Dom Barulho já nos ensinava, quando se faz algo que nos remete ao passado de nossa gente, e aprendemos a ter amor por aquilo que estamos fazendo, a tradição nos invade e somos o passado no presente levando tradição ao futuro.
Por isso trazemos aos leitores a mensagem de que “Dançar e muito mais que dançar” e podemos explicar para que não pareçamos óbvios.
Um dos legados maravilhosos deixados pelos nossos antepassados e recolhidos por Paixão Cortes, nos mais recônditos rincões do nosso estado, foram as Danças Tradicionais.
Há tanto em cada apresentação, que o público, tolhido de informações que deveriam serem repassadas nos bancos escolares, nem percebem o tanto exposto em cada grupo que adentra a sala, em cada par que baila num fandango, desde a música até as vestimentas.
Em cada dança executada, há um portal que se abre e nos remete ao passado de nossa gente, caímos dentro do baú da própria história, para junto com nossos irmãos de palco, revivermos nosso legado que nominamos Tradição.
Ao dançarmos as Queromanas, os Anús, as Valsas, a Marrequinha ou o Feliz Amor, representamos o Rio Grande antigo que usava os folguedos para agradecer, para celebrar, para descansar da lida bruta, afinal fomos um passado de muito trabalho para que nascesse um rincão farto de gente forte, fomos enxada, pá, arado, carneadeira e saladeiro, peões e prendas da lida, garbosos e faceiros nas danças.
Por isso não nos basta entrar na sala e somente dançar, precisamos compreender os aspectos da sociedade antiga que representamos, o recato das prendas, o respeito dos peões, a elegância dos passos cerimoniosos e a alegria dos sarandeios e sapateios alegres, sem exageros, nem invenções, mas com apreço, carinho e leveza.
Ao dançarmos as nossas danças tradicionais, carregamos o compromisso de reviver um passado e transmitir ao público que nos assiste, essa história que corre em nossas próprias veias, basta que deixemos fluir.
Todos os aspectos resgatados pelas pesquisas, sempre foram relacionadas aos homens e mulheres simples do nosso estado, aos rurais, rupestres ligados a lida de campo, sem exuberância no vestir, sem posses exacerbadas, simples mas de um trato cortes e respeitoso com a dama, que trabalha muito para o sustento da família e celebra as colheitas, os bons ventos, as chuvas e o sóis de cada ciclo com dança, comida e bebida, boa música tocada pela viola e a rabeca, acompanhando o cantador que expressa em cada levante de preparação da dança o que ela representa.
Os aspectos se entrelaçam pela riqueza de detalhes recolhidos pelos pesquisadores, as letras das cantigas simples e bem descritas, os acordes e entonação de voz que se põe ao executar a cantiga, os passos ora comedidos ora alegres, trazendo os ciclos de cada dança, enfim uma riqueza infinda de detalhes que retratam exatamente os nossos antepassados e que devemos lembrar desses pormenores ao executarmos essas danças.
Somos o antes no agora, somos herdeiros de uma tradição que não deve morrer, que não deve estancar, que nos revela o quanto não sabemos de tanto, pois nosso amigo e entusiasta das danças Moacir Gomes junto ao Rodrigo Gil seguem descobrindo danças que Paixão e Barbosa não haviam descoberto.
Somo um baú de riqueza que não pode ser fechado, mas deixado aberto para que todas as gerações se deleitem com esse tesouro.
Aqui em Guaíba temos no CTG Gomes Jardim esse baú sempre aberto, sempre disposto a entregar o melhor desse tesouro para quem estiver a procura, com acolhimento fraterno, trabalho voluntario dos instrutores e diretores dos departamentos, para que as coisas antigas do nosso estado se perpetuem em seu conjunto de costumes chamados Tradição.
Para valorizar ainda mais esse trabalho, o grupo de danças Veterano do CTG Gomes Jardim participa ativamente dos festivais de danças tradicionais e nesse último final de semana conquistou o segundo lugar no FEGASERRA em Caxias do Sul, ficando com a terceira colocação geral do festival, levando o nome do CTG Gomes Jardim e de Guaíba aos lugares que merecem, por sua história, sua trajetória e seu trabalho.
A frente desse grupo estão dois peleadores que nunca se abatem, Elena e Mateus, incansáveis na arte de ensinar danças e tudo o que elas carregam.
Por isso que fica sempre a mensagem: “Dançar é sempre muito mais que dançar!”
“Que o maior presente entre as pessoas, sejam a bondade e o amor fraterno!”
Mário Terres e Tainara Moraga
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