Repórter Guaibense

Quinta-feira, 16 de Julho de 2026

Colunas/Geral

Eu sou eu, e você?

Viver não é só comer, beber, dormir, copular e morrer sem sentido algum

Eu sou eu, e você?
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Não quero ter a terrível limitação de 
quem vive apenas do que é passível de fazer
sentido. Eu não:
“QUERO É UMA VERDADE
INVENTADA.”
“A loucura é vizinha
da mais cruel sensatez.”
Mas existe
um grande, o maior obstáculo
para eu ir adiante: eu mesma.
Clarice Lispector.

As férias terminaram, na verdade nem sei ao certo se realmente existiram, pois nesta insana correria de “faz uma coisa ali”, “resolve outra aqui”, “assume um novo desafio acolá”, tenho a impressão que tive “espasmos relaxantes” que me tiraram por segundos da rotina. Mas, como se diz, “bora lá” escrever, pois estava com muita saudade de momentos como esse.

Iniciei a coluna de hoje citando ninguém menos que uma das maiores escritoras deste momento: Clarice Lispector! Vivemos atualmente em tempos difíceis que por certo, acabamos complicando ainda mais pela ansiedade de forjar sermos algo que a literalidade não consegue explicar e a vivência demonstra não ser o produto que é vendido.

O assunto e a temática de hoje estão mais para uma reflexão da vida do que propriamente algo da área jurídica. Mas, afinal de contas, a coluna é minha e o chefe autorizou escrever o que eu quisesse. Então, “canetas à obra”.

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Recentemente estava lendo um texto, diga-se de passagem, um grande de texto, de ninguém menos que a majestosa escritora Clarice Lispector, cujo título é “Quem sou eu”. Logo após as devidas reflexões tive a oportunidade de ainda trocar análises e percepções com uma amiga que também havia feito uma publicação do mesmo texto, foi quando pensei: a próxima coluna terá essa reflexão.

“Se tivesse a tolice de se perguntar 
'quem sou eu?' cairia estatelada e
em cheio no chão. É que 'quem sou eu?'
provoca necessidade. E como
satisfazer a necessidade? Quem se
indaga é incompleto”.
(Clarice Lispector,fragmento extraído de
“A hora da estrela”, 1977)

Estamos atualmente vivendo um verdadeiro mar de indagações,quando conseguimos fazer reflexões acerca de quem somos e o que estamos buscando! A cada dia sentimos a real necessidade de nos fazermos presentes nas redes sociais, publicando e divulgando uma imagem, que, de certa maneira, é bem recebida a todos que nos assistem, gerando uma imensidão de “likes” e “visualizações”, que de certa maneira, alimenta o sentimento, sei lá qual seja de quem as publica!

Mas quem sou eu ?

Aquele das redes sociais ou aquele dos bastidores? Ou quem sabe sou as duas coisas que se adapta ao meio em que vivemos e que de certa maneira consegue agradar “gregos e troianos”?

Essa reflexão sobre “quem sou eu” deve partir de uma autoanálise pessoal e que, até certo ponto, tende a ser a melhor escolha para com o quê nos identificamos, e isso não tem nada a ver com o que os outros pensam e sim no que acreditamos e o que nos deixa feliz, em paz consigo mesmos.

Nossa eterna busca em fazer com que os outros acreditem no que queremos passa por uma reflexão e autoanálise bastante complexa, mas, após os devidos estudos nos colocam em uma posição de que podemos e devemos enfrentar tudo sem medos ou preconceitos de opiniões alheias.

Em muitos momentos, somos o que os outros querem que sejamos, e ao passar dos anos deixamos de viver o que realmente gostaríamos de ser, de viver o que realmente gostaríamos de viver e aproveitar a vida do jeito que realmente gostaríamos de aproveitar!

