A história aqui é potro alçado, os personagens, os costumes, o vestuário, hábitos e tudo mais formam uma potrada viçosa e bem tratada.
Abram cancha, porque a nossa potrada se vieram em disparada, a poeirama levanta, upa pá páe já se vieram... Ibibi uhuhu!
Preparem-se todos, corram as varas da mangueira do peito, abram a cancela da mente, soltem as tramelas da memória e deixa o enriquecimento cultural abundar plenamente pela várzea das palavras.
Constam nos alfarrábios que eram nos potreiros onde se guardavam os animais em adestramento, os de trabalho, animais do trato e os animais que necessitavam cuidados.
Era chamado Potreiro também o negociante de cavalos e gado para a cavalaria e artilharia do exército.
Buenas, trazendo aí as definições literais de “Potreiro”, retirada dos dicionários usuais (Aurélio e Michaelis) e descrevemos que aqui, subjetivamente,montamos nosso Potreiro Grande onde, ao invés de animais, trazemos a cultura, a história e a tradição. ÉGrande porque não vamos limitar a abrangência, afinal sempre nos autodenominamos portugueses, mas esquecemos que fomos aborígenes (indígenas), espanhóis, negros, ingleses, enfim fomos tantos quantos trouxeram aporte cultural à essa terra e nem sempre se traçou o paralelo da história dessa terra, desse chão sulino, que empurrou as divisas e sofrenou os cavalos por várias vezes depois da imensidão do Rio da Prata, pra lá das cordilheiras e construiu a Colônia de Sacramento. E o caminho das mulas?
O Rio Grande teve sua geografia alterada por diversas vezes e em circunstâncias de diversas ocasiões, mas sempre foi o postal do sul do Brasil.
Aqui nos encontraremos para falar do que nos relegaram nossos antepassados, afinal deixaram registradas suas façanhas, o nascimento e desenvolvimento de um estado em que hoje, próspero e gigante todos temos orgulho e alegria de chamar “Querência”.
Importante pactuarmos que, os leitores, alvo principal dessa, podem (e devem) sugerir os rumos que devemos seguir. Afinal compartilhando atingimos o topo da disseminação e não nos prostraremos amiúde, resignados a falar mais do mesmo, de maneira alguma. É como ouvi outro dia uma excelente historiadora, Edineia Pereira, que pesquisa arduamente as questões do vestir dos gaúchos, nos faz atentar para coisas que se a mente é bloqueada, se nos agarramos a convicções, jamais nos daríamos conta. Em certo momento de uma discussão dizia ela: “Não entrarei em detalhes, pois não é o foco nesse momento, mas meus estudos me levam a crer que Debret nem pisou no que hoje institui-se geograficamente como o Estado do Rio Grande do Sul”.
Me voou os butiá do bolso, mas fui buscar os fatos e ela pode ter razão, associado a todos os seus argumentos e fatos literários.
Nossa tradição, nossa história, apesar de jovens (são 520 anos apenas) comparados ao velho continente, possui uma carga de propriedades e fundamentação, que faz brilhar o olho a cada descoberta.
É como descobrir que o termo chimarrão é erroneamente usado até hoje por uma cagada feita pelos portugueses, acabamos destituindo o mate, termo original da infusão indígena feita com as folhas da erva mate (erva que nomeia a infusão) e nos apegamos ao ouvido mal adestrado que associou o termo “cimarrón” utilizado em algum momento ao nome da bebida.
Assim como o termo “índio” foi indevidamente associado aos aborígenes, os primitivos e selvagens moradores da terra invadida, opa quer dizer, descoberta, assim fica mais bonito, pois os “descobridores” em suas excursões marítimas achavam que estavam chagando as Índias.
Há um campo vasto para laborarmos e nos mantermos em constante conexão pela coluna “Potreiro Grande”. Afinal falar da história, do pago, do sul, das três pátrias sulinas e da América Latina, que são entrelaçadas como as fibras dos chapéus de palhas dos antigos tropeiros birivas, se entrelaçavam protegendo aqueles que carregavam as riquezas de um lado para outro.
Convido-lhes a adentrarem o Potreiro Grande e conjuntamente "potreirarmos" em comunhão, depois quem sabe, o Patrão Celestial, Grande Arquiteto do Universo, nos permita unirmos na fraternidade e ao pé do fogo grande, matearmos calmamente como irmãos que somos.
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