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Domingo, 30 de Agosto de 2026

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Dos nossos laços

Que possamos ser flexíveis, abertos ao diálogo com atenção ao momento presente...

Dos nossos laços
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A gente já vem ao mundo véio sem porteira rodeado de gente, todo mundo fazendo festa e festejando a nossa chegada.

Tem parente, amigo, vizinho, cachorro, marreco, cavalo, tudo o que envolve o cotidiano familiar entra no contexto.

Porque somos assim, comunitários, sociáveis, comunicativos. Criamos laços desde o nascimento com tantas pessoas, que se parássemos para listar desde o início, faltaria linhas para nominar tantos que passaram por nossas vidas.

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Nossa gauchesca formação fortalece ainda mais esse listado de nomes, afinal somos hospitaleiros e acolhedores desde os primórdios, todos os que relataram o Rio Grande de São Pedro nas mais remotas épocas falaram de nossa virtude de acolher e receber amigavelmente (vide Auguste de Saint-Hilaire) com respeito e cordialidade.

Vamos desquinando os tentos da vida e trançando laços que nos levam a projetar um futuro sempre arraigado na convivência. Aprendemos com cada um que cruza nosso caminho e nos enlaçamos com aqueles que trazem algo mais significativo em nossas relações.

São os relacionamentos mais importantes na vida da gente, as pessoas com quem mantemos contato, que contribui também para a saúde das nossas emoções, pois termos a chance de compartilhar o que sentimos e pensamos, nos gera sensação de alivio e acolhimento.

Aqui damos espaço também a forma como nos comunicamos e as consequências que poderá trazer as relações. Que possamos ser flexíveis, abertos ao diálogo com atenção ao momento presente, tentando evitar que nossa mente, faça o percurso do julgamento ao outro.  Apenas atento o que possa estar sendo dito e aproveitando o que de melhor a outra pessoa tem a nos dizer. Pois afinal, como dizem por aí: “Escutar é uma arte!”.

Dom Barulho literalmente tinha esse dom, de escutar as pessoas, como ele mesmo gostava de dizer: “Escuto, rumino e regurgito as ideias antes de solta-las certeira, pois que solta ao vento, pode atingir destinos errados. ”

Ele escutava, maturava os pensamentos e sempre tinha uma visão agradável do que trazíamos à ele.

Certa vez eu cheguei cheio de rancor, falando coisas que eram de certa forma agressiva e ele escutou por um bom tempo.  Não expressou nenhuma opinião até que eu pedisse.

Era assim aquele velho de sabedoria plena, expressava opinião se fosse questionado, caso contrário abstinha-se de inferir qualquer opinião.

Ele dirigiu-se ao potreiro grande e pediu que eu acompanhasse, me mostrou um baio cabos negros que pastava tranquilo e me disse: “Aquele é o meu preferido meu neto!”

Eu soltei de vereda (ele já esperava): “Mas, aquele foi o que lhe derrubou e ainda deu um coice, o senhor está maluco?”

Calmamente ele apanhou um pasto e colocou no canto da boca, virou pra mim e olhou no fundo do olho falando: “As pessoas e os animais nos trazem ensinamentos meu neto, os animais não conseguem expressar palavras, mas tem sentimentos (é o que dizem) e muito que nos ensinar. Ao me derrubar, o cavalo seguia seu instinto, o mesmo fez ao coicear, se eu que tenho inteligência batesse ou mandasse sacrificar o cavalo, veja que lindo animal perderia, ele hoje é das minhas confiança, meu pingo de arreio, lindo, garboso e obedece as rédeas como poucos.

Se um amigo teu te ferir, não pode ser sem pensar? Vai dispensar sua amizade por um mal entendido ou por um equívoco mundano? Não meu neto, foque no que ele tem de melhor a te entregar e seja humilde em dialogar para entender o mal que atingiu o coração desse amigo, talvez ele precise tanto de ti que tu não te apercebes.”

Nem sempre, vamos conseguir dar atenção devida, então neste momento, sejamos honesto com o outro e possamos combinar esta prosa para outro dia. Pode parecer um tanto rude, mas tudo depende do quanto somos hábeis para fazer este pedido. Sendo ele bem encaminhado, possivelmente trará ainda mais valor para esta amizade. Demos a chance da compreensão e o respeito.

Então, que possamos cuidar das nossas relações em todos os contextos em que vivemos, sendo colaborativo e agregador, para que possamos deixar um legado e um pouquito de nós, em cada um que fizer parte desta caminhada.

 

“De todos há um pouco de tudo, estratificar a essência de cada contribuição individual nos faz ascender na nossa própria humanidade.”

                                                                                       Mário Terres

FONTE/CRÉDITOS: em parceria com Tainara Moraga
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