Continuamos com nossos voos alucinantes pelos céus de Guaíba.
Nesta parada do Drone Cultural, paramos para conversar com Nery Silva, vocalista da consagrada banda guaibense Los Vatos.
Um bate papo bem interessante com uma figura bastante conhecida em nossa cidade. Dono de uma opinião forte, Nery é um legitimo representante do Rock.
Nessa entrevista podemos encontrar uma parte importante da atitude rock n’roll: o amor e a esperança em tempos melhores.
Então, sem perder tempo, calce o seu All Star surrado e vem conhecer um pouco da alma de mais um artista local.
Respeitável público!
Com vocês... Nery Silva!
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DRONE CULTURAL - Primeiramente, queria te agradecer pela presença aqui na coluna e dizer que, te ter aqui, é a realização de uma antiga vontade. Essa escala promete mais uma bela conversa.
Acompanho há tempos o teu trabalho, principalmente na Los Vatos, e agora chegou o momento de batermos esse papo.
Vamos começar do início. Para quem ainda não te conhece: Quem é Nery Silva? De onde vem a tua veia artística? Conta um pouco da tua trajetória e da banda (uma das mais emblemáticas que passaram por essa cidade).
NERY – Nery Silva é um cara que admira a simplicidade, é sentimental, a flor da pele (risos). Na minha família tenho dois primos músicos com trabalhos lançados também. E a banda Los Vatos nasceu da amizade e do gosto desses amigos pela banda Ramones.
DC – O que você está preparando para o público? Ouvi falar em uma live. Conta para nós o que vem por aí.
NERY – Sim, nessa semana começa a mixagem de um single inédito da Los Vatos, Irrelevante. Daí, então, começamos os ensaios para uma live acústica no dia 13 de agosto de 2021. Live está que vai solicitar contribuições dos fãs para o término das gravações do EP de 5 músicas inéditas e uma versão que a banda pretende lançar até o fim do ano de 2021.
DC – Quais são as tuas referências na música? Onde você busca inspiração?
NERY – A inspiração vem do dia a dia, de experiências vividas por mim ou por pessoas próximas a mim. A referência é Rock. Não tem como ser outra. Mesmo eu sendo fã de muitos outros estilos, a LV nasceu rock e vai morrer rock de guitarras pesadas (risos). Algumas bandas: Ramones, Nirvana, Replicantes, RDP, Rancid, Social Distortion, Suicidal Tendencies, etc.
DC – Te acompanho nas redes sociais e percebo que você é um artista que não se priva do direito de opinar. É sempre muito contundente e transparente nas tuas declarações.
Como você está vendo o nosso momento atual? Na tua opinião, qual é o caminho para sairmos desse atoleiro?
NERY – RETROCESSO é a palavra do momento. Infelizmente! Estávamos numa ascendência em todas as partes, e a partir do golpe do Temer na presidente Dilma começamos a ladeira abaixo. E em todas as áreas também. A cereja desse bolo terrível e cruel é a posse desse governo preconceituoso e autoritário, que agora, além de tudo, vem se desmascarando como os maiores corruptos da história, justo no pior momento que o mundo todo atravessa.
DC – Enquanto artista, qual papel você desempenha nessa construção coletiva de um mundo menos insalubre (para usar uma palavra menos ofensiva)?
NERY – Eu não tenho como mudar a minha banda. Tipo transformar ela numa banda política. Ela sempre falou de amores, amizades, brincadeiras, pensamentos positivos, etc. Tento me manifestar politicamente como pessoa e não como banda. Mas claro, sou a mesma pessoa da banda e, assim sendo, quem me conhece sabe de onde eu vim e porque sou do lado oposto a esse governo. Só tento preservar a verdade da Los Vatos. Não quero ser um oportunista e usar a banda para isso. Mas ao mesmo tempo, uso o meu alcance para protestar sobre aquilo que acho injusto. Gostem ou não!
DC – Eu sempre peço para os convidados me falarem sobre o que o desenvolvimento de habilidades artísticas trouxe para a vida de cada um deles. Na tua vida, o que a música agregou? O que a convivência dentro de uma banda proporciona? Em que momento se define um estilo musical?
