A gente escutou no início que a pandemia iria mudar a sociedade, que as pessoas vão voltarem-se mais para o social e menos para o digital. Será?
Daqui alguns anos, os livros de história, ou a Wikipédia, vão contar a fase pandêmica que o mundo atravessou, vão teorizar as mudanças sociais e tudo mais, porém o que fizemos de diferente para que a sociedade realmente mudasse?
No tradicionalismo tivemos uma mudança em nossa cidade. Em todas as reuniões que nosso secretário promoveu, o público participante pediu a descentralização dos eventos culturais, o Sarandeio Farroupilha foi um evento novo e descentralizador, com as atrações culturais visitando os diversos CTGs, valorizando os moradores dos bairros adjacentes.
Houveram muitas atrações: danças, declamação, shows musicais e ainda a guarda da chama crioula na praça do Cipreste, em frente à casa do nosso herói Gomes Jardim.
A pandemia restringiu o acesso aos eventos, os patrões tiveram que privilegiar seu quadro social, apoiadores e os convidados do poder público.
Como ocorre, sempre quando há uma ação grandiosa, não agrada a todos, muitas reclamações, críticas, porém entendemos que isso é parte da mudança, a população está acostumada a comemorar a semana do gaúcho com música e parque de comidas, ficando o convívio social dos Centros de Tradições relegados a pequenos galpões, não retratando em nada o trabalho social que ocorre em cada uma das entidades da cidade.
O olhar monocromático se destaca naqueles que, representando a sua entidade, não consegue perceber o todo e olham apenas para seu microcosmo.
Quem não está acostumado a empreender grandes eventos, talvez não entenda que tudo começa na limpeza, contratação de mesas e cadeiras adicionais para acomodar os visitantes, contratar segurança para evitar a superlotação e tem ainda água e energia elétrica, afinal para tomar aquela cervejinha bem gelada, o freezer tem que estar trabalhando a todo o vapor.
Ainda temos em Guaíba o tradicionalismo monocromático, praticado por algumas entidades, que não entendem que o crescimento só acontecerá na pluralidade, que o singular separa e cria animosidade e a pluralidade traz fraternidade e desenvolvimento. Nenhum cidadão é maior que uma entidade, os cidadãos são passageiros a frente delas, elas são transcendentes, carregarão os brasões da tradição pelos portais do tempo.
Há que se valorizar os esforços daqueles que fazem de tudo para tornar o evento grandioso e focar em quem faz as ações de semear bondade, trazer sempre as claras e transparentes todos os fatos, sem articular pelos bastidores, apesar de serem tolhidos, acreditamos que a bondade será sempre o melhor caminho.
Quando os olhos abrirem-se para um tradicionalismo policromático, com cores em todas as formas e todos os atos, daí teremos certeza que atingiremos os corações.
Talvez a pequenez de atos isolados dos egos que pretendem chamar mais atenção que a própria entidade, siga puxando para baixo o desenvolvimento do seu CTG e distanciando cada vez mais os seus frequentadores.
Enquanto isso, o tradicionalismo fraterno, esse policromático que falo, abre os braços a quem quiser ser afetivo e receber cultura, fazendo cada vez mais seguidores, abrindo caminho para a verdadeira mudança social.
É nesse tradicionalismo que acreditamos, onde há oportunidades para aqueles que seguirem a carta de princípios escrita por Barbosa Lesa.
Ainda que nem todos tenham feito suas reflexões durante a pandemia, há tempo!
Nós vivemos momento de muitas privações, onde os galpões ficaram fechados e com muitas dificuldades de se manterem, outros que, talvez não tenham conseguido retornar, mas agora vivemos momentos de darmos seguimento a este retorno.
Retorno esse, que requer muita coragem, bravura e posicionamento. Aqueles que vivenciam a gestão de uma entidade tradicionalista sabem quanto exige dedicação, transparência e trabalho coletivo para nos mantermos atuantes como tradicionalismo e preservando a nossa tradição gaúcha.
Agora é hora de sermos ainda mais acolhedores, abrindo espaço para retomarmos a uma vida social. O ser humano é um ser social, onde manter as relações, conviver em coletivo, nos aproxima, traz vitalidade. Talvez nem sempre como tradicionalistas, olhamos para este grandioso movimento como um local que contribui também para a saúde emocional dos seus integrantes e comunidade ao redor.
Sejamos gentis, menos monocromáticos! Menos espaço para julgamentos e mais oportunidades de troca e construções coletivas.
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