A coluna de hoje é dedicada a uma super dica de estreia.
Não é qualquer estreia!
É a estreia da primeira série nacional bilíngue na Netflix!
Bilíngue?
Sim, bilíngue!
Crisálida é a primeira série brasileira, de ficção, falada tanto em português quanto em Libras, a Língua Brasileira de Sinais.
Você está muito enganado se acha que é uma série produzida tendo como alvo unicamente o público com deficiência auditiva. Se fosse “apenas” isso já seria bacana, porém, muito antes de ser uma obra acessível aos surdos, é uma obra que nos convida a conhecer o espaço dessas pessoas na sociedade. É uma série sobre surdos, produzida também para ouvintes e que nos apresenta, através de uma trama gostosa de acompanhar, situações familiares, sociais e psicológicas vividas por seus personagens.
Os personagens vivem, tal qual indica a sinopse, em um universo onde o som não existe e jovens surdos enfrentam os desafios de uma sociedade pensada quase que exclusivamente para ouvintes.

A primeira temporada é composta por quatro episódios de 30 minutos e apresenta, em cada um dos capítulos, histórias independentes, porém entrelaçadas. Um personagem intérprete de Libras é responsável por fazer essa conexão entre os episódios. Percebe-se nitidamente que, através das relações familiares, cotidianas e amorosas, o contato com a língua de sinais acaba sendo de fato transformador tanto para surdos como para ouvintes. Uma espécie de libertação para a existência das relações interpessoais de forma concreta.
A série, produzida em solo catarinense, vem com um enorme potencial para modificar a percepção sobre a condição e rotina de vida dos surdos. Segundo dados do IBGE (2010), há no Brasil algo em torno de 9,7 milhões de pessoas que convivem com essa deficiência em suas mais variadas graduações. Produtos culturais, como essa série, humanizam esses números e conversam diretamente conosco, ouvintes impregnados de preconceitos, equívocos e receios.
Mais que uma série, Crisálida é um convite para estabelecermos comunicação e, juntos, rompermos barreiras.
O Projeto, contemplado pelo Prêmio Catarinense de Cinema de 2016, foi criado em 2014 pela estudante Alessandra da Rosa Pinho, então aluna do curso de Letras Libras na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), e produzido em conjunto pelas produtoras Arapy Produções, Raça Livre Produções e TVi Televisão e Cinema, com a assinatura de Serginho Melo na direção e um elenco recheado de talentos.
A primeira temporada já havia sido licenciada para a TV Cultura, e teve uma excelente repercussão junto ao público e à imprensa após sua estreia em setembro de 2019. Já a segunda temporada, também contemplada pelo Prêmio Catarinense de Cinema de 2019, estava com o período de produção previsto para meados de 2020, porém possivelmente deve sofrer alterações em seu cronograma de filmagens devido às orientações de isolamento social relacionadas ao combate ao Covid-19.
Por enquanto vale muito a pena fazer essa mini maratona e aproveitar o passeio pelas histórias.
Você vai se surpreender e se apaixonar.
Pega a pipoca, aperta o play e descubra sobre o que eu estou falando.
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