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Domingo, 30 de Agosto de 2026

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Desfazendo as penas

Os avós tinham rudimentar carinho pelos netos, a Dith e o Barulho eram incríveis...

Desfazendo as penas
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Vem chegando o natal e com ele uma tormenta de sentimentos.

Alguns sentem-se deprimidos, não gostam porque natal traz lembranças de um tempo que não volta, de pessoas que partiram e de coisas que calaram fundo em seus corações.

Outros tantos comemoram com intensidade, pois é importante para si e suas famílias que haja esse encontro.

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Na verdade natal é isso: reunião de família, os primos correndo de um lado pra o outro, os tios tomando uma cervejinha e falando do trabalho, as tias reclamando de alguma coisa e os avós de olhos marejados atentos a tudo.

Geralmente na infância não me atentava ao universo de coisas e sentimentos que o natal despertava, de forma distinta em cada um.

O tio barbudo com voz grave e sorriso fácil, o tio Luiz, foi quem me apresentou o clube do coração, a primeira camiseta do colorado ganhei dele e tenho até hoje guardada. Me deu meu primeiro irmão, sim porque fui criado com os avós e os primos, tenho eles como irmãos. Os avós tinham rudimentar carinho pelos netos, a Dith e o Barulho eram incríveis em sua peculiaridade rude, mas afetuosos e com ensinamentos pra vida toda.

O pai era rígido e ordeiro, porém o amor que ele tinha era assim e entendi isso um pouco tarde, senão teria aproveitado mais, mas cada um tem seu caminho e ele foi uma bela referência nesse caminhar. Os Barbosa eram outros que se tornaram irmãos, aprontávamos cada uma que tinha uma vizinha da minha avó que nos chamava de diabinhos. As primas eram unidas, mas quando se juntavam com os primos, uma e duas o pau quebrava.

De repente rompia a algazarra da noite um papai Noel com seu rou, rou, rou ensaiado e a gente corria pro sofá da sala, ou pras cadeiras na garagem. Quem chegasse naquele momento, diria que eram anjinhos comportados e atentos aos movimentos da noite.

Presentes, a disputa por quem ganhou o mais legal, a aflição de ter o nome chamado pelo Noel, a felicidade dos pais e tios, o sorriso dos avós, família unida que aos poucos foi se perdendo no passado.

A garagem do tio abriga carros e nunca mais gerou encontros, os avós partiram deixando os netos carregados dos seus sotaques. Meu pai foi cedo, mas o tempo que esteve aqui ensinou tanto que moldou a família com firmeza e retidão, somos sua linhagem. A mãe agora busca retomar com sua prole o que um passado esqueceu de manter.

Aprendi com isso que nos separamos de quem amamos por besteira, deixamos apagar tudo o que construímos na infância e juventude junto de tios e primos e avós por colocarmos egos e empecilhos idiotas no lugar do amor. Julgamos quem é melhor ou pior, quem merece ou não merece, deixamos as afinidades afetivas se cambiarem por julgamentos de classe, credo ou outro qualquer que criamos apenas para nos separarmos cada vez mais dos nossos elos mais essenciais, a família.

Porque isso acontece? Não tenho respostas, mas sei que desperdiçamos tempo afastando os entes que escreveram nossas primeiras páginas conjuntamente, por burrice.

Somos humanos e carregados de defeitos, temos que aprender a olhar as virtudes, valorizar as coisas boas e que nos alimentam a alegria e conviver harmoniosamente com os nossos.

Quinta a noite a garagem receberá toques de passado com renovação do presente olhando para o futuro com olhos ávidos e perspicazes, espero que possamos construir um novo por vir, com os avós e netos e primos e tios mantendo acesa a chama familiar da fraternidade.

Assim Dom Barulho e Dona Judith seguirão mateando a nossa volta como se nunca tivessem saído daqui...

Comentários:
Mário e Tainara

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Mário e Tainara

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