Ele desde jovem teve na causa tradicionalista, nas coisas do Rio Grande antigo seu mote, trazendo a sociedade da Guaíba Antiga o efervescer do tradicionalismo, tratando esse tema com muito amor e respeito. Não é à toa que foi fundador dos primeiros Centros de Tradições Gaúchas da nossa cidade, por saber, o Minuano e o Gomes Jardim.
Falamos do homem que é guardião da história do município, cuidador junto a sua família da casa do nosso honorável mártir Gomes Jardim, que deu nome ao CTG, em reunião ordinária, para erguer colunas do tradicionalismo na cidade.
De quem falamos afinal? Guaíba sabe a quem deve reverência?
Falamos de Gaston Leão, o nosso querido Gui, filho do Dr. Gastão Leão e de Córa Green Silva, nascido em 13 de junho de 1938, o idealizador da Reculuta da Canção Crioula, o jovem que aos 19 anos, junto com outros jovens, iniciaram o movimento tradicionalista em Guaíba fundando o CTG Minuano e mais tarde o CTG Gomes Jardim. Um defensor incansável da memória dos tropeiros e das tropeadas, alguém que trouxe pra si a responsabilidade de manter de pé, para a cidade e o mundo a casa de um dos heróis da Revolução Farroupilha, nosso honroso José Gomes de Vasconcelos Jardim, ou simplesmente Gomes Jardim.
Conta a história que quando piazito, seu avô, Pedro José de Leão, lhe fazia subir no Cipreste histórico que se encontra em frente à casa, para hastear a bandeira farrapa no alto da árvore, em todo 20 de setembro, já dizia a poesia que “sangue não é água”.
Em 1961, casou-se com Ires Beti Ericksson e tiveram cinco filhos. No início da década de 1970, resolveram começar a fazer a guarda da Chama Crioula na praça em frente à casa de Gomes Jardim, mantendo, com o auxílio da família e principalmente da esposa, esse símbolo da Revolução sempre aceso ao longo de toda a Semana Farroupilha. Nas noites desse período a família se desdobrava para servir uma refeição aos participantes – um caldo, carreteiro ou galinha com arroz – elaborados com as doações recebidas da comunidade, que acompanhava tais manifestações de reverência ao passado e os ideais farroupilhas. Ali também se faziam as pencas crioulas, com mostra de poesias, causos, apresentavam a boa música e danças folclóricas gaúchas. Tais eventos ocorreram até que, com o crescimento da cidade, outros CTGs surgiram e passaram a compartilhar a vigília da Chama Crioula.
Em 1977, foi fundador do CTG Gomes Jardim, do qual foi o quarto Patrão, e em cuja gestão foi possível a construção da sua primeira sede. Da década de 1970 até 1996, no dia 20 de setembro, na Praça Gomes Jardim, Seu Gui foi o orador que motivou os cavalarianos e divulgou a história de Guaíba e do Rio Grande do Sul.
Em 1982, juntamente com outros amantes da nossa música, se dedicou à criação da Reculuta da Canção Crioula, festival de música do qual foi primeiro presidente. Esse evento foi pensado e produzido, em sua casa, que por meses tornou-se ponto de encontro de artistas e colaboradores, e até hoje, este festival é considerado como um dos maiores e mais tradicionais festivais do Estado.
Em 2019, a Reculuta foi reconhecida como Patrimônio Imaterial do município de Guaíba, tanto pela Câmara de Vereadores como pelo Executivo Municipal.
Em 1994, outro gesto de profunda consideração pela nossa história mobilizou Gaston e decidiu, com a concordância da família, solicitar ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE), o tombamento da sua residência, e foi o primeiro proprietário de um bem cultural a solicitar o reconhecimento oficial na história da preservação no Rio Grande do Sul.
No mesmo ano do Tombamento (1994), junto a sua minha família, precisaram mobilizarem-se, com o apoio da comunidade cultural de Guaíba, do Rio Grande do Sul e do Ministério Público, na defesa e na proteção do entorno do bem tombado, hoje conhecido como Sítio Histórico Urbano da Cidade. Esse fato, resultou, dentro do Direito em jurisprudência para casos semelhantes no país. Foram dez anos de disputa judicial, onde prevaleceu as orientações técnicas embasadas em normativas internacionais, das quais o Brasil é signatário, homologada pelo Superior Tribunal Federal.
No ano de 2001, a Casa de Gomes Jardim serviu de sede para a organização do evento oficial de Acendimento da Chama Crioula do Estado. Foi a primeira Chama Crioula acesa no novo século e no novo milênio. Do mês de agosto ao final de setembro, a casa abrigou o evento, sem custos ao município de Guaíba e ao Estado do Rio Grande do Sul. Este, em 2008, instalou seu Gabinete, na Casa Histórica, como forma simbólica de reconhecimento.
No ano de 2014, a Casa de Gomes Jardim foi transformada em Museu, tendo recebido, desde então, visitantes de todo o Brasil e de diversos lugares do mundo, contribuindo para o desenvolvimento econômico local, através de seu enorme potencial turístico, bem como ações que atendem a área da educação e da cultura guaibense, gaúcha e brasileira.
Ao longo do tempo Seu Gui tem recebido, juntamente com sua família, muitas homenagens pela luta em defesa da cultura local e Riograndense, o que muito lhes honra e o que reafirma que essa luta é digna e socialmente relevante. Mostra que a prudência deve ser critério indispensável no manejo dos bens culturais, onde o tempo presente deve reverência ao passado, assim como, respeito ao futuro.
No ano de 2021, realizou o sonho de lançar seu livro de poesias crioulas, intitulado: “Para Onde Foram Nossos Tropeiros”, no qual relata em versos campeiros, personagens que conheceu ao longo da vida, acontecimentos vividos e ouvidos, e as memórias gravadas na alma, desta cidade que tanto ama, sua querida e eterna Guaíba.
Seu Gui é uma figura ímpar, que deve ser lembrado por todo o sempre como um baluarte da cultura gaúcha e guaibense.
“Que o maior presente entre as pessoas, sejam a bondade e o amor fraterno!”
Mário Terres e Tainara Moraga
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