NERY – A banda me proporcionou eu ser eu. E me identifico como pessoa, Nery Silva pela banda Los Vatos. Nasci no samba, escola de samba, mas me identifiquei mesmo dentro do rock. Não gosto de rótulos pois amo a arte música, num todo. Mas o meu retorno e satisfação pessoal, veio mais forte (amizades, fãs, oportunidades, grana, etc.) no rock!
DC – Como tu acha que esse tipo de desenvolvimento pode influenciar na vida das pessoas e na dinâmica de uma cidade?
NERY – Um Estado sem Cultura é um estado sem História. A Cultura transforma e define vidas. Podemos, e temos muitos casos, de a Cultura transformar um cara, que era criminoso, em artista. E este artista devolver a sociedade o apoio que ele teve. Esse é o principal papel da Cultura: Transformar e revelar o lado bom para um indivíduo viver!
DC – Por falar em cidade, qual é a memória mais antiga que você tem aqui da cidade? Qual é o teu lugar favorito aqui?
NERY – Tenho a memória da primeira barca de Guaíba que ia até Porto Alegre (acho que entre 1978/1989). E o lugar favorito é onde passei grande parte da minha adolescência, a Beira (risos).
DC – Lembra de algo que não exista mais na cidade e que te encha de saudades?
NERY – O chafariz que ficava entre a Beira e a 7 de setembro.
DC – Como você imagina que as pessoas enxergam Guaíba? Como você explicaria Guaíba para alguém de fora daqui?
NERY – Guaíba é uma cidade de muitos talentos e de pouco incentivo a esses talentos. Estou esperançoso com essa nova administração. Inclusive já fui chamado para conversarmos sobre futuros projetos de shows na cidade. Um possível DVD que tenho como sonho, gravar na cidade e livre ao público.
DC – Uma das minhas curiosidades é saber qual foi o momento mais emocionante vivido pelo colega artista. Qual é a memória mais marcante da tua trajetória artística até aqui?
NERY – Nossa primeira tour em São Paulo. Viajar a convite de uma rádio de SP, com passagens aéreas e estadia pagas, foi um reconhecimento e uma certeza de que estávamos trabalhando sério na música!
DC – Como a família e os amigos acompanham a tua trajetória? Eles entendem o que você faz? Como está sendo o teu caminho nestes anos de batalha?
NERY – Não e fácil. Neste ramo existem muitos altos e baixos. Uma hora você está com grana, outra hora não. Amigos de verdade estão sempre junto e isso eu tenho como prova. Família, alguns entendem e ajudam, mas infelizmente outros viram as costas. Também tenho esse exemplo. Mas a questão é saber da sua capacidade. Fazer o que tem que ser feito e sempre com fé em Deus. Se é para o bem, Ele está do nosso lado. E Ele estando do nosso lado, nada mais importa!
DC – Falando em emoção: Para ti, o que é música? O que é compor dentro da tua rotina de vida? Como é estar no palco? O que passa na tua cabeça?
NERY – A música é a minha vida. A LV é o meu maior orgulho. É o filho que eu não tenho (risos). Quando estou no palco, esqueço de tudo ao meu redor e só quero dividir amor, diversão e emoção com quem estiver junto. Compor é dividir ideias e aprender ao mesmo tempo. Ter empatia e respeito com o sentimento do próximo. Mais ou menos isso!
DC – Como é o teu processo criativo? Precisa de um ambiente específico/preparado, ou isso não é preponderante para a conexão com a inspiração?
NERY – Gosto muito de compor. E na rua, quando vem a ideia, me retiro num cantinho e gravo o embalo e aquelas frases que me vem na cabeça. Depois em casa desenvolvo. Não preciso de lugar e nem hora. Um seca boca, caneta e papel e “formô” (risos).
DC – Por mais que nos preparemos, vivemos na corda bamba e as saias justas estão inevitavelmente presentes nas nossas empreitadas.
No meio de tantas coisas legais que já aconteceram ao longo da tua experiência, qual foi o maior perrengue que você passou na tua trajetória de construção artística?
NERY – Como banda, a troca de formação. É difícil encontrar as pessoas certas. É preciso ser muito persistente e ser forte. E muitos desistem. E querendo ou não, isso prejudica e atrapalha a carreira de uma banda!
DC – Falando em perrengue, neste momento, mesmo com a vacinação em andamento, permanecemos em um cenário tenebroso. Continuamos ultrapassando todos os limites e o enredo é muito caótico.