Nos  diversos bate-papos, com os amigos, proferíamos o bordão de que nossa fatura de cartão de crédito se divide em duas classificações. A primeira é “por que eu mereço” e a segunda é “porque só se vive uma vez”. Entre risos, esses “mantras”  não deixam de ser algo que nos encoraja a viver.

E tenham a plena certeza, que muitos estão ultimamente  sobrevivendo a um sistema, esquecendo-se do que realmente é VIVER dentro de um sistema.

Como disse o Poeta Júnior Dihl,

Não se engane, os fios brancos mantêm 
o equilíbrio, entre a pouca idade
e a longa caminhada, e nenhuma tinta
apagaria os FEITOS até
aqui realizados

Precisamos entender que  vale à pena ter em mente que a fase da vida considerada como maturidade é, possivelmente, a melhor fase para repensar, desacelerar e viver novos começos com muito mais prazer, realmente vivendo quem somos. Se me perguntasse agora, “quem sou”, acredito que a melhor resposta estaria no texto abaixo:

“Não sou branco, negro, amarelo ou vermelho”, sou um cidadão do universo, no momento, estagiando como Ser humano na escola terrestre.

Sou um homem, nem alto ou baixo, mas sou uma consciência oriunda do plano extrafísico, uma centelha vital do Todo que está em tudo!

Tenho a cor da Luz, pois vim das estrelas. Sei que o meu tempo aqui na Terra é valioso para minha evolução.

Não há religião acima da verdade. O Divino pode se manifestar em miríades de formas diferentes.

Só se escuta a música das esferas com o coração. Nada pode me separar do “Amor Maior Que Governa a Existência”.

Espiritualidade não é um lugar, grupo ou doutrina, é um estado de Consciência do Ser.

Eu sou aquele que não compra Discernimento ou Amor, busco sempre conquistar, pois não há progresso consciencial verdadeiro se não houver esforço na jornada de cada um.

O dia em que nasci não foi feriado na Terra. E no dia em que eu partir, também não será!

Tudo que penso e sinto se reflete em minha aura. Minhas energias me revelam por inteiro. Logo, preciso crescer muito, para melhorar a Luz em mim.

Não vim de férias para o mundo, mas para aprender, trabalhar e vencer a mim mesmo nas lides da vida.

Não sou o centro do universo e sem a Luz não sou nada! Sem Amor pelas coisas que faço, o meu coração fica seco... Sem espiritualidade, meu viver perde o sentido.

Minha Fé não é minha babá extrafísica, ela é o combustível que me guia para os meus objetivos.

Sou aquele que acredita que ninguém sabe tudo e conhecimento não é sabedoria, pois todos somos professores e alunos uns dos outros em algum momento da vida.

Não nasço, tampouco nem morro, só entro e saio dos corpos perecíveis ao longo da evolução. Não posso ser enterrado ou cremado, pois sou um espírito e esse perdura pela eternidade cumprindo sempre as missões que forem dadas.

Viver não é só comer, beber, dormir, copular e morrer sem sentido algum. Viver é muito mais: é pensar, sentir e viajar de estrela em estrela, sempre aprendendo.

Já escrevi por aqui, de nada vale uma pessoa ganhar o mundo se ela perder sua alma, o mal que me faz mal, não é o mal que me fazem, mas o que acalento em meu coração.

Sou mestre em buscar conhecimento e discípulo do aprendizado, sou o que completo o outro e todos se completam em alguma coisa.

Sou apenas o sentimento que transpira GRATIDÃO, por ter e receber, tudo que tenho buscado na trajetória de minha vida.

EU SOU EU...

Mais não falo, apenas reflito.

Comentários:
Felipe Coimbra

Publicado por:

Felipe Coimbra

Dr. Felipe Coimbra, advogado e CEO do escritório Coimbra, Farias e Pfleger, é Procurador Geral no Conselho de Educação Física. Ex-presidente do Rotary Club de Guaíba, atualmente é governador assistente e Diretor Artístico do CTG Gomes...

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