Planejamento, execução e avaliação, depois replanejamento. Este é o movimento, ao menos deveria ser, no cotidiano do trabalho em educação. Administrativo e pedagógico, param para analisar, refletir e agir sobre o que até então tem sido feito na escola, na sala de aula, na comunidade escolar em geral, reveem a prática para reorganizar o fazer escolar. E este é um momento extremamente precioso.
Educação é viva, é dinâmica, é humana, assim como seus pares. E exatamente por isso, imperfeita. Ajustar o que foi negativo, projetos, metas não atingidas... Reforçar o que deu certo, o que foi positivo, dar significado a avaliação, da aprendizagem, do fazer pedagógico, pois avaliar é isso, observar pontos fracos e corrigi-los, ligar pontos. Avaliar e autoavaliar-se em todos os aspectos.
Há uma filosofia popular que diz que não se alcança resultados diferentes com a mesma prática, e acredito que existe muita verdade em se tratando de educação, especialmente no período em que estamos vivendo, onde professores e educandos, gestores e famílias, enfim, toda a comunidade escolar está em constante encaixe com a nova realidade deste retorno pós pandemia. Sabíamos que seria um desafio enorme e ele se apresenta.
Estamos enfrentando, além das dificuldades e defasagens de aprendizagem, dificuldades de socialização, de emoções afloradas, desânimo, desinteresse, porém é preciso agir e interagir. Estimular, apoiar, avaliar e reavaliar a prática para atingir um ambiente saudável para todos os envolvidos neste contexto, promover a recuperação, ou parte dela ao menos, do envolvimento e da aprendizagem que não aconteceu nos dois últimos anos, sejam pelos motivos que forem como a falta de conectividade, ou mesmo de apoio na família.
A burocracia é outro ponto, é preciso avaliá-la, pois ela existe e tem por vezes sufocado o tempo que deveria ser para planejar novos meios, recursos, estudos que possibilitem a qualificação da interação com os alunos. Neste ponto, a tecnologia pode ser uma aliada importante. O trio planejamento, execução e avaliação demanda tempo, qualificação e bom uso dele, assegurar este direito e por que não dizer, dever do professor é fundamental. Tempo para compreensão das práticas, dos conteúdos, do que fez sentido e do que não fez, do que é essencial ou não.
Aproveitar o final do primeiro trimestre escolar, ou mesmo bimestre (em algumas redes, como a estadual aqui no Rio Grande do Sul), os Conselhos de Classe para refletir sobre estes pontos e daí partir para a ação, sempre estimulando os pontos fortes e reformulando práticas para os pontos fracos. Readequar a prática com um bom planejamento (sempre tendo em mente que todo e qualquer planejamento é mutável se necessário) é investimento na qualidade da educação.
Encerro com a frase do gigante Mário Sérgio Cortella: “Faça o teu melhor, na condição que você tem, enquanto você não tem condições melhores, para fazer melhor ainda”
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