Não há como fechar os olhos ou virara a cara para as coisas que acontecem mundo a fora.
Precisamos, porém, cuidar-nos para não incorrer no erro de olhar mais para fora do que para dentro.
Em nossa ótica já fatigada, com o olhar turvo talvez, percebemos que as gerações que chegam, olham o mundo sem dedicar visão a sua aldeia, pintam o cosmo e esquecem do micro, o sumo de sua existência, sua essência.
Pode ser uma visão errônea, não temos a pretensão de sermos os donos da verdade, mas gostaríamos de dividir nossas observações com os leitores, e aceitamos o retruco, mas cuidado, nossas cartas são fortes... Não é pra qualquer chambão derrubar o que temos.
Caímos na armadilha de buscar recursos e informações, mais das redes sociais do que dos fatos e dos livros. Esses últimos, coitados, mofam e envelhecem sem sentirem a saliva presa no dedo para lhes folhearem, tocarem seus papeis.
Nem as traças adentram mais aos armários e estantes, acho que devem estar ouvindo algum podcast, essas danadas.
Passamos por várias notícias fabricadas, por tantas coisas direcionadas, que se não tivermos conteúdo, acreditamos facilmente no que é implantado em nossas vidas.
Vimos algumas coisas acontecerem nesses últimos anos, comparamos com o início dos anos oitenta que foi onde já adquiria alguma informação que nos embasa a medida de valores, entendemos que hoje em dia a proporção de uma notícia, independente do conteúdo (verdade ou mentira), tem sua velocidade de propagação, seiscentas vezes mais poderosa.
Desculpem-nos, mas de lá pra cá, sofremos uma involução sistêmica, onde não conseguimos distinguir o que é real e o que é falso em muitas vezes.
Vamos exemplificar para não ficarmos no etéreo, estamos passando por uma “guerra” entre Rússia e Ucrânia, qual o motivo? O que aconteceu que moveu o mundo moderno a erguer armas poderosas contra a humanidade?
A gente nem sabe direito, mas fica recebendo tanta informação, que compra tudo por verdadeiro.
Nós também não sabemos responder as perguntas que fazemos, mas sabemos que somos débeis ao estabelecer relação do real e do imaginário, prova: Circula pelas redes umas imagens de ataque antiaéreo e chuva de mísseis sobre uma cidade, todos veicularam que a Rússia atacou ferozmente a Ucrânia, dois dias depois desmascararam a mentira, afinal as imagens eram de um jogo de vídeo game, perfeito e bem elaborado como os jogos atuais o são.
Outra feita um tanque esmaga um carro e as imagens aterrorizam o mundo como “irracional ataque russo” mas em um dia descobrimos que era um teste em um tanque que perdeu o controle e acabou passando por cima do carro.
E ainda continuamos olhando pra fora, sem olhar para dentro. Continuamos acreditando que a Revolução Farroupilha foi por causa do charque e dos impostos, que não perdemos, empatamos, que foi coincidência os negros serem mortos desarmados, que o Império tomou conta de tudo...
Assim como vamos dançar no CTG (Centro de Tradições Gaúchas) e não sabemos as origens da dança, os costumes dos nossos antepassados, e os livros seguem ali, dispostos a nos entregar tanto e tudo o que precisamos para nos libertarmos da ignorância.
Parece que nos levamos pelo imediatismo das situações, na ausência cotidiana de ter tudo rápido e nem sempre nos colocamos na condição de aprofundarmos um pouquito mais a leitura ou a escuta, para que tenhamos conhecimento amplo e não apenas a chamada da matéria, por exemplo.
Nosso comportamento ansioso e impaciente nos tira a oportunidade de contemplarmos uma boa leitura e nos afasta daquele conhecido ditado: vou beber da fonte.
Quando temos o sentindo das coisas que fazemos e porque fazemos, ganhamos motivação, compreensão e não pelo simples fato da repetição, sem o real sentindo. E aqui fazendo costado, mencionado sobre o dançar, este é mais um exemplo, dentre tantas outros temas da tradição gaúcha.
As redes sociais impulsionam a divulgação de muitas ações importantes, mas há de se observar, novamente, qual o real conteúdo e se há coerência ou não, então voltamos para importância da leitura, o fomento de saber, a curiosidade! Sim, a curiosidade no leva a questionar mais, desejar entender melhor o mundo a nossa volta.
Deixemos de olhar só para as estrelas e o universo, para por um momento, olhar pro chão que nos alimenta e nos enche de riquezas culturais e nós não entendemos ainda que somos guardiões desse tesouro.
“Que o maior presente entre as pessoas, sejam a bondade e o amor fraterno!”
Mário Terres e Tainara Moraga
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