Repórter Guaibense

Sexta-feira, 22 de Maio de 2026

Colunas/Geral

Ferramentas inertes

Algo que vai passando de pessoa a pessoa, e esses carregam em si, o compromisso de seguir transcendendo?

Ferramentas inertes
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Dom Barulho tinha uma frase clássica (dentre tantas de seu imensurável repertório) que dizia: “- Quem não ajuda, não estorva! ”

Seguidamente se escutava essa, quando alguém estava no caminho ou atrapalhando o velho avô em algum a fazer do seu dia a dia.

Hoje penso a mesma frase (sem dizê-la) para o momento em que atravessa o tradicionalismo.

Leia Também:

A pandemia forçou o afastamento e também expos o despreparo que os dirigentes do movimento apresentam para atuar em momento de crise.

O tema é trazer a reflexão de quanto nos desviamos do caminho e propor a indagação se ainda queremos retomar o plano inicial?

Bem, seria irresponsabilidade desse colunista expor a crise como sintoma desse despreparo. Há pessoas que fazem de tudo para assumir o poder e quando assumem, acomodam-se no trono e esperam que os súditos hajam em sua causa. Esquecem-se que são referências à serem seguidas.

Talvez, os interessados por assumir uma posição de liderança de suas entidades precisam refletir sobre a responsabilidade que é estar a frente de um local que têm, ou deveria ter, uma representatividade da cultura gaúcha. Afinal, este deve ser o seu maior, propósito, não é mesmo?!

Os problemas antigos começam com a segmentação nas mostras, que separa e acaba excluindo pensamentos divergentes que não sabem congregar e divergir, mas manterem-se firmes a causa maior.

Em seguida os que se aproveitam dos fanáticos por premiação e se fazem na cobrança exagerada por serviços prestados, de coisas que geralmente aprenderam de graça e sem pudor, secam os cofres das entidades.

Porque as entidades viram reféns desses gastos? Porque não balancear e investir nos talentos caseiros?

Porque não valorizar a transcendência, tornando o aprendizado algo que vai passando de pessoa a pessoa, e esses carregam em si, o compromisso de seguir transcendendo?

O quanto estão preparados os gestores para fomentar lideranças em seus galpões e fazê-las produzir pela entidade?

Essas por sua vez, geralmente (ou a grande maioria) tem em sua sede grande parte de frequentadores como partícipes da área artística e com isso vem o advento da competição antes da fraternidade. Há que mudar o foco.

E neste ponto, uma oportunidade. Sabendo-se que a artística (dança, canto, declamação, instrumentos, chula, trova), aproxima a comunidade dos CTGs (Centro de Tradição Gaúcha), pois afinal nossa arte, traz os seus encantos, então, vamos aproveitar para levar junto na carona a nossa história usos e costumes, de maneira leve, acolhedora e com mate bem cevado!

Por último, o próprio movimento tradicionalista como fomentador dessa competição, como peça chave do “enxugamento” dos cofres das entidades e peca na omissão do enlace fraterno, na contramão, dá vaza a grupos pequenos e midiáticos para fazer-se crer que seguimos no caminho deixado por Paixão, Barbosa e seus sete amigos. Ledo engano, nos afastamos dia após dia do real sentido e valor do tradicionalismo.

O discurso dessa não é ácido nem de mal perdedor, até porque me sinto um vencedor (para os competitivos). O tradicionalismo em sua essência me trouxe amigos que posso chamar de irmãos, me apresentou a prenda com a qual divido minha vida a 32 anos e me fez um apaixonado pelas coisas do pago, tanto que escrevo em prosa e verso todo esse amor.

Em plena crise não houveram abrandamentos de taxas, nem revogação de pagamentos que jogam no vermelho as entidades.

Centralizaram as ações e esqueceram de atenderem, de estenderem a mão aos pequenos, àqueles que no fundo de algum rincão, fincaram palanques e defendem a arte e a cultura na força do suor. São a resistência atemporal das falácias contemporânea sobre tradição.

Aliás esse é outro tema polêmico, das pessoas envolvidas no sistema, quantas realmente estão conectadas com a tradição. Com o folclore repassado nas entidades que vão na vanguarda do tradicionalismo defendendo essa causa e essa bandeira sem as vezes ter o apoio de quem se faz defendido.

Eu não sei pra onde vai, mas sei pra onde eu quero ir.

São ferramentas poderosas de afetividade e fraternidade, empoeiradas em algum lugar que não no coração das pessoas que fazem a frente desse magistral movimento.

Ah se Barbosa soubesse, combateria com palavras sábias a ineficácia das falácias inertes.

Ah se Barbosa estivesse entre nós...

FONTE/CRÉDITOS: Apoio da minha irmã Tainara Moraga
Comentários:
Mário e Tainara

Publicado por:

Mário e Tainara

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Veja também