Repórter Guaibense

Segunda-feira, 01 de Junho de 2026

Colunas/Geral

Talento sem limites

Uma artista em expansão

Talento sem limites
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E o Drone continua sua jornada ricocheteando nos limites de nossa cidade.

Continua escaneando o terreno que vai do Lago Guaíba até os limites com Eldorado, Barra do Ribeiro e Mariana Pimentel. Em sua busca incessante por boas conversas, continua com um itinerário cheio de surpresas e talentos.

O bate-papo de hoje foi adiado por 15 dias porque sabíamos que algo muito legal estava por acontecer.

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A entrevistada é a talentosa Adriana Gucca, atriz e bióloga (e vice e versa) que vem construindo uma carreira muito interessante tanto no Teatro como no Cinema.

Integrante do elenco do curta metragem Desvirtude, premiado no Festival de Cinema de Gramado neste final de semana, vai conversar sobre essa experiência maravilhosa no mais charmoso festival de Cinema de nosso país, e falar sobre a sua construção artística no universo teatral.

Uma conversa muito legal com mais uma atriz supertalentosa de nossa cidade.

Então, sem mais delongas, vamos ao que interessa:

Respeitável público!

Com vocês...

Adriana Gucca!

_____________________

Primeiramente, queria te agradecer pela presença aqui na coluna e dizer que é um prazer te ter aqui neste espaço.

Estou muito contente com essa escala do Drone Cultural e tenho certeza de que nossos leitores também vão curtir essa conversa.

Bom, vamos começar pelas formalidades: Conta um pouco da tua trajetória. De onde vem a tua veia artística? Onde e como você começou a desenvolver esse teu lado?

ADRIANA GUCCA – O prazer é meu! Sinto-me muito feliz e honrada por esta entrevista. Bem, sou porto-alegrense, vivo há dez anos em Guaíba, sou bióloga/botânica e há pouco tempo, atriz. Para responder sua pergunta, vou falar um pouco da minha infância e adolescência. Minha irmã e eu sempre fomos muito estimuladas artisticamente pelos nossos pais, principalmente nossa mãe, que chegou a atuar e cantar em um coral quando jovem. Nos era permitido até desenhar nas paredes de casa! Alguns diziam que éramos crianças sem limites. Pode ser. (risos) A bem da verdade, não tínhamos limite para criar! Costumávamos reunir toda a família para apresentarmos danças e peças de teatro com fantoches! Gravávamos histórias de terror em fitas cassete com sonoplastia e tudo! Minha mãe participava ativamente dessas produções! (risos) Eu amava desenhar e chegava a vender desenhos para familiares por alguns centavos de cruzeiro. (risos) Também escrevia histórias em quadrinhos para presentear os parentes próximos. Fora de casa, como minha família não tinha muitos recursos, me limitava às atividades oferecidas pela escola pública. Assim, participei do orfeão (coral), e fiz algumas aulas de flauta-doce (instrumento esse presenteado por um amigo da família) e de dança, que infelizmente tive que abandonar pelo alto custo dos figurinos. A falta de recursos não me permitiu explorar nenhum desses “meus talentos”.  (risos) O foco passou a ser o estudo e o trabalho. Para não dizer, que não fiz mais nada relacionado à Arte, na época de faculdade (Biologia), cantei no Coral do Instituto de Biociências da UFRGS. O Teatro veio bem mais tarde, já depois dos 40!

 

DC – Eu te conheci em uma das apresentações do Teatro de Fato, projeto dos amigos Déia Alencar e Araxane Jardim, do Ponto de Cultura Biguá. Vi no palco e pensei: “Essa menina é diferente. Ela tem brilho e leva a sério”. Enquanto espectador, me pareceu que você estava aproveitando o momento da apresentação e o palco. 

Há quase dois anos você foi convidada para fazer parte do elenco do Grupo de Pesquisa Teatral Realejo EnCena. Chegou um pouco antes da pandemia e, apesar do momento complicado, vem fazendo um trabalho muito bacana.

Quando foi o teu primeiro contato com o Teatro? Fala um pouco sobre essas tuas experiências no universo teatral.

ADRIANA GUCCA –  Ah, que ótimo saber que você pensou isso de mim! Porque naquela ocasião, quando avistei você e a Aline na plateia, pensei: “O pessoal do Realejo está aí! Será que gostaram da minha atuação?!”. (risos) Sempre acompanhei e admirei o trabalho de vocês. Me sinto muito orgulhosa de hoje fazer parte do Realejo EnCena e do elenco de “A Grande Máquina”. Bem, o Teatro entrou na minha vida recentemente e por acaso. Vivi por alguns anos em Campo Grande (MS). Fui para lá com uma bolsa de recém-doutor no Programa de Pós-Graduação em Botânica da UFMS. Lá tinha uma rotina bastante intensa. Trabalhava com pesquisa científica no Cerrado e Pantanal, lecionava para Graduação e Mestrado, dava palestras e cursos.

