Quantas vezes usamos essa palavra que marca o nosso povo e nem sempre sabemos de sua origem, significado e outras peculiaridades?
Falamos: “Che loco que bobagem! Che para guri, presta atenção! Mas bah, oiga che tu não te atucana que vai dar tudo certo. Tri legal che!”
E a gente se esbalda em CHES e outras palavras que não sabemos muitas vezes de onde vem.
Nesse caso o querido Dom Barulho (meu avô) traz seu conhecimento para nos salvar da ignorância. Afinal como guri inquieto, fico sempre perguntando as coisas para esse avô que traz ensinamentos ao mundo sem cobrar nada.
Segundo os ensinamentos de Dom Barulho: “Todos dizem saber de onde vem, mas sempre puxando a brasa pra perto do seu assado, estratificar o conteúdo, poucos conseguem. O che (assim, sem o “T” na frente, isso foi a gente que inventou) tem uso em toda a América sulina e ainda conexão com a Europa. Essa conexão, porém, é duvidosa, já que as fontes de pesquisa não são confiáveis. A avó de teu avô já dizia que uma nação de aborígenes primitivos do Chile, carrega no nome a própria palavra, os Mapuche que traz em seu significado, no dialeto araucano, o pertencimento ao lugar, gente da terra (che – gente / mapu – da terra). Não se consegue sustentar essa versão por falta de registro, daí abrem-se as portas do achismo.
Outros defendem que “Che” vem do Guarani, que significa “Eu”, primeira pessoa do singular, podemos trazer como exemplo o “che irú” que significa meu amigo, meu irmão, nós usamos a palavra como xirú.
Existe um especialista na Argentina, o senhor Santiago Kalinowski, que é diretor do Departamento de Investigações Linguísticas e Filosóficas da Academia Argentina de Letras que afirma ser a palavra “che” muito antiga, mas de origem etimológica incerta.
Nos idiomas tehuelche e pampa “che” significa homem, e conforme muitos habitantes da região, não tem nenhum uso vocativo ou expressivo.
Ainda existe a teoria do uso trazido de Valencia. Valencia estabelecida na costa do mediterrâneo, é conhecida como a terra dos “ches”, pois é muito comum até hoje, ver os locais se chamando por “che”.
Para outros estudiosos, pode ter vindo da Itália, da região da Lombardia, onde a expressão tem os mesmos significados e conotação que daqui.
Vemos aí que pode ter sido de todos esses lugares e povos, mas que defendo sempre é que, os primitivos têm desvantagem frente aos outros povos. Fácil de entender o que falo, os povos primitivos geralmente não tinham escritas, seu dialeto e forma rudimentar de vida, não lhes legara o entendimento de registrar em papéis sua forma de vida, seus usos e costumes, sua cultura se estanca pelas proezas insanas e sangrentas dos “grandes conquistadores”.
A história que contrataram alguns reis, conta que os conquistadores, ao “conquistarem” (na visão de quem tomou posse de terras sem dono), foi uma façanha. Para quem foi exterminado, não tem história, nem teve tempo de gritar ao mundo que sua raça estava sendo dizimada pela tirania do homem em busca do ouro. Imagine um homem adulto, com força e agilidade, brigando com uma criança de menos de dez anos, assim é a luta pela conquista, armas de fogo contra flechas e coragem.
O legado não foi totalmente apagado, assim como o “che”, muitas outras palavras seguem em nosso dialeto, relembrando aqueles que tinham suas terras, sua herança e sua história, mas que a ganância arrancou-lhe tudo, inclusive a vida.
Hoje meu neto, onde há historiadores que buscam a verdade, não são pagos por reis para escreverem as suas verdades, começam a aparecer as visões claras do que foram as conquistas de terras pelos povos do velho mundo, quantas vidas custaram essas posses. Que sejamos sempre perdoados pela destruição dessas raças.
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