Os palcos retomam o acolhimento aos artistas, as salas de cinema ligam os projetores, os CTGs (Centro de Tradições Gaúchas) acendem os candeeiros com a chama fraternal para receber os tradicionalistas, o teatro abre as cortinas e o circo chama o tão necessário “respeitável público”. Mas por onde anda esse tão “respeitável público”?
A cultura no mundo perece diuturnamente com a necessidade de renovar, inovar, também com um pouco de falta de cuidado, de atenção e carinho. A cultura local, mais ainda, pois a cada manifestação, o público parece diminuir. Apesar de que em nossa região carece de espaço para receber os dois personagens dessa coluna – a cultura e o respeitável público. Não temos teatro municipal, nem sala de cinema e o tão harmonioso e aconchegante Museu Carlos Nobre, não anda muito atuante.
Os artistas remanescentes e sobreviventes da pandemia buscam esse espaço e a esfera da administração pública busca impulsionar esse retorno, mas e o público? Onde foram para todos?
Será que estamos desestimulados a prestigiar a cultura local? Ou nem fomos induzidos ou ensinados a esse prazeroso acompanhamento das manifestações locais? A pandemia de fato nos deixa rastros, fomos nos acostumando a distância, mesmo que ainda estivemos nos perguntando quando teríamos a chance de retornar ao convívio social, aquele baile, show e por aí vai. Será que estamos preferindo as séries de tevê, os filmes de streeming aos teatros ou espetáculos?
Nós não podemos responder, mas precisamos perguntar. Precisamos fomentar a cultura local, a leitura, o desenvolvimento da poesia, da música, da dança, enfim de todas as manifestações que enalteçam o movimento que as pessoas de nossa comunidade fazem para manterem a cultura de pé.
Aos poucos a vida vai retomando de forma mais segura e dentro do que tínhamos antes e com esta nova oportunidade que estamos tendo de seguirmos a viver, porque não aproveitarmos mais, também, as nossas atrações locais?
Pensando na hipótese de que estávamos sedentos por uma chance de voltarmos a sair, fica aqui nosso convite. Manifestações culturais carregam a mescla de tudo o que somos, um pouco do folclore popular, do conhecimento social, do ensino formal, das habilidades individuais, enfim das essências que compõe o todo do ser.
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