Que as crianças não são todas iguais em inúmeros quesitos todos já sabemos, e na forma de aprender também. Alguns aprendem de uma forma e outros de outras formas. Uns apresentam facilidades e ritmos diferentes, aptidões para alguma área ou mais de uma, assim como dificuldades em determinada área ou áreas. Mas é preciso que se tenha claro o fato de que todos podem aprender, tenham dificuldades de aprendizagem ou algum transtorno de aprendizagem.
Dificuldades de aprendizagem são dificuldades de causas externas, transitórias/passageiras, que podem ter origem pedagógica, emocional ou social, bem comuns nos anos iniciais e finais do ensino fundamental. Especialmente neste período pós-pandemia. Crianças e adolescentes apresentam dificuldades ligadas a fatores emocionais e/ou familiares como a ansiedade, abandono afetivo, expectativas com notas, horários e compromissos escolares, demandando mais diálogo com a família e a busca de soluções em parceria. Também podem estar ligadas ao trabalho escolar, sendo muitas vezes necessário um apoio extra como o reforço escolar, uma atenção maior da equipe pedagógica em conjunto com o professor para adequar ao aprendizado e atendimento do estudante.
Já os transtornos de aprendizagem possuem causas internas, são de origem neurobiológicas, persistentes, onde o desempenho do aluno está abaixo da média esperada para a faixa etária da criança no seu nível escolar, comprometendo assim a capacidade de aprendizagem sem uma adequação de postura didática e pedagógica. Importante frisar aqui que o diagnóstico deve vir de uma equipe multidisciplinar, de maneira séria e comprometida, profissionais da saúde e educação, geralmente a dúvida vem da família, ou da própria escola no início da vida escolar, e deve ser investigada, pois quanto mais cedo o diagnóstico correto e a intervenção pedagógica adequada iniciarem, mais eficazes serão os resultados.
Os transtornos de aprendizagem mais comuns são:
TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade);
TEA (Transtorno do Espectro Autista);
TOD (Transtorno Opositor Desafiador);
TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada);
TGD (Transtorno Global de Desenvolvimento);
TPAC (Transtorno do Processamento Auditivo Central);
Disgrafia;
Discalculia;
e Dislexia;
Para todos há tratamentos medicamentosos e/ou terapêuticos que auxiliam muito na rotina escolar e social da criança, indicação que será feita pelo(s) profissional(ais) da saúde que acompanham a criança. Também com o conhecimento do transtorno e suas características, constrói-se o trabalho pedagógico do(s) profissional(is) da educação para uma melhor intervenção que propicie a aprendizagem e a socialização da criança na escola.
Como já afirmei acima: todas as crianças são capazes de aprender, todos tem o direito a educação. Não existe uma fórmula pronta. Não é igual para todos, pois cada caso é um caso, cada criança é uma criança e cada situação é única. No entanto o olhar atento, a postura e a afetividade do professor são elementos fundamentais neste processo, bem como o apoio e o suporte adequado da família em todo o processo educacional do(s) filho(s). Toda a evolução deve ser estimulada no ritmo de cada criança, e é preciso fortalecer a autoconfiança, a autoestima e a independência.
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