Meu marido, então, recebeu uma ótima oferta de emprego em Guaíba, e decidimos voltar ao Estado. Foi então que minha vida mudou drasticamente. Não para pior, pelo contrário, mas muito diferente do que eu vinha vivendo. Aqui voltei a trabalhar como bióloga profissional liberal e vim morar em um pequeno sítio. Tudo isso mexeu bastante com minhas emoções.

Foi então que em dezembro de 2017, quis fazer algo diferente para dar uma levantada no meu astral! (risos) No site da Casa de Cultura Mário Quintana, encontrei o anúncio de uma oficina de Jogos Teatrais oferecida pela Dalmeida Conteúdo Cultural, que me inscrevi sem pretensão alguma de me tornar atriz. Foi um final de semana incrível, que me estimulou a fazer outras duas oficinas oferecidas pela Dalmeida. Em uma delas, trabalhamos com uma cena de “Tartufo” de Molière, onde eu atuei como a Sra. Pernelle (tratada como Sra. La Valle na versão de Dennys Dalmeida para a oficina). Na outra, montamos um esquete de “Otelo, o Mouro de Veneza” de Shakespeare, em que fiz o papel de Emilia, e que tivemos inclusive a oportunidade de apresenta-lo aqui em Guaíba, no Espaço Livre Biguá. Bem, aí eu já estava rendida aos encantos do Teatro e decidida a me tornar atriz!! E então vieram a Dra. Aline e a Rosângela, minhas personagens em “Histórias Recortadas” do Projeto Teatro do Oprimido, e agora a Marta em “A Grande Máquina”.

DC – Para ti, o que é Teatro? O que o Teatro acrescentou na tua vida?

ADRIANA GUCCA – Para mim, o Teatro é a mais bela das Artes! O Teatro mudou a minha vida. Brinco sempre que existe a “Adriana A.T. (antes do Teatro)” e a “Adriana D.T. (depois do Teatro)”. Acho que me tornei uma pessoa mais realizada, segura, espontânea. Às vezes, penso que poderia ter me tornado atriz mais cedo. Mas por outro lado, penso que tudo tem seu tempo. Sou a prova viva de que podemos realizar sonhos e iniciar novas carreiras na maturidade, depois dos 40, 50, 60 anos ou +! O Teatro ainda trouxe para minha vida, pessoas incríveis e amigos eternos, que talvez nunca teria a oportunidade de conhecer.

DC – Que tipo de aspecto da tua vida tu acha que deve exclusivamente a Arte e ao fazer artístico?

ADRIANA GUCCA – O Teatro mudou minha percepção, ampliou meu entendimento sobre todas as formas de Arte. Passei a me abrir mais facilmente ao novo, ao diferente, ao desafiador.

DC – Quais são as tuas referências? Onde você busca inspiração? Como é o teu processo criativo?

ADRIANA GUCCA – No meu processo criativo, prefiro buscar referência e inspiração nas minhas próprias vivências, no mundo real, na vida cotidiana e nas pessoas comuns. Gosto de observar as pessoas, suas posturas, seus gestos, gosto que me contem suas histórias, que falem de suas emoções e percepções.

DC – Do ponto de vista de uma atriz e observadora das rotinas de trabalho, na tua opinião qual é o maior desafio em processo criativo teatral e cinematográfico?

ADRIANA GUCCA – Para mim, é elaborar o perfil psicológico e a vida pregressa da personagem. Às vezes é fácil, outras vezes difícil, mas sempre encantadoramente desafiador.

DC – Uma pergunta que é, na verdade, um estímulo, uma boa provocação: Em tempos tão tecnológicos, virtuais e digitais na era do streaming, o Teatro ainda é necessário? Por que as pessoas ainda devem frequentar as salas de espetáculos?

ADRIANA GUCCA – O Teatro sempre será necessário! Na minha opinião, é muito difícil que uma tela venha a substituir o Teatro. Há toda uma atmosfera que é criada pelos atores em um palco. Todos os sentidos do espectador são aguçados. É possível até sentir o cheiro dos atores, dos figurinos, do cenário. O Teatro tem uma energia pulsante que encanta o espectador, fazendo com que ele volte.

DC – Além do Teatro, você também vem se aproximando do cinema.

