Eles foram oito. Oito jovens que se agigantaram e mostraram a fibra e a raça dos seus antepassados, invadindo novamente Porto Alegre, porém sem armas, mas com um ideal: valorizar tudo aquilo que alicerça uma estirpe, valorizar a história e um legado trazendo a tona a tradição de um povo.
Eles rebuscaram o passado, foi em 1847 oito jovens adentrando em plena capital à cavalo, pilchados, até os dentes. Em 7 de setembro de 1947 antes da extinção da Pira da Pátria os oito jovens colheram uma centelha para acenderem a “Chama Crioula”.
Paixão Cortes explicara esse ato com suas palavras magistrais:
"Era o auge do pan-americanismo. Para se ter uma ideia, se um camponês saísse de casa em direção à cidade, carregava uma muda de roupas para substituir as bombachas quando fosse chegar. Se não fizesse isso era visto com maus olhos. Era considerado um cidadão de segunda classe. O próprio chimarrão, na cidade, era consumido apenas dentro da residência e longe das janelas. Enquanto o modernismo estava na ordem do dia, um grupo de jovens secundaristas saía na busca de suas raízes".
E nós da geração atual que devemos lutar por essa preservação, o que estamos fazendo?
Não somos tomados, como Paixão e seus amigos na época desse levante, por estrangeirismos exacerbados em nosso dia a dia?
Precisamos ter maior senso de propriedade, nosso sentimento de gauchismo e apego ao pago deve se exaltar dentro do coração e valorizar mais o que é daqui pra gente daqui.
Não temam, nem me excluam de suas leituras, não sou separatista, nem bairrista, tampouco reacionário. Quero apenas chamar a atenção de que precisamos cultivar nossas tradições, devemos dar água boa pras nossas raízes, buscar na vertente dos livros, temos tantos que retratam nossa história, trazem a cultura do passado para sorvermos no presente, como os grandes Simões Lopes Neto, Augusto Meyer, Aureliano de Figueiredo, Saint-Hilaire, Paixão Cortes, Barbosa Lessa, entre tantos que acabo deixando de trazer para a lista.
Temos subsídio de sobra, mas estamos dedicando tempo para empreender no tradicionalismo? Não precisa ser de CTG, nem filiado ao MTG. Basta querer, entregar o chimarrão pro teu filho, teu neto, sobrinho, amiguinho e ensinar a origem do mate, a lenda do mate, porque sorvemos com tanto gosto um costume tão antigo de tomar mate entre amigos...
A tradição pode morrer sim, mas depende de nós não a deixar abandonada, secando à míngua sofrendo de inanição cultural.
Conte as lendas do “Negrinho do Pastoreio”, da ”Teinaguá”, do “Boi das Aspas de Ouro” pra seus entes mais queridos.
Lembre-os que esse estado foi construído a pata de cavalo, força de bois e determinação de homens e mulheres que queriam fazer do nosso torrão um lugar bom e saudável de se viver.
A gente tem compromisso com a memória, com a história e tudo que nos entregaram os avós de nossos avós.
Sejamos mais ligados a terra de intelecto do que de falácia, precisamos semear no coração das nossas crianças as coisas autênticas que a tradição nos trazem, daí eles por consequência acabarão gostando das músicas, das poesias, das danças, dos cavalos, de tudo o que circunda o ambiente do tradicionalismo.
Ainda dá tempo de exaltar as origens. Não baniremos os estrangeirismos, nem precisa, basta apenas conectar os corações das crianças nas suas almas primitivas e deixar que floresça o campo e as culturas campechanas em seus corações, aí o Rio Grande estará em boas mãos no futuro.
Não, eu não sou contra a cultura que vem de fora, jamais. Desde que a cultura tradicional, que nos liga a essência de tudo o que somos, esteja arraigada em cada coração gaúcho.
E tenho dito...
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