As pessoas idosas, pessoas acima de 60 anos, necessitam de afeto, carinho, companhia, interação social, fazer exercícios, ter boa alimentação, segurança e tranquilidade para viver esta fase saudavelmente.
Sabemos que a realidade das pessoas idosas no Brasil não é muito fácil, embora a projeção do Brasil pela ONU seja que tenhamos 30% da população nesta fase para 2050.
É preciso que ocorra uma reflexão responsável da nossa sociedade para que essas preparações e mudanças em relação aos cuidados das pessoas idosas sejam iniciados imediatamente.
Hoje sabemos que quando os pais envelhecem, as famílias não estão em geral preparadas para este momento. Existe a questão psicológica e financeira que envolve os familiares. Assim, este é um assunto deixado meio de lado para que “quando acontecer” sejam tomadas as medidas necessárias.
Desta forma, uma triste realidade às pessoas idosas é imposta: o abandono. O abandono muitas vezes dos próprios filhos e mesmo o abandono quando deixados em casas de repouso porque ninguém quer assumir a responsabilidade e sequer fazer alterações em suas vidas.
Muitos idosos quando se deparam com estas mudanças drásticas entram em depressão...
Afinal, mudanças forçadas não são bem-vindas, ainda mais quando estamos ficando mais vulneráveis e dependentes da ajuda de terceiros, não é mesmo?
E por qual motivo vamos falar dos pets neste contexto triste?
Bom, as pesquisas apontam que os pets, fofos e peludinhos, conseguem realizar este papel de companhia e segurança, fundamental na vida dos idosos, de forma prazerosa, estimulante e com responsabilidade, na dose exata, principalmente para aqueles que possuem doenças como o Alzheimer e outras doenças cardiovasculares.
Os idosos precisam de segurança, afeto e contato sensorial, o que pode ser perfeitamente atendido quando se acaricia ou se alimenta um animal de estimação.
Pesquisas apontam que a média de vida do idoso aumenta consideravelmente quando convive com pets, bem como o convívio de pacientes com Alzheimer melhora sua interação com as demais pessoas.
O convívio com os animais motiva a comunicação dos idosos, pois estes terão mais histórias para dividir com os demais, diminuindo assim o estresse e a depressão nas clínicas e ou ambientes familiares.
A idéia de a pessoa idosa ter a responsabilidade de alimentar um animalzinho e cuidar da saúde dele também faz bem ao idoso, pois este sente-se útil.
Quando a clínica de repouso permite a permanência do animal, diminui bastante o sofrimento de separação deles com a família, com a casa e seus pertences.
Um estudo recente, divulgado na revista científica Nature concluiu que “ter um cão pode reduzir o risco principalmente de doenças cardiovasculares, mas também outros problemas de saúde. Isso porque eles dão apoio e motivação para a prática de exercícios físicos, explica o estudo. Portanto, não é surpresa que as raças consideradas de caça foram as que mais reduziram o risco de doenças do coração para os donos.”
Eu cuido do meu pai que tem Mal de Alzheimer desde 2014, antes cuidei da minha mãe também. Sempre tivemos animais de estimação e posso garantir que por longos anos os gatos e os cães promoveram sorrisos espontâneos neles. Meu pai tinha a responsabilidade de cuidar da comida dos cães e dos gatos e tinha adoração por todos, mas hoje ele está acamado. Neste novo cenário, os animais nos surpreendem, pois percebem as limitações do idoso e vão se adaptando. Todos os dias quando ficava assistindo TV, a nossa gatinha branca, a Miu Miu, espontaneamente dormia no colo do meu pai. À noite, antes de dormir, nosso gato frajola, Max, tinha o ritual de despedida dele, dando lambidas e afagos. O gato Bello, que foi adotado por último por meu pai, era o seu melhor amigo, dizia ele. Hoje, todos estão indo visitar ele no quarto.
O importante é isso, que os familiares e cuidadores tenham o bom senso de ajudar nas atividades que os idosos já não conseguem realizar, mas sem cortar este vínculo de amor e amizade ‘que é tão importante para eles neste momento em que geralmente as pessoas deixam de visitá-los, por diversos motivos, por falta de amor ou mesmo por não entenderem a necessidade de um idoso, porque embora eles não estejam com a memória plena, eles não deixam de ser quem foram um dia. Cabe a nós o dever de entender o momento e zelar pelo conforto deles e jamais sermos cruéis, pensando em nós e no nosso dia a dia.
Outrossim, existe o Estatuto da Pessoa Idosa, Lei nº 14.423/22, bem como existe também leis que protegem os animais como a Lei nº 9.605/98 e a Lei Sansão. Desta forma, vale ressaltar que os familiares tenham consciência que com a partida de um idoso existe a responsabilidade com aquele animalzinho que além de sofrer com a despedida, luto pelo dono, necessita de cuidados ou mesmo de um novo lar.
É comum vermos constantemente nas redes familiares tentando literalmente “se livrar” ou abandonar os animais deixados por seus idosos, sem remorso ou qualquer consciência sobre o amor que existia naquela relação do pet com o idoso.
Algumas clínicas de repouso aceitam os pets para morar junto e isso é maravilhoso.
Outras fazem esta integração e trazem a alegria de ter pets no mesmo ambiente dos moradores.
Agora, vou dar uma ideia que poderia ser praticada aqui mesmo, na nossa cidade, que seria a possibilidade de levar cães que estejam disponíveis para adoção, que são da mesma forma tão carentes de carinho e atenção, para um dia gostoso e proveitoso com as pessoas idosas que moram em asilos e casas de repouso.
Eu acredito que seria muito bom para a saúde de todos! Pensem nisso?!
Não compre animais! Adote!
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