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Domingo, 30 de Agosto de 2026

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O aniversário da cidade

Aqui já viveram os primitivos guaranis, portugueses, espanhóis, pelearam imperialistas e republicanos, maragatos e chimangos

O aniversário da cidade
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Moramos numa cidade abençoada, com uma geografia diversificada, banhada pelo estuário Guaíba, caudaloso, abundante, que recebe as águas de outras regiões e entrega com carinho e cuidado à Lagoa dos Patos.

Estudos revelam que tivemos primitivos habitantes em terras onde em 1793 foi concedida oficialmente a sesmaria ao senhor Antônio Ferreira Leitão, tinha três léguas de comprimento e uma légua de largura.

Segundo o IBGE, “A distribuição das sesmarias foi um sistema utilizado pela coroa portuguesa durante o Brasil Colônia, para que terras devolutas, no sul do Brasil, fossem ocupadas. O sesmeiro, de origem portuguesa ou açoriana, deveria ocupar as terras com a criação do gado vacum, cavalar e muar, erguer a sede da sesmaria e benfeitorias como olaria, charqueadas, galpões, senzalas, capela, cemitério e arvoredos, além de organizar economicamente suas terras, deveria também defendê-las militarmente a favor de Portugal a fim de evitar a ocupação espanhola e guarani.”

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O povoado das Pedras Brancas surgiu na metade do século XIX, onde tornara-se parada obrigatória para os tropeiros que faziam o transporte de gado, levando para as charqueadas, em troca do sustento.

A denominação Pedras Brancas está vinculada à formação rochosa existente na região, com aproximadamente 600 milhões de anos, e que apresenta as rochas mais antigas do planeta, entre elas granito em forma de monólitos ou matacões. Este tipo de rocha é característico do Escudo Riograndense.

A antiga sesmaria de Antônio Ferreira Leitão passou, por herança, para sua filha Dona Isabel Leonor, casada com José Gomes de Vasconcelos Jardim. Esta fazenda foi escolhida pelos líderes farroupilhas como ponto de encontro para as últimas tratativas referentes à tomada de Porto Alegre, por ser um local estratégico militar. Na casa de Gomes Jardim (mais tarde vice-presidente da República Riograndense) e sob a sombra do Cipreste Histórico, foram acertados os planos para a invasão da capital da província o que ocorreu às 23 horas da noite do dia 19 para 20 de setembro de 1835. Gomes Jardim, liderando 60 homens, partiu da conhecida Praia da Alegria para atravessar o Guaíba e unir-se às forças de Onofre Pires que já esperavam na margem esquerda.

O município, criado em 14 de outubro de 1926, foi batizado de Guaíba em homenagem ao Lago Guaíba. Esta denominação aparecia em antigos textos e mapas do século XIX.

São noventa e sete anos de vida como Guaíba, mas já se vão duzentos e trinta anos como uma sesmaria, ponto inicial de tudo o que conhecemos. Aqui já viveram os primitivos guaranis, portugueses, espanhóis, pelearam imperialistas e republicanos, maragatos e chimangos, produziram-se comunidades, agrandaram a cidade as famílias, engordaram as famílias o charque, a carne, o arroz, a mandioca, ponto de passagem para a capital gaúcha para quem vem da zona sul, nascedouro do ideal revolucionário farroupilha, Guaíba é terra matre de heróis, de escritores, de escultores, de pintores, de agricultores, de semeadores da terra fértil, de construtores, enfim uma prole prodigiosa, que traz a pujança e a fibra de pelear pelos ideais libertários e fraternos.

O cipreste sombreia a praça e guarda a casa onde nosso herói viveu e morreu, a igreja reza e vela pela cidade pelo nascente e poente, mas quem colore e dá vida realmente ao município são seus habitantes, os seus filhos que desfilam entre idas e vindas pelas suas artérias nesse enlace vivo de amor e carinho.

Salve Guaíba querida, teu passado, presente e futuro é feito de glória, salve cidade da beira, do São Geraldo, do morro da Igreja, da Casa de Gomes Jardim.

Que tenhamos a graça e o privilégio de comemorar todos os teus aniversários, não esses que te escrevem, mas aqueles que nascem e se aquerenciam em teu seio denso e receptivo.

Feliz aniversário Guaíba terra de gente valorosa e fiel!

                                     “que o maior presente entre as pessoas,                                                                                                                                               sejam a bondade e o amor fraterno!”

                                                    Mário Terres e Tainara Moraga

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