Repórter Guaibense

Sabado, 23 de Maio de 2026

Colunas/Geral

Fronteiras

Aprendi, com meu compadre Mateus, que a história tem sempre três lados, a minha a tua e a verdade.

Fronteiras
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Há quem diga que as fronteiras existem para delimitar, para separar, para manter o que está lá longe do que está aqui.

Aprendi com meu avô, Don Barulho, que isso é coisa de gente possessiva, que tenta delimitar espaço, pensando ser dono dele.

Ele dizia que antes, muito antes dos navegadores portugueses e espanhóis pisarem aqui, o sul tinha pampa, pajonal e varzedo, cerro, montes e vales que pertenciam a todos e a ninguém.

Leia Também:

Ninguém se preocupava com terras, com posses, afinal compartilhavam tudo. Os primitivos que aqui habitavam geralmente se mantinham em regiões que lhes mantinham em sustento, com água, alimento, alguma proteção (de frio ou calor) e ainda provia o material para seu vestuário e rituais.

Talvez não vivessem assim em total comunhão, mas não se denominavam donos de nada, aprenderam desde nascer que o bem maior que tinham era a natureza e que ela deveria ser cuidada e compartilhada.

Depois vieram os descobrimentos (descobrir o que já existia não é descobrimento pra mim) e com eles as invasões, aprisionamentos, possessões, batalhas por territórios, lutas pelos minerais preciosos de cada região, a vida passou a ser uma disputa que até hoje perdura.

Bueno, Don Barulho lembra que antigamente tínhamos gado alçado (gado selvagem) que se reproduziu grandemente e de tal forma, que bastava erguer as mangueiras de pedra e o gado já estava cercado.

Tínhamos abundantes aves, animais selvagens, os primitivos já cultivavam a mandioca, a batata doce, a erva mate, alguns praticavam a pesca e o conceito de riqueza não tem nada a ver com o de hoje. Riqueza era estar saudável, poder desfrutar da natureza e de suas beldades. O ambiente provia a comida e o homem precisa habitar e interagir.

Depois vieram a ganância e a avareza, com os descobridores veio a necessidade das demarcações e tudo virou fronteira. Dividiram o continente, o país e o próprio estado, separaram os homens como gado.

Ainda não percebo essas fronteiras, me sinto parte do todo, sou gaúcho, sou gaúcho da pampa oriental sou da pampa argentina, chaqueño ou mesopotâmico, sou correntino, sou dos Andes e do Aconcágua, sou Huasso, sou Mapuche e Llanero, enfim sou o que a cultura venceu o tempo e transgrediu horizontes, empurrando pra frente as coisas dos homens que se conectam com o campo, com a base de tudo.

A fronteira é a imposição perversa de limite, não nos prendamos a limites, sejamos limítrofes, mas não sejamos limitados. As fronteiras são como o pensamento, existem para quem as percebe, para quem as estipula.

A cultura extrapola as fronteiras e busca em todas as partes a razão de ser, entregando artifícios, argumentos e empoderamento para que façamos as perguntas sem nos aquietarmos com apenas uma resposta.

Aprendi com meu compadre Mateus, que além de meu irmão é um grande historiador, que a história tem sempre três lados, a minha a tua e a própria verdade.

Hoje em dia a gente põe fronteiras onde não existe, nos enchiqueiramos para não saímos da zona de conforto.

Quebre suas barreiras, derrube suas fronteiras e veja que o mundo aqui fora é bem variado e sempre disposto a ser desfrutado, com consciência, coerência e fraternidade, afinal tudo que a gente planta é o que a gente vai colher no futuro, seja dentro ou fora das tuas fronteiras...

Comentários:
Mário e Tainara

Publicado por:

Mário e Tainara

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Veja também