Já contamos e cantamos os Ternos de Reis, falamos dos festejos natalinos no sul do Brasil e tivemos no último dia 06 de Janeiro o dia dos Santos Reis. Comemoração que os povos Açorianos e Açoritas trouxeram ao Rio Grande do Sul.
O dia 06 de Janeiro representa a Festa da Epifania, ou seja, a visita dos Reis Magos ao menino Jesus, momento em que lhe trouxeram presentes. É o simbolismo da manifestação de Cristo a todas as nações da terra.
A origem da Epifania é milenar e acredita-se que surgiu como representação da alegria pelo nascimento do Rei dos Judeus. Os Magos eram particularmente versados sobre astrologia; daí o símbolo da estrela. Eram reis, ideia pela primeira vez sugerida pelo filósofo cristão Tertuliano, no século II.
Na verdade, os Reis Magos seriam três sábios, e não propriamente reis como se imagina, pois naquela época a designação de “Mago” era dada entre os Orientais à classe dos sábios, filósofos e eruditos. A história descreve-os da seguinte forma:
- Melchior (Rei da plena luz) – seria Rei da Núbia e da Arábia. Era um homem de sessenta anos, de longas barbas. Asiático, sua oferenda foi em ouro, simbolizando o “Cristo-Rei”.
- Baltazar (Rei da aurora) – era da Etiópia e representado como um negro, também barbudo, mas de quarenta anos. Este ofertou incenso, resina fragrante, simbolizando o Cristo-Deus.
-Gaspar (Rei do diadema) – era Rei de Tarso, jovem alto e imberbe de vinte anos. Caucasiano, sua oferta foi mirra, outra resina aromática, que profetizava a morte de Cristo na Cruz.
No livro “Natal Gaúcho e os Santos Reses”, de J. C. Paixão Côrtes, temos um compilado de incursões do autor ao interior do nosso estado, buscando estudar e entregar ao público leitor um resgate dos festejos de nossa gente rural, em relação ao nascimento do menino Jesus, ou seja, o Natal Cristão.
A coroação da festa de Reis se dá na peregrinação natalina, com os ternos anunciando Jesus nas casas e sociedades interioranas, os grupos itinerantes de simples cantadores das cantigas de saudação e boas-vindas do menino salvador, trazem na fé e na música a cultura de seus antepassados, rejuvenescida em cada nova geração que assume um posto no terno de reis.
O costume de “cantar os reis” é um traço muito forte, e não só de apelo popular, mas também da corte. Porém, há diferenças entre os cantos populares e os autos como os de Gil Vicente. Na Espanha, em especial na região fronteiriça de Portugal, a Galícia, era costume cantar uma espécie de música chamada Villancico. De acordo com o Catálogo de Villancicos de La Biblioteca Nacional, na Espanha, é possível definir três tipos de Villancicos: “Barroco, Popular Navideño e Profano: o Barroco, cultivado nos séculos XV e XVI, era uma forma poética de lírica popular, herdeiro do Zejel, de origem árabe, e o popular Natalino, típico das festas de Natal” (apud SILVA, 2006, p. 38-39).
Segundo esse mesmo Catálogo, houve uma “crença geral que fez do Villancico uma canção natalina popular, alimentada por essências folclóricas, transmitida de geração em geração, transplantada de povoado em povoado”.
Em Portugal é comum a visita dos ranchos de cantores a presépios ou lapinhas, seja dentro das casas de vizinhos e amigos, seja nas praças dos povoados. Segundo costume da Ilha da Madeira, quando em dia de Reis, a lapinha do vilão é visitada por algum fidalgo ou fidalga, por muito honrado se tem o dono em o senhor ou senhora tire da lapinha um ou outro fruto, o que em geral lhe é pago bizarramente com uma boa oferta de fidalgos.
Com este resgate histórico sobre os ternos de reis, fica o convite para resgatarmos mais esta parte do nosso folclore e seguirmos cultuando um legado tão especial.
Este período do ano, ainda estamos elaborando nossas metas e objetivos que nos conduzirão e quem sabe também possa ser uma oportunidade de ação cultural aí na tua entidade tradicionalista, comunidade escolar, etc.
Dom Barulho saía cedo nos dias de Reis, sabia que a noite seria longa, encilhava a gateada pelo de sol, rebuscava os parceiros na vizinhança e as oito horas da noite estavam todos no porteirão do rancho, com seus instrumentos afinados, a garganta ecoando e prontos para saludar os reis magos de janela em janela, relembrando as canções deixadas por seus avós.
São as tradições antigas, ganhando a sociedade, folcloreando no tempo e sendo passadas de geração a geração, adaptando, sobrevivendo e festejando.
“Que o maior presente entre as pessoas, sejam a bondade e o amor fraterno!”
Mário Terres e Tainara Moraga
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