Como você está vivendo esta pandemia? Como você faz para não deixar a tristeza tomar conta? Qual é o papel da arte na tua vida nesse momento? Como estão os processos criativos?
NERY – É tudo novo para todos, mas eu levo muito à sério e respeito muito a ciência. Acredito na ciência. A minha parte eu tento fazer: uso máscara, álcool em gel, fico em casa o que dá. Porém todos precisamos trabalhar nessa pandemia, né? Estou escrevendo bastante, mas tento usar ela para ser uma pessoa melhor. Sendo assim, evoluo minha maneira de pensar e ser melhor também.
DC – A Pandemia pode inspirar?
NERY – Não inspira porque ela é muito triste para muitas pessoas. A minha tristeza até me inspira, mas a tristeza dos outros me comove. E ver isso, não me faz bem.
DC – Que tipo de emoções estimular em um momento tão obscuro na história?
NERY – EMPATIA e AMOR! Precisamos nos unir para ajudar. A força de vários é mais positiva e da mais resultado do que a força de um só!
DC – Quais sonhos você alimenta para o seu futuro artístico/profissional?
NERY – Um DVD da Los Vatos gravado em uma praça de Guaíba.
DC – Outra pergunta clássica aqui neste espaço:
Se você existisse dentro de uma música, filme, livro, quadro, peça, ou qualquer outra obra de arte, que personagem você gostaria de ser?
NERY – Gostaria de ser o personagem do Brad Pitt em Bastardos Inglórios, Aldo Apache. Ou qualquer um dos seus soldados (risos).
DC – Como você vê o cenário cultural guaibense? O que gostaria de ver nos próximos anos?
NERY – Temos muitas bandas boas na cidade. E vou me reunir com autoridades da cidade para colocar todas essas bandas juntas. Até virar um movimento. Como já teve em Guaíba há tempos atrás.
DC – Que conselho você pode dar para quem tem vontade de seguir o caminho artístico?
NERY – Acreditar cegamente no seu sonho. Todos nós que gostamos de Arte, esperamos e contamos com isso. Que os sonhadores coloquem em prática os seus sonhos!
DC – Alguma referência para seguir, escutar, ler ou assistir? Em quem ou onde buscar inspiração?
NERY – A inspiração deve vir de dentro da gente. Acho que a melhor é ser uma pessoa boa. Pois são de pessoas boas que saem as melhores ideias e projetos!
DC – Uma última pergunta: O que é sucesso?
NERY – Sucesso é ser completamente feliz e realizado com aquilo que você sempre quis ser!
DC – Estamos encerrando a nossa conversa.
Não poderia deixar de agradecer muito a tua disponibilidade para esse bate-papo comigo.
Esse é um espaço de contato com a nossa comunidade. Gostaria que você deixasse um recado para os colegas trabalhadores da Cultura e para todos os nossos vizinhos.
Pode falar o que quiser, meu amigo.
NERY – Eu que agradeço essa troca de ideias e peço para que se estenda a outros artistas da nossa cidade. Precisamos da imprensa do nosso lado. A galera da SETUDEC de Guaíba está bem-intencionada. É a oportunidade que esperávamos. Vamos nos apoiar porque o momento, quem faz, somos nós mesmos, escritores, músicos, escultores, atores, etc.
Um abração a todos e fiquem com Deus!
#salveacultura e #forabolsonaro
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E assim, dessa forma militante, a gente encerra mais uma super entrevista.
Mais um bate papo muito bacana com uma figura interessantíssima de nossa cidade.
Deixo aqui manifesto o meu respeito pela estrada da Los Vatos, admiração pelo Nery e votos de que essa retomada seja de muito êxito para os propósitos da banda.
Que possam, nesse retorno, seguirem por caminhos ainda não explorados e que o som deles possa, para além dos fãs saudosos, encantar também novos públicos dessa geração.
Que seja lindo, que seja bravo, que seja Rock and Roll!
E você, caro leitor?
Gostou dessa conversa?
Deixa a tua opinião e aproveita para dizer quem você gostaria de ver recebendo uma visita do Drone mais frenético dessa cidade.
Posso garantir que talentos bons de papo é o que não falta aqui em Guaíba.
Te espero na próxima escala.
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