Para nossa satisfação, este ano, o curta metragem Desvirtude, filme no qual você integra o elenco, foi selecionado para competir nas categorias que premiam os melhores curta metragens gaúcho e brasileiro dentro da programação do Festival Internacional de Cinema de Gramado.

Felizmente, neste final de semana, vocês saíram de lá com 5 prêmios.

Na Mostra Gaúcha, vocês levaram os prêmios de Melhor Curta, Melhor Direção, Melhor atriz e Melhor Montagem. Já na Mostra Nacional, arrebataram o prêmio de Melhor Curta pelo Júri Popular.

Resultados impressionantes!

Conta um pouco sobre esse projeto, sobre a tua personagem e como é viver essa expectativa de premiação? Como é o clima entre os membros do elenco?

ADRIANA GUCCA – Sim! Desvirtude escrito e dirigido por Gautier Lee (Prêmio de Melhor Direção), foi o grande vencedor da Mostra Gaúcha do Festival! E na Mostra Nacional, ter sido eleito pelo Júri Popular como melhor Curta, com certeza, significa muito! Falando um pouco sobre este projeto, no final de 2019, Adry Silva, preparadora de elenco do Curta, me chamou para participar da seleção de elenco. Então fui escolhida para interpretar Sônia. Na história, Sônia é uma professora universitária, muito respeitada, que apesar de popular entre os alunos, cometeu crime de racismo contra uma de suas alunas, Kenia, vivida por Evellyn Santos (Prêmio de Melhor Atriz na Mostra Gaúcha). O filme conta o desenrolar e as consequências deste ocorrido pela percepção de Kenia.  Para mim, foi bastante difícil construir a personagem Sônia, buscar referência e inspiração. Envolveu muita pesquisa e leitura. Gravar as cenas também não foi algo fácil. Ficávamos sempre muito emocionados e buscávamos apoiar uns aos outros. Do elenco, eu já havia contracenado com Evellyn Santos, Ingrid Camboim e Fernando Pine em duas webséries da Queda Livre Produções (Hilton Oliveira). Já a Roberta Rangel e Ana Spohr, conheci pessoalmente durante a preparação de elenco. Todos atores foram e são maravilhosos. Durante todo o processo, o elenco esteve sempre muito unido. A Gautier, como diretora, soube com primazia conduzir o elenco, criando um clima de amizade e cumplicidade. Com certeza, posso dizer que esta foi a experiência mais fantástica e enriquecedora que tive na minha carreira.

DC – A rotina cinematográfica é bem diferente da rotina teatral. Como foi o processo criativo da tua personagem? Como se adaptar aos diferentes tipos de expressão e suas exigências específicas?

ADRIANA GUCCA – É muito diferente! Minha maior dificuldade, já que venho do Teatro, é a minha tendência em exagerar nas expressões, gestos, voz, e no audiovisual você tem que se aproximar mais do natural. No caso do Desvirtude, tive a oportunidade de trabalhar estas questões, porque contamos com um ótimo trabalho de preparação de elenco. Com bastante tempo de antecedência, recebemos o roteiro e perfil psicológico dos personagens e tivemos uma série de encontros, com leituras, debates, jogos teatrais, dinâmicas em grupo, exercícios de improvisação e ensaios. 

DC – Como está sendo o teu caminho? Como a família e os amigos acompanham? Eles entendem o que você faz?

ADRIANA GUCCA – Meu marido, família e amigos me entendem, acompanham, incentivam, assistem e divulgam meus trabalhos! Curtem comigo cada conquista! São meus fãs! (risos) Também recebo muito carinho nas redes sociais, principalmente no Instagram, onde sou mais ativa. Muitos seguidores não me conhecem pessoalmente, moram em outras cidades, estados, países e ainda assim acompanham meu trabalho, dão seus feedbacks e por conta própria ajudam na divulgação dos meus trabalhos.

DC – Você pode dividir conosco algum momento, dentro da tua trajetória artística, que tenha te emocionado além do "normal"?

ADRIANA GUCCA – Foram muitas as emoções, mas vou citar uma. Aconteceu recentemente na áudio série da Dalmeida Conteúdo Cultural “O presente da mamãe” (inédito), escrito por Dennys Dalmeida, e que será lançada no Spotify em setembro. Trata-se de uma comédia que conta a história de três irmãs que não se falavam há anos, e que voltaram a conviver após a morte da mãe. Nós do elenco (Sandra Motta, Eduarda Pinheiro Machado e eu) nos divertimos muito durante todo o processo. Mas os dois últimos episódios são tão emocionantes, nos tocaram de tal maneira, que o elenco caiu no choro durante a leitura do roteiro, nos ensaios e até mesmo na gravação!

