Desde os primórdios, os povos despertaram a importância de “celebrarem” os mortos. Valorizar quem fez transcendência, deixando arraigado valores, costumes, carga sociocultural permeando seus descendentes. Todos os povos têm em seu folclore ou sua cultura, um dia atribuído a lembrar de quem já partiu. Afinal a vida terrena é um intervalo da linha entre o nascimento e a morte, que sabemos não há como mudar esse caminho. A lembrança dos antepassados se dá de formas diversas e distintas.
No México existe a Dia de Los Muertos (Dia dos Mortos) que é uma celebração de origem indígena, comemorada em 2 de novembro em honra aos falecidos, são quando as almas recebem autorização para visitar os parentes vivos. Essa tradição já ocorre há 3 mil anos.
Os cristãos desde o século II rezavam pelos seus falecidos. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos já esquecidos. Visitam túmulos, prestam suas homenagens e demonstram seu apego aos entes já falecidos. Os seguidores da doutrina Espírita não cultivam esta data e não fazem nenhuma celebração no Dia de Finados. Para os espiritistas ou espíritas, a morte não existe. É apenas a transição para o “espírito imortal”. No candomblé, esse dia é para reverenciar a ancestralidade e todos os entes queridos que partiram para o Reino da Glória, chamado de Órun Rere. Como os católicos, os candomblecistas visitam os familiares e amigos nos cemitérios – que eles chamam de campos santos – colocam flores, velas e realizam rezas. Os judeus encaram a morte como algo natural. Existe o luto, mas não se fala de perda, e sim de tudo o que a pessoa conquistou e foi durante a vida. No Judaísmo o funeral é feito de um dia para o outro. Para a religião evangélica, com a entrada do pecado, a morte passou a existir, mas ela é apenas um sono, até que Jesus Cristo volte.
Enfim, cada um acredita nas coisas que carregam em sua mente e coração, seja pelo credo, por costume, por legado cultural, aquilo que valoriza em algum momento quem já partiu dessa vida. Tratamos a partida das pessoas como perda, num sentido de egoísmo e possessão, como se aquela vida fosse de alguma forma nossa propriedade, mesmo que um pequeno percentual, pensamos em perda. Poucos conseguem aceitar ou compreender os desígnios do tempo, outros dizem não entender o porquê da partida, assim como ficamos atônitos com tragédias e/ou doenças que ceifam vidas e ficamos introspectivos de como foi prematuro ou precoce. Se há um senhor do destino, ele nunca explica os seus planos, ficando para nós tentar entender e aceitar, afinal cada vida é uma história, cada história carrega sempre uma mensagem. Há que ter mente e coração aberto para interpretá-las. Deixarmos nossa mente e coração aberto, nos aproxima do processo da aceitação, na sua forma mais genuína! Mas... veja bem: esta se dá como um processo.
Talvez para algumas pessoas seja de forma mais breve e outros precisaram de mais tempo, ainda sim, também será possível. Aceitarmos a partida definitiva de alguém, não é fácil, ficamos tristes, com medo, ansiosos, revoltos, nos questionando, mas está tudo bem! Neste processo essas etapas também fazem parte. E nos permitirmos vivenciarmos cada uma delas, fará com que passamos por este luto, nos trazendo alívio, sensação de paz interior e compreensão da nova realidade.
Assim como todos os sentimentos inerentes que temos, o luto também faz parte e deverá ser vivido, sentido e compreendido, para que possamos reencontrar o equilíbrio emocional. Ainda que tenhamos consciência da finitude da vida, nós seres humanos, na maioria das vezes, não estamos prontos para este momento. Sejamos gentis conosco e com o outro, acolhendo as próprias emoções e as daqueles que estão em nosso entorno, pois afinal, temos diferentes jeitos de lidarmos com a mesma situação.
“Que nada seja em vão, que tudo tenha um propósito e que possamos passar pelo ciclo da vida sabendo que todo o amor semeado, florescerá nos corações de quem amamos! ” Mário Terres
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