Repórter Guaibense

Segunda-feira, 25 de Maio de 2026

Colunas/Geral

A incrível viagem de um diretor

O observador da magia do cotidiano

A incrível viagem de um diretor
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A conversa dessa semana é com o consagrado diretor teatral José Renato Leão. 

Conhecido por seu excelente trabalho realizado a frente do premiadíssimo Núcleo Teatral, Zé Renato, ao longo dos últimos 20 anos, alcançou destaque no cenário estadual, consolidou seu grupo como participante assíduo em festivais e contribuiu para a formação de atores e espectadores sensíveis, além de projetar o nome de nossa cidade por onde passou. 

É com grande satisfação que lhes apresento um pouco mais da história desse artista e educador que ajuda a construir uma cidade melhor. 

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Te ajeita na cadeira que lá vem história. 

Respeitável público, com vocês, José Renato Leão! 

______________ 

DRONE CULTURAL - Quando foi o teu primeiro contato com o Teatro? 

ZÉ RENATO - Por mais estranho que possa parecer, quando criança nunca tive qualquer experiência com teatro. Meu primeiro contato foi quando já era adolescente e precisei encenar uma peça na escola. Depois criei um roteiro para teatro de fantoches que foi um grande sucesso. A partir daí comecei a me interessar pela arte. Passei a frequentar a biblioteca da escola só para procurar livros de teatro. Li toda a coleção de peças infantis da Maria Clara Machado. Um dia encontrei um livro muito interessante cujo título era "Como fazer teatro?", do escritor americano Henning Nelms. Um conteúdo bem técnico e que me trouxe muitas informações importantes naquele momento de descoberta. 

DC – Para ti, o que é Teatro? 

ZÉ RENATO - Teatro é uma imitação da vida, só que melhor. Porque nessa imitação tudo é possível. 

DC – Quais são as tuas referências? Onde você busca inspiração? 

ZÉ RENATO - Minhas referências são tudo aquilo que o meu olhar atento captou ao longo do tempo. Tem certas coisas que uso num espetáculo hoje que fui buscar na memória de algo que aconteceu lá na minha infância. Tenho como referência também muito forte, o teatro produzido em Porto Alegre no final dos anos 80 e início dos anos 90. A inspiração eu busco (tento buscar) em todas as minhas vivências. Um lugar, um fato, uma frase, tudo poder servir.  

DC – Do ponto de vista do fazer teatral, desde a pesquisa até prática, na tua opinião qual é o maior desafio?  

ZÉ RENATO - O maior desafio acho que vem antes mesmo do fazer teatral, que é se dispor a fazer teatro quando tu sabe que a maioria das pessoas não se interessa por isso. Que tu vai precisar concorrer com todo tipo de apelo comercial da mídia popular que bombardeia as pessoas o tempo inteiro com produtos culturais de baixo nível intelectual.  

Da pesquisa a prática é só prazer.  

DC – Como funciona o teu processo criativo, por onde começa? 

 ZÉ RENATO - Uma música uma imagem e a ideia do texto. Tudo vai se moldando e o espetáculo vai sendo concebido. Eu diria que o texto é a base. Começo pelo texto (roteiro). 

DC – Boa parte da comunidade local te conhece e reconhece a tua trajetória como pessoa de Teatro aqui na nossa cidade.  

Ao mesmo tempo, você também possui bastante relevância dentro do nosso ambiente educacional e ocupa um dos cargos estratégicos.  

Conte um pouco sobre como essa tua vocação teatral influenciou na tua trajetória como educador. De que forma o Teatro pode contribuir para a formação?  

ZÉ RENATO - Na verdade as duas coisas sempre caminharam juntas. Comecei a fazer teatro e lecionar paralelamente. Eu ia para a escola de segunda a sexta, e sábado ia para o teatro. Isso fez parte da minha rotina por muitos anos. O Teatro contribuiu e muito na minha formação como professor.

Ariano Suassuna dizia que todo o professor tem que ser um pouco de ator. E é a mais pura verdade. Na frente da sala (palco) diante dos teus alunos (plateia) se tu não for um bom ator, tu nunca será um bom professor. De alguma forma também,  responsabilidade, liderança e domínio de turma são qualidades de professor que levei para o meu trabalho de direção teatral. 

DC – Levando em conta as restrições até mesmo de calendário e estrutura física, como você vê, atualmente, o aproveitamento dessa ferramenta em sala de aula? Como difundir as práticas teatrais no âmbito escolar? Que tipo de políticas públicas devemos criar ou, caso já existam, colocar em prática?  