DC – Falando em emoção: Para ti, o que é estar em cena?

ADRIANA GUCCA – Estar em cena, para mim, é a melhor parte de todo o processo! Eu amo! Me sinto realizada! É claro que batem inseguranças, como o medo de esquecer o texto, de não dar a deixa certa e atrapalhar meu colega, e sobretudo o medo de não passar verdade, emoção na hora da cena. Mas assim que eu piso no palco ou o diretor grita “ação”, eu me jogo de corpo e alma!

DC – Tens algum ritual que execute antes de entrar em cena? Como é a tua rotina em dia de apresentação ou gravação?

ADRIANA GUCCA – Nos dias que antecedem uma apresentação ou gravação, me preparo fisicamente dando uma atenção especial à voz, corpo, alimentação, saúde em geral. No momento de entrar em cena, eu “giro a chave” como se diz, me desligo totalmente do mundo real, desconstruo a “Adriana atriz” para receber minha personagem com todas as suas emoções, qualidades, defeitos, alegrias e dores. Finalizado o trabalho, desconstruo a personagem para receber a “Adriana atriz” de volta.

DC – Por mais que nos preparemos, as saias justas estão sempre presentes. No meio de tantas coisas lindas que já aconteceram ao longo da tua experiência, qual foi o maior perrengue que você precisou lidar nessa caminhada?

ADRIANA GUCCA – Nem gosto de lembrar! (risos) Foi na cena “O Púlpito” de “Histórias Recortadas”. Em um determinado momento, algumas falas saíram da ordem, o que quase comprometeu a cena. Por sorte, nosso colega Antônio Lewbert (hoje no Realejo Encena) improvisou brilhantemente e retomamos à ordem correta.

DC – Falando em perrengue, neste momento, mesmo com a vacinação em andamento, permanecemos em um cenário tenebroso. Continuamos ultrapassando todos os limites e o enredo é muito caótico.

Como você está vivendo esta pandemia? Como você faz para não deixar a tristeza tomar conta? Qual é o papel da arte na tua vida nesse momento? Como estão os processos criativos nos quais você está envolvida?

ADRIANA GUCCA – Sim, um cenário tenebroso. Me sinto desolada com este momento, com tudo o que estamos passando, com a realidade difícil das pessoas, com os amigos que se foram... Meu marido e eu estamos em home office desde a primeira semana e saí pouquíssimas vezes de casa. Moramos num sítio, então temos o privilégio de ter a natureza ao nosso favor, sol, pomar, horta, nossos animais... tudo isso colaborou muito para que a tristeza, a dor das perdas, e a distância de amigos e familiares não tomassem conta. Bem, nessa fase virtual, tive a oportunidade de fazer o “Curso de Interpretação com filmagem de self tape” com Daniel Castilhos e Márcio Rosário, voltado para Cinema e Televisão. E também fiz duas oficinas de Radionovela com a Dalmeida Conteúdo Cultural, com a produção da radionovela “Lar, Amargo Lar” e a áudio série “O Presente da Mamãe”. Além, é claro, de nós do Realejo EnCena, seguirmos com nossos ensaios virtuais de “A Grande Máquina”.

DC – A Pandemia pode inspirar?

ADRIANA GUCCA – Acredito que sim. A nós artistas, nos resta pegarmos todas as experiências e emoções que tivemos nesse período e transformá-las em roteiros de Teatro, de Cinema, de TV, em poemas, em letras de músicas, em coreografias de danças, em pinturas, desenhos... enfim, em Arte. 

DC – Que tipo de emoções estimular em um momento tão obscuro na história?

ADRIANA GUCCA – Neste momento, penso, que devemos procurar transformar esse turbilhão de sentimentos negativos e destrutivos, em algo positivo, assertivo, estimulante. É claro que é mais fácil escrever e falar, do que de fato fazer. Há muitas coisas em jogo e temos nossas limitações. Vai além de resistir, mas trata-se de ação, de superação, senão perderemos a guerra.

DC – Quais sonhos você alimenta para o seu futuro artístico/profissional?

ADRIANA GUCCA – Em primeiro lugar, continuar no Realejo EnCena por tempo indeterminado! (risos) Bem, quero continuar fazendo Teatro, Cinema e Radionovela (torcendo muito para que esta moda pegue!). Com a Radionovela, também tenho sido muito incentivada por ouvintes e profissionais, a entrar no mundo da Dublagem! E eu gostei da ideia. Tenho planos de fazer um curso no próximo ano.

