas, os ranchos eram festas em locais distantes da urbanização, com esses adventos foram ampliando a musicalidade, surgindo assim as marchinhas de carnaval.
A primeira marchinha de carnaval foi composta por uma musicista magnífica, Chiquinha Gonzaga, composta em 1899 para o cordão carnavalesco Rosa de Ouro.
Já aqui em nosso pago, em Janeiro de 1927, em Pelotas (RS), três trabalhadores não contentes com o modelo existente de carnaval, onde havia segregação social, iniciam o carnaval de rua.
No mundo contemporâneo o carnaval é chique, brega, atual, antigo, enfim é tudo e de todos. Com predeterminação da quaresma, onde não se comeria carne, ou onde não se colocaria a carne a frente do espírito, aproveitava-se o período para extravasar todos os sentimentos comemorando a vida.
Nosso país elevou a festa profana e mundana ao nível máximo, onde mais do que festival, o carnaval virou produto, produção, gerando despesas ou ganhos, dependendo sempre da ótica imposta.
E assim, como outras festas que temos no país e aqui no Rio Grande do Sul, o carnaval une as pessoas, com objetivo de celebrar, demonstrar uma tradição e a cultura. Unindo as diferentes classes sociais em um único espaço democrático.
Como seres humanos, temos uma tendencia de buscarmos grupos de referências, para que tenhamos convívio social, sendo assim, podemos considerar os blocos de ruas e as escolas de samba, por exemplo.
Ah, mas ainda que não façamos parte de nenhum destes grupos, temos a oportunidade de contemplar culturalmente, através dos desfiles, mídias nacionais e regionais. Independente de ser um seguidor ou não, nos permitirmos a curiosidade de entender um pouco mais sobre este evento cultural e que nos traz conhecimento.
Há quem diga que o ano só começa após o carnaval, afinal algumas cidades se preparam para a folia pagã por muito tempo.
Dom Barulho, um homem do campo, voltado as tradições gaúchas, na sua essência rural, foi apresentado ao carnaval quando veio para a cidade.
Entre os rodeios e a avenida, Dom Barulho não se esquiva das suas opiniões e lança sábias palavras quando interpelado sobre as folias da corte do Momo:
“Não importa que não tem ninguém pilchado, nem música gaúcha, se tem alegria e representa o folclore popular, deve ser preservado e respeitado por todos, pois assim como queremos respeito com nossas tradições precisamos respeitar os costumes e festejos dos outros, tudo pode ter sinergia, pois onde há respeito e harmonia, lá o gaúcho se faz representado”!
Esse Dom Barulho dá aula...
“Que o maior presente entre as pessoas, sejam a bondade e o amor fraterno!”
Mário Terres e Tainara Moraga
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