Quem leu minha última matéria sabe do meu compromisso moral com meus irmãos lanceiros, com meus irmãos de cor escura, essa cor nos difere na pigmentação meus irmãos, mas eu carrego em mim que todo o brasileiro é mestiço, todo o brasileiro é preto, gostem ou não, aceitem ou não.
Se falamos de cor, o correto é preto, não entendo e não consegui referência historiográfica para o início da nominação “negro” aos meus irmãos pretos. Aliás eu também já falei que não creio em racismo, porque somos da mesma e única raça, a raça humana. Quem tem a ideia de diferenciação, traz consigo a mente estragada, quem define melhor ou pior ao julgar pela cor, carrega a insanidade em si e deve rever todo e qualquer conceito humanitário.
Pois bem, quero trazer aos meus irmãos e a todos os que gostam de uma boa interrogação para buscar fatos e argumentos, o benefício da dúvida.
Falamos de Porongos, falamos das atrocidades, da traição e de tudo que o 14 de novembro de 1844 nos traz, mas se foi traição, havia a intenção da liberdade, correto? Se o conluio se dá entre Canabarro e Caxias, os demais comandantes farrapos foram traídos de mesma forma, correto?
Todos os relatos históricos trazem em si a informação de que Bento Gonçalves, Souza Neto, Bento Manoel e outras figuras icônicas eram escravagistas, sim, isso é fato e não há o que negar.
Lembremos que a sociedade da época era escravagista, não podemos analisar o contexto sem que isso seja relevante, porém alguns compravam seus escravos para que pudesse de alguma forma preservar aquela vida, porque há outro fato que ninguém analisa. Quando da abertura das fronteiras desse estado para a colonização, ou seja, quando colonos europeus vieram fixar residência, houve matança de primitivos (índios), negros e gaudérios errantes, pagos pelo governo da província para que as terras ficassem livres à colonização.
Essas coisas os alfarrábios não trazem, pois quem escreve a história geralmente é pago por quem a constrói.
Apenas para reflexão, voltemos ao contexto inicial. Porongos ocorreu de froma arbitrária e contrária aos muitos comandantes farrapos, que pensavam na plenitude da liberdade para os cidadãos que antes escravos, agora tornaram-se bravos guerreiros. Haviam os contrários, como em tudo nessa vida, sempre há os que concordam e os que discordam, as vezes sem argumentos, mas há.
Se os escritos revelam traição, se as manobras foram feitas ao apagar das velas, em soturnos conluios, não podemos colocar na mesma bruaca, ao balançar dos muares, todos os que participaram da revolta dos farrapos, mas buscar aqueles que contrários a liberdade, entregaram os lanceiros, nossos irmãos bravos e guerreiros as mazelas da morte.
Valho-me inclusive da morte de Teixeira Nunes, o Gavião, sempre fora defensor dos direitos de seus lanceiros, logo após Porongos foi morto junto de seus soldados negros em 26 de novembro de 1844 no Arroio Grande. Não deixando de lembrar de Joaquim Pedro Soares que comandou o Primeiro Corpo de Lanceiros em 11 de setembro de 1836 na batalha do Seival.
Ora se não dependia de confiança e respeito para que os lanceiros seguissem seu comandante. Espero que valha a reflexão, se os escribas e alferes de guerra, relataram como traição, havia entre os revoltosos, quem se importava com a liberdade dos lanceiros.
Portanto não façam como as bruacas, penduradas aos muares, busquem na história todas as verdades que ela traz, não apenas as que lhes garantem a opinião selada e velada. Sejamos inteligentes e de mente aberta para que as informações fluam e não se percam entre causas próprias.
Eu respeito, admiro e levanto a mesma bandeira dos meus irmãos de pele morena, afinal eu também sou negro, senhores. Meus irmãos me aceitam negro mesmo com a brancura que carrego na pele?
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