A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino criada pelo governo federal para substituir o antigo supletivo, moldada a contemplar todos os níveis de Educação Básica do país, ou seja, ensino fundamental e médio. O objetivo é garantir o direito à educação para as pessoas que já passaram da idade escolar regular e que não tiveram oportunidade de estudar ou precisaram interromper a escolarização antes de concluir seus estudos. Conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN nº 9.394/96), em seu artigo 37.
Atualmente, a EJA organiza-se em totalidades semestrais contemplando os nove anos de fundamental e os três anos de médio. Sendo que os municípios “normalmente” são os que ofertam o EJA Ensino Fundamental (necessário ter 15 anos ou mais) e o Estado então oferta o EJA Ensino Médio (é preciso ter 18 anos ou mais). Digo normalmente porque existem exceções. Esta modalidade geralmente é oferecida no noturno e possui toda uma identidade própria, com conteúdos e metodologias adequadas e com potencial de ensino inclusivo e compensatório.
Os alunos de EJA são, em sua grande parte, trabalhadores (empregados ou desempregados), donas de casa, jovens e adultos em busca de qualificação, através da conclusão dos seus estudos. Muitas vezes por exigência dos próprios empregadores, ou então para melhorar a sua capacidade de inserção e competitividade no mercado de trabalho. São pessoas buscando melhores condições de vida, dignidade pessoal, autoestima. Daí ser uma modalidade educacional de caráter inclusivo e compensatório.
Quanto aos desafios enfrentados por professores e alunos de EJA, elencaremos aqui alguns deles, pois são inúmeros: idades variadas (não é raro ver em uma mesma sala de aula alunos entre 18 e 65 anos ou mais), diversidade de bagagem cultural, o cansaço após o trabalho e/ou locomoção, a má alimentação (devido a falta da mesma ou de tempo para alimentar-se adequadamente antes das aulas), diferentes objetivos e múltiplos interesses. São desafios estes que tornam o ensino e a aprendizagem desta modalidade tão peculiar, enriquecedor e gratificante.
Em tempos de pandemia, a EJA não ficou “assintomática”, passa também por aulas não presenciais, programadas, remotas, síncronas e assíncronas, via redes sociais, plataformas, aplicativos, busca/entrega de impressos na escola, etc... Professores e alunos vêm se reinventando, superando suas dificuldades habituais e esta que se apresenta, enfrentando com louvor a nova forma de ensinar e aprender, buscando ter foco e atingir seus objetivos.
Neste segundo semestre, o governo estadual decidiu não ofertar vagas para as turmas de acesso T3 (Ensino Fundamental) e T7 (Ensino Médio) na rede estadual de ensino. Muito entristeceu aos trabalhadores da educação e principalmente aos jovens e adultos que desejam ingressar ou concluir seus estudos, por todos os motivos já citados. Há com isto, um temor de desmantelamento desta modalidade circulando nos meios educacionais.
E você leitor, o que pensa sobre o assunto?
E você professor, o que pensa a respeito desta questão?
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