Repórter Guaibense

Segunda-feira, 31 de Agosto de 2026

Colunas/Geral

Semana Farroupilha

"...os shows são o menos importante, frente a tudo o que significa os festejos da Semana Farroupilha."

Semana Farroupilha
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Num certo setembro, entre cavalhada e músicas, perguntei ao Vô Barulho porque tanto frenesi com essa gente? Porque tem shows todas as noites e o pessoal se pilcha, vai pra praça, desfila, mostra o chimarrão. O que é essa tal de Semana Farroupilha.

Parece que acordei um leão, brotava em seus olhos o brilho de quem tem orgulho do que vai falar.

Disse que os shows são o menos importante, frente a tudo o que significa os festejos da Semana Farroupilha. Nesses festejos devemos buscar o entendimento da história, nos abraçar a tradição, pois toda a identidade do Gaúcho como vivemos hoje foi moldada desde a Revolução.

Leia Também:

Vou encurtar meu neto, enquanto o mundo dançava as danças da monarquia, servindo reis e puxando o saco da corte, o Rio Grande do Sul deu uma aula de política social, criando a República Rio-grandense. A forma republicana de governar, nesse Brasil imenso, nasce aqui, em uma Revolução.

Em 11 de setembro de 1836 o então Coronel Antônio Fonseca de Souza Neto, escreveu as palavras que entrariam pra história, um dia depois de bater as tropas imperiais nos campos do Seival. Palavras proferidas pelo Coronel Joaquim Pedro Soares como “ordem do dia”.

“Bravos companheiros da 1ª Brigada de Cavalaria!

 Ontem obtivestes o mais completo triunfo sobre os escravos da Corte do Rio de Janeiro, a qual, invejosa das vantagens locais de nossa província, faz derramar sem piedade o sangue de nossos compatriotas, para deste modo fazê-la presa de suas vistas ambiciosas. Miseráveis! Todas as vezes que seus vis satélites se têm apresentado diante das forças livres, têm sucumbido, sem que este fatal desengano os faça desistir de seus planos infernais. São sem número as injustiças feitas pelo Governo.

Camaradas! Nós que compomos a 1ª Brigada do Exército Liberal, devemos ser os primeiros a proclamar, como proclamamos, a independência desta província, a qual fica desligada das demais do Império, e forma um estado livre e independente, com o título de República Rio-grandense, e cujo manifesto às nações civilizadas se fará competentemente.

Campo dos Menezes, 11 de setembro de 1836 – Antônio de Sousa Neto, coronel-comandante da 1ª brigada”.

Então Neto, agora aclamado General, toma a palavra e munido da emoção e da chama patriota proclama a república:

“Camaradas! Gritemos pela primeira vez: Viva a República Rio-grandense! Viva a independência! Viva o exército republicano Rio-grandense”

Orgulho de ter criado uma nova nação. Toda a guerra traz a tona a desgraça, porque na guerra muitos morrem, nada justifica atrocidades, mas na guerra também a sociedade se transforma, há desenvolvimento, demonstração de que não aceitamos as coisas inertes, sentados no sofá.

A Revolução Farroupilha não foi diferente, trouxe morte, desgraça, atrocidades, porém faço um questionamento: isso é da guerra ou do homem? Será que o indivíduo homem não se aproveita da guerra para soltar seu lado podre e cometer todas as barbáries em nome da guerra?

No caso do sul, tivemos como repugnante a morte dos negros lanceiros, homens ágeis, fortes e bravos que não rejeitavam empreitadas. Por eles muitas vitórias se fizeram, muito sangue imperial se derramou, muitos galardões subiram aos ombros de capitães e coronéis. E de repente foram entregues a chacina, por medo que se rebelassem contra seus oficiais futuramente, por representarem aos senhores da sociedade a liberdade que eles prometeram mentirosamente, sabendo que não queriam entregar.

Porém a ressalva existe: com a Revolução Farroupilha moldamos a identidade do nosso povo, a identidade do gaúcho, como homens peleadores, homem como espécie, onde mulheres e homens lutaram lados a lado para mostrar a importância da busca em defesa dos seus ideais, mostrando assim a que veio.

Entre 1836 e 1845, os liberais rio-grandenses organizaram pela primeira vez no Brasil uma república independente que funcionou com presidente, ministérios, repartições públicas, exército e corpo policial.

A República Rio-Grandense era separatista, porque possuía bandeira, hino e escudo de armas como símbolos da pátria, que não eram os do Império do Brasil. Foi o nascimento também do gosto pelo governo republicano, dividindo direitos e deveres com o povo, dando voz ao sentimento nacionalista.

Semana Farroupilha é muito mais que shows e entretenimentos. É data de comemorar o sentido e a razão de um povo chama GAÚCHO!

E tenho dito...

Comentários:
Mário e Tainara

Publicado por:

Mário e Tainara

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Veja também