ZÉ RENATO - Uma coisa que sempre defendi é que o teatro na escola não se restrinja apenas a um recurso para desenvolver esse ou aquele conteúdo, mas que seja o próprio conteúdo enquanto arte. Mais do que estrutura física, algo que restringe o trabalho com teatro na escola é a formação do professor. Com a exceção de alguns poucos professores de Arte dos Anos Finais do Fundamental que tem habilitação específica, a grande maioria sequer teve participação em alguma oficina de teatro.  Qualquer ação que se pretenda fazer precisa obrigatoriamente começar com a formação do professor. Não se pode exigir de um profissional o trabalho com algo que ele não domina, tão pouco conhece. 

DC – O que o Teatro acrescentou na tua vida? 

ZÉ RENATO - Vida. O teatro fez de mim uma pessoa melhor do que eu já era. E me permitiu através dessa arte poder transmitir para os outros um pouco disso. 

DC – Que tipo de aspecto da tua vida tu acha que deve exclusivamente a Arte e ao fazer teatral?  

ZÉ RENATO - O teatro é responsável por muita coisa boa na minha vida. Lugares que conheci, pessoas que conheci… O teatro me tornou uma pessoa mais desinibida, bem resolvida, criativa... As pessoas me admiram e como todo o artista precisa alimentar sua vaidade, isso é bem importante também. 

DC – Como a tua família participa dos teus projetos? Guardam uma certa distância ou se jogam de cabeça também? Como eles encaram essa aventura que é o fazer teatral? 

ZÉ RENATO - Na época em que iniciei ainda existiam resquícios de que artista não é profissão, fazer teatro é bobagem... Um dia conversando com meu pai sobre o assunto, com receio de que me reprovasse, ele comentou sobre artistas que admirava, comediantes como Grande Otelo e Oscarito. Eram as referências que ele tinha. Pra mim foi o suficiente. Minha mãe domina a arte da costura e já confeccionou diversos figurinos para os meus espetáculos. Meu filho praticamente nasceu dentro de um palco e minha esposa é parceira em todo processo. 

DC – Você pode dividir conosco algum momento, dentro da tua trajetória artística, que tenha te emocionado além do "normal"? 

ZÉ RENATO - Interessante dizer além do "normal", porque o normal, pra quem não sabe, é se emocionar sempre. Então escolher um momento desses que tenha sido bem forte… Difícil. Com o Núcleo Teatral foram muitos. Mas eu vou citar um que ainda era com a minha outra companhia de teatro e eu estava atuando no espetáculo "Cadê a alegria que tava aqui?" quando o público aplaudiu uma cena durante o espetáculo, num festival em Erechim. Isso não é comum. Foi uma reação inesperada 

DC – Falando em emoção: Para ti, o que é estar em cena? 

ZÉ RENATO - Vou tentar não ser clichê, mas já sendo… É algo mágico. Não tem explicação. Pisar no palco é transcender o espaço entre a vida e a arte. 

DC – E o que é colocar um espetáculo em cena? 

ZÉ RENATO - É muito trabalho. É ver um projeto se tornando realidade. 

DC – Como é esse olhar de bastidor depois que o espetáculo começa?   

Eu acabo sempre envolvido com alguma parte técnica e fico muito tenso. Mesmo depois de muito ensaio e com tudo correndo dentro do planejado, eu só vou aproveitar um pouco mais lá pela quinta apresentação. 

O que passa na tua cabeça enquanto você assiste o espetáculo em andamento? 

ZÉ RENATO - Comigo não é muito diferente. Também fico envolvido com a parte técnica e dificilmente consigo me sentar na plateia e assistir o espetáculo com tranquilidade. Na cabine de som e luz, que é onde geralmente eu me coloco, passo o espetáculo tentando sentir as reações do público. Como conheço o espetáculo, sei tudo que está acontecendo em cena e nos bastidores. Torço para que nada aconteça de errado e respiro aliviado no final. 

DC – Tens algum ritual que execute antes de entrar em cena? Como é a tua rotina em dia de espetáculo? Muda algo em dia de estreia?  

ZÉ RENATO - Se vou atuar tenho os cuidados que todo o ator deve ter, principalmente com a voz. Na direção o compromisso é maior. Detalhes técnicos de figurino, maquiagem e cenário procuro organizar no dia que antecede o espetáculo. Ensaio propriamente dito, não fazemos. Fazemos apenas um reconhecimento de palco. Já houve algumas vezes que mudei cenas no dia da estreia. Em outros dias também. Sempre me estresso com um ou outro ator, por detalhes nem sempre importantes. Todo mundo já sabe, então acho que lidamos bem com isso. Depois de tudo pronto vem o momento de concentração, onde nos reunimos em círculo, de mãos dadas e eu faço uma fala para os atores, de acordo com o momento.