DC – Tem algum personagem que você gostaria de interpretar? E, caso você tivesse recursos suficientes, qual tipo de texto/espetáculo/filme gostaria de montar? Nos teus sonhos mais malucos, por onde tua imaginação viaja?

ADRIANA GUCCA – Ah, eu tenho muita vontade de montar e atuar num espetáculo teatral voltado para o público feminino. Algo bem simples, realista, direto, que mostre as dores e as delícias de ser mulher, que faça rir e chorar, mas que sobretudo, toque lá no fundo da alma de cada mulher! Um espetáculo em que as mulheres se identifiquem, se emocionem e pensem: “Nossa! Isso aconteceu comigo”, “Foi isso que eu ouvi”, “Era assim que eu devia ter feito”, enfim... É, claro, que já existem muitos espetáculos com essa temática. Mas eu gostaria de participar de algo assim.

 

DC – Como você vê o cenário cultural guaibense? O que gostaria de ver nos próximos anos?

ADRIANA GUCCA – Guaíba conta com muitos artistas talentosos nos diferentes setores, que produzem trabalhos fantásticos! Falando especificamente do Teatro, quando digo que sou atriz, quase que imediatamente as pessoas comentam que assistiram algum ou alguns dos espetáculos do Teatro de Fato. Isto me dá a certeza de que os moradores da nossa cidade, gostam e querem assistir espetáculos teatrais! E isso me leva a acreditar que sempre teremos público. Então, futuramente gostaria de ver mais salas de espetáculos e espaços culturais, espalhados pela cidade, para que possamos levar a Arte a todos! E olha, que a proximidade de Porto Alegre e todos os atrativos que há na capital, roubam um pouco dos nossos artistas e público (risos). Por isso tem que ser dada maior visibilidade às Artes como um todo, com investimento em publicidade, como um calendário cultural único. E aqui me atrevo a sugerir um nome para essa Agenda “O que rola em Guaíba esta semana?”! (risos)

DC – Que conselho você pode dar para quem tem vontade de seguir o caminho artístico?

ADRIANA GUCCA – Procure por cursos e oficinas, leia, estude e converse com profissionais da arte que você se identifica. Se encoraje a dar o primeiro passo. E sobretudo, ame e se divirta com sua arte. Se você não estiver se divertindo, talvez esteja na arte errada.

DC – Alguma referência para seguir, ler ou assistir? Em quem ou onde buscar inspiração?

ADRIANA GUCCA – Sugiro uma visita ao site da Biblioteca Virtual de Domínio Pública para você se familiarizar com os grandes nomes e suas obras. E de maneira, geral, sugiro que você se torne um grande curioso na sua arte, seja qual for, busque inspiração em diferentes autores e produções e se atente àquelas brasileiras, gaúchas, guaibenses, as dos seus amigos e colegas.

Uma última pergunta: O que é sucesso?

ADRIANA GUCCA – Acho esta pergunta tão difícil. (risos) Não acho que seja dinheiro ou fama. Só sei que quando alguém me diz que ao me ver no palco ou na tela, ou me escutar na Radionovela, chorou, riu ou sentiu raiva... eu penso atingi meu objetivo em cena, que é de levar verdade e emoção ao público. Para mim, isso é sucesso.

DC – Estamos encerrando a nossa conversa. 

Não poderia deixar de agradecer muito a tua disponibilidade para esse bate-papo comigo.

Esse é um espaço de contato com a nossa comunidade. Gostaria que você deixasse um recado para os colegas trabalhadores da Cultura e para todos os nossos vizinhos. 

Pode falar o que quiser, amiga. O espaço é nosso.

ADRIANA GUCCA – Eu que agradeço, meu amigo! Gratidão a todos! Acho que já falei demais. Então, meu recado é simples e direto: Quando tudo voltar ao “normal”, vá ao Teatro, vá ao Cinema, encontre sua Arte!

_____________________

E aí? Já conhecia a Adriana? Sabia disso tudo?

Eu sempre acabo me surpreendendo e me emocionando com algumas respostas.

Fico muito feliz que tenhamos pessoas tão talentosas e dedicadas em nosso ambiente cultural local.

Cada uma dessas pessoas é um exemplo vivo que deve ser respeitado e valorizado sempre.

Que nossas escalas encontrem cada vez mais atrizes com esse potencial.

Que nasçam muitas!

O Drone segue feliz, de quintal em quintal, girando as pazinhas por toda cidade.

Daqui a pouco ele chega cheio de curiosidade aí no teu telhado.

Partiu!

Comentários:
Isaque Conceição

Publicado por:

Isaque Conceição

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