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Sabado, 23 de Maio de 2026

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Povo que não tem virtude...

Apenas a cor negra é sinônimo de escravidão?

Povo que não tem virtude...
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“O negro é meu irmão, assim como o branco, o índio, o amarelo e qualquer cor que tenha na pele, na mente ou no peito. Escrevo poemas e crônicas falando que na guerra farrapa, os negros de tanto valor, lutaram de forma corajosa e visceral, mas ao final foram covardemente entregues ao massacre.”

Esse parágrafo está entre aspas, porque em 24 de setembro de 2020 publiquei coluna falando cobre os protestos de um formando da UFRGS referente ao nosso hino, escrito por Francisco Pinto da Fontoura e composição de Joaquim José Medanha o nosso hino Rio-Grandense.

Já declarei várias vezes que para mim raça só tem uma: a raça HUMANA. E como alguém que respeita as opiniões e manifestações não me posiciono, nem trago a petulância de julgar as atitudes. Porém gostaria de expor a minha opinião sobre o tema, pois o hino dessa terra me traz valores que acabam perdendo-se com o uso indevido do mesmo.

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Esses atos, para mim, são tão obscuros quanto procurar a origem etimológica da palavra “raça”, haverá divergentes informações, como diversas interpretações.

Sempre penso que devemos analisar os contextos concretos e abstratos dos temas. Primeiro creio que as pessoas devem esclarecer o conceito de “escravo”. Onde está escrito que somente e apenas o indivíduo de cor negra é sinônimo de escravo? Não cometam essa gafe, as pirâmides foram construídas com o uso de escravos, de todas as cores.

A muralha da China foi erguida com a força humana de escravos e chineses, os romanos escravizavam os capturados nas batalhas, independente de cor. Os godos e visigodos capturavam romanos e os tornavam escravos. Homens do século passado (até hoje ainda sabemos de relatos) escravizavam suas mulheres, tornando-as serviçais de seu prazer.

Voltemos ao hino. O hino foi escrito em uma condição onde a cultura local copiava a cultura europeia (nossa colonizadora) e o trabalho escravo era utilizado de forma comum. O negro era vendido como objeto, mas no Brasil não era o único ser escravizado, o aborígene (índio) também era escravizado ou morto. A escravatura era uma questão cultural, por vezes o elemento humano era objeto de aquisição do senhor para os fins que ele desejasse.

Uma questão de submissão, entendem, de baixar a cabeça e obedecer sem a possibilidade de questionar ou opinar, sob pena de sofrer sanções de quaisquer tipos.

Hitler não impôs isso aos que não eram da raça ariana? Um ditador escravizando e matando pessoas que não tinham sua procedência.

Bom, enfatizei a escravidão ou escravização por ter como trazer à tona que, apesar dos séculos XV à XVIII serem marcados pelo uso da mão de obra escrava negra, negro não pode ser sinônimo de escravidão, são descabidas as ações perante o hino, por esses e tantos outros motivos.

Respeito a manifestação de cada um, assim como espero respeito a minha opinião. No hino há uma conotação de que, se o povo gaúcho não se tomasse de coragem e desafiasse o governo imperial, buscando demonstrar repúdio as práticas sócio políticas da época, seria um povo serviçal e escravo do rei, trabalhando para cobrir os custos da corte com o pagamento abusivo de impostos, com a vida sempre em risco na defesa das fronteiras, pois o governo mantinha o sul por conta dos fazendeiros e alguns poucos destacamentos que a defendiam.

Não se trata de dizer que povo que não tem virtude acaba se tornando negro, até porque, apesar de tudo o que aconteceu, os negros foram fundamentais na guerra sulina. Os negros já haviam sido importantes antes com os Dragões do Rio Grande, força que continha valorosos negros sob o comando de Silva Paes. Há que se examinar fatos e não conjecturas. Os negros deveriam ter sua liberdade decretada, não fosse as entrelinhas de um acordo de paz, coisas que ocorrem até hoje nas entrelinhas da política social.

O hino deve ser entoado orgulhosamente por todos, para que lembremos os dias em que éramos unidos, valorosos e destemidos, enfrentando as políticas cruéis que voltam sempre a nos exaurir. E “sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra”.

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Mário e Tainara

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Mário e Tainara

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