O objetivo é dar a eles algo em que pensar. Pra finalizar gritamos juntos o nome do grupo. Em certas ocasiões, com as cortinas fechadas, quando os atores já estão posicionados em cena ou nas coxias prontos para entrar, vou até cada um deles, abraço, passo um pouquinho mais de energia e me certifico de que está tudo ok. 

DC – Por mais que nos preparemos, as saias justas estão sempre presentes. No meio de tantas coisas lindas que já aconteceram ao longo da tua experiência, qual foi o maior perrengue que você já passou em cena? 

ZÉ RENATO - Não sei se foi a maior perrengue, mas foi uma situação bem complicada que aconteceu aqui em Guaíba mesmo, ainda no tempo do festival quando estávamos prontos para iniciar o espetáculo e houve uma queda de luz, ou algo do tipo. Como a cortina não fechava os atores já estavam em cena dentro de latões de lixo (eles representavam gatos de rua) e a posição que eles ficavam não era nada cômoda, suportável por alguns minutos, porém o problema na luz demorou mais de meia hora para ser solucionado. Com muitas dores no corpo eles resistiram. Tudo para não perder o elemento surpresa da cena inicial. 

DC – Enfim chegamos ao Núcleo Teatral. Gostaria de me aprofundar um pouco mais nesse assunto. Conta um pouquinho sobre a formação desse grupo tão importante para a cidade. De onde surgiu a ideia e como essa história foi construída? 

ZÉ RENATO - Vou tentar resumir um pouco, afinal são 20 anos de história. Na época eu trabalhava na Setudec e propus uma Oficina de Teatro para adolescentes que resultasse num Núcleo Teatral para pesquisa e montagem de espetáculos. Com o festival que acontecia aqui havia um movimento efervescente nas artes cênicas. Passei para eles toda a minha experiência e fomos construindo juntos uma nova história. Nos primeiros anos foi havendo muitas entradas e saídas de integrantes o que é natural num grupo muito jovem, até que com o passar do tempo foi ficando apenas aqueles que se identificavam mesmo com o teatro e que passaram a formar o eixo principal do Núcleo que existe até hoje. Sempre que precisamos tivemos apoio estrutural do setor público. Porém os recursos financeiros só começaram a entrar quando o grupo começou a atuar de forma profissional e independente.  

DC  O Núcleo Teatral possui uma vasta experiência de participações em festivais e mostras teatrais de diversas cidades gaúchas.  

Gostaria que tu contasses um pouco sobre essas viagens com os colegas de grupo. Sobre essa relação quase familiar que se estabelece em grupos que atuam juntos por bastante tempo. Você praticamente acompanhou o crescimento de todo o teu elenco. Como é essa sensação? O que isso acrescentou para a relação coletiva? 

ZÉ RENATO - Os festivais sem sombra de dúvida fizeram e fazem parte da história do Núcleo Teatral. Participar de um festival é muito mais do que simplesmente chegar lá e apresentar o trabalho. Os ensaios se intensificam, às vezes de madrugada, daí rola aquele lanche coletivo, todo mundo ajuda no cenário, daí vem a inscriçãoa expectativa, a viagem com todos amontoados na van junto com os figurinos, o cenário, a parada no meio da estrada pra fazer xixi, tomar um café. Então vem a chegada no teatro, descarrega a van, monta tudo, apresenta, assiste o debate, chora, ri, conhece um monte de gente, conhece a cidade, vai pro alojamento, assiste outras peças, vem a premiação, tensão, festa, abraços, prêmios, despedidas. Depois volta pra casa, marca uma confraternização, discute os prêmios, faz mudanças no espetáculo e assim vai. Dessa forma criamos os laços que nos fazem essa família chamada Núcleo Teatral.  

Essa intimidade que temos enquanto grupo favorece muito na construção dos trabalhos na medida em que temos mais liberdade para expressar o que sentimos, fazer críticas, ou discutir sobre que linha de atuação seguir. Contribui também em cena, pois se estabelece um clima de segurança e sintonia. 

Leia também: Sensibilidade e diversidade 

DC – Aproveitando que eu toquei no assunto festivais, qual é a sua opinião em relação a importância desses festivais, tanto para os artistas, quanto para o público e para as localidades onde esses eventos culturais são realizados? 

ZÉ RENATO - Eu posso falar sobre isso com propriedade, pois acredito ser um dos artistas que mais participou de festivais de teatro, isso sem falar do Festival de Teatro Infantil de Guaíba em que estive a frente por 16 edições. Em primeiro lugar é preciso dizer que um festival de teatro, como todo o evento, não pode ser uma ação isolada. Aqui em Guaíba aconteciam oficinas de teatro, palestras, ensaios, durante o ano todo e o festival era uma consequência, o ponto culminante. Para os artistas é fonte de renda, oportunidade, reconhecimento. Para o público, emoção, entretenimento. Para as localidades, fomento a cultura e ao turismo. Festivais são de fundamental importância para a troca de experiências e acabam por se transformar talvez no único espaço onde se permite a pesquisa e o risco artístico. Participar de um festival possibilita aos grupos, obter uma visão mais crítica e um aprimoramento dos trabalhos, podendo assim, mostrar ao público em geral, um espetáculo seguro, revigorado e com uma qualidade ainda maior. 

DC – Sei que costumam a encantar por onde passam e, para orgulho de nossa cidade, acabam por trazer muitos prêmios. Divide conosco alguma história bacana sobre as participações nesses festivais. O que esses encontros com o público e outros grupos acrescentam na lapidação do teu talento e no desenvolvimento do trabalho do Núcleo Teatral? 

ZÉ RENATO - Núcleo Teatral foi aos poucos conquistando seu espaço. Isso se deve a uma linha de atuação muito clara e definida. O simbolismo e cuidado estético que caracterizam os espetáculos do grupo já são marca registrada. Nossa atitude modesta e simples também nos facilita a aproximação com outros grupos. Temos muitos amigos e fãs espalhados por aí. Vibramos muito com os prêmios. A primeira vez que recebemos o prêmio de Melhor Espetáculo com "A Cotovia e a Rosa" em Rolante foi muito surpreendente pois era nosso primeiro festival com essa peça e de cara já recebemos 5 prêmios. Depois vieram muitos outros, até que no último festival que participamos, em Rosário do Sul recebemos, além de Melhor Direção e Melhor Espetáculo, os prêmios técnicos e o Prêmio Especial do Juri pela "excelência do trabalho de atuação". 

DC – Esse com certeza é um dos momentos mais confusos que a classe artística já enfrentou. Fomos atingidos em cheio pelas medidas de segurança necessárias, mas que, de um dia para o outro, deixou nossas atividades suspensas. Estamos sendo obrigados a tentar nos reinventarmos de alguma forma. 

O Núcleo estava por iniciar uma temporada de circulação do espetáculo A incrível Viagem do Navio Geringonça aqui pela região Costa Doce.  

Inevitavelmente, foi obrigado a alterar o seu cronograma de execução do projeto. 

Conta para nós como está sendo esse momento para o grupo. Como está funcionando a adaptação do grupo e do teu próprio processo criativo? Qual está sendo a principal dificuldade encontrada e quais pontos estão mais te surpreendendo positivamente? 

ZÉ RENATO - Estávamos encerrando nossa temporada na CCMQ quando recebemos a notícia de que havíamos sido contemplados com o prêmio da FUNARTE pra circular com "A incrível viagem do navio Geringonça" pelos municípios da Costa Doce. Iniciamos as negociações e a agenda, quando veio a pandemia e nos  obrigou adiar tudo. Estamos aguardando orientações para dar prosseguimento ao projeto. É complicado porque o teatro exige contato físico, troca de energia entre ator e plateia 

DC – Ainda aproveitando um pouco mais a temática da pandemia, na tua opinião qual é o papel da Arte nesse momento? 

ZÉ RENATO - Muita gente já falou sobre isso. Talvez eu repita o que já foi dito, mas enfim, penso que não só na pandemia, mas em todos os momentos difíceis pelos quais a humanidade possa passar, a Arte faz parte da cura, da superação. Onde existe Arte existe vida, existe um ambiente saudável e pessoas felizes.  

DC – Que tipo de emoções estimular em um momento tão obscuro na história da humanidade? 

ZÉ RENATO - Justamente isso. Fazer as pessoas entenderem que esse é um momento obscuro. Que é preciso viver esse momento, com a intensidade e a seriedade que lhe cabe. Não dá pra fazer uma quarentena "meia boca". Porque daí as emoções também ficam disfarçadas. É um medo de pegar a doença, mas que não impede de sair na rua. É o amor que se sente por uma pessoa próxima, mas que não se tem o devido cuidado pra proteger. Isso tá errado. Se é pra ter medo, vamos ter medo sim. E ficar em casa.

Se é pra amar, vamos amar, mas amar de verdade. Tem pessoas morrendo. Muitas. Vamos sofrer com isso? Sim. Vamos sofrer com o isolamento? Sim. Vamos sofrer com a falta de recursos? Também. Mas vamