Dom Barulho diria que é impossível, que não tem como fazer rodeio com distanciamento social. Mas ele esquece que no CTG que ele frequentava haviam pessoas arrojadas, com vontade de levar a tradição adiante, mesmo em tempos pandêmicos e difíceis.
Sim, isso mesmo que leram todos: mesmo com tempos pandêmicos haverá um rodeio para que se valorize o legado tão lindo que os avós de nossos avós nos deixaram. Vai ter dança tradicional de par, declamação, interprete solista vocal e também chula meu galo!
A gente que trabalha com o povo da dança, permeia todas as outras atividades e vê no rosto, na forma de interagir, nas publicações, que o pessoal está triste por não poder se unir com os seus amigos e desenvolver as atividades artísticas e culturais que tanto gostam, mas entendem a necessidade do afastamento, por conta de preservarem sua saúde.
A ideia surgiu quando um grupo de pessoas, que trabalham de forma voluntária no CTG Gomes Jardim (aliás, todos lá são voluntários da cultura e da tradição), assistiu uma live de um Baile À Moda Antiga, rememorou o seu baile e saudosamente cogitaram do porque não fazer um Rodeio Virtual.

Pronto, era só o que faltava para agitar essa gente, que é apaixonada pela tradição e tudo o que envolve esse movimento mágico, que une os povos em prol do mesmo ideal e da mesma harmonia.
A mobilização foi tamanha, mas confesso não sabiam do enorme esforço que seria necessário para fazer com que todo aconteça.
Passaram a buscar informação de como poderiam fazer, como mobilizar as pessoas cumprindo as regras de distanciamento, quais as plataformas, o que é necessário, quem vai fazer o que???
Nossa, foram tantos questionamentos, tantas dúvidas e diferente direções a buscar que deveriam acontecer reuniões estratégicas para o desenrolar desse evento. Havia ainda o questionamento da possibilidade de dar certo, do povo que gosta da arte, comprar a ideia e apoiar.
Bom a tecnologia nos ajudou de forma significativa, as plataformas de reuniões digitais foram de suma importância, planos, sonhos, trabalho.
Haviam várias premissas e uma delas foi relembrar que o CTG Gomes Jardim tem o compromisso de levar o nome da cidade de Guaíba aos patamares mais altos, afinal somos o Berço da Revolução Farroupilha, daí o nome do rodeio, valorizando a nossa identidade.
Essa turma não se micha por qualquer coisa, arregaçou as mangas e foram aprender a usar programas de edição de vídeo, saber como por uma live no ar e qual os segredos por trás das câmeras em uma apresentação via internet. Estão preparados para sábado e domingo próximos, 5 e 6 de setembro, fazerem acontecer o Rodeio Virtual Farroupilha, que já conta com mais de 300 inscritos. CTGs de todos os lugares do país e pessoas dedicando seu tempo para lembra-nos que a tradição jamais será esquecida, nem com uma pandemia.
Há que se valorizar também a forma voluntária que trabalham todos os envolvidos e essa é uma marca registrada do CTG Gomes Jardim, nessa entidade nenhum trabalhador da área artística, cultural ou campeira tem remuneração para desempenhar seu papel, tudo é puro voluntariado. Há que agradecer e reverenciar todo os envolvidos, cada par da dança, cada declamador com seu amadrinhador, cada chuleador, gaiteiro, violeiro, cada interprete solista, afinal a arte nasce e renasce em vocês.
Aos jurados que também doam seu tempo voluntariamente para cumprir com as avaliações dessa turma maravilhosa. Para o CTG Gomes Jardim todos merecem troféus. Nosso muito obrigado a Vinicius Coelho, Gabriel Maciel, João Linn, meu mano Fábio Malcorra, Valdemar Camargo, Romeu Weber, Idiane Burtett, grande amigo Mauro Moura, Rodrigo Gil, meu irmão Dênis Magalhães, Guilerme Rovieira, Bernardo Dahmer, nenhuma palavra que escrevamos traduzirá nossa profunda e eterna gratidão.
Também àqueles que de forma calorosa, com todo o amor no coração se atiraram, sem medir esforços para que tudo aconteça, vocês são a cara da tradição, são o resumo da tese do Barbosa Lessa e os fios do bigode do Paixão Cortes, sempre pronto a entregar tudo pela tradição gaúcha.
A pandemia nos distancia, mas a tradição sempre nos unirá, não importa a forma. Afinal gaúcho é um estado de espírito, nesse estado e nesse espírito é que virtualmente damos as mãos e carregamos a centelha da chama crioula pelas léguas de cabos de internet, onde a tecnologia alcançar.
Enfim, Guaíba deve se orgulhar dos filhos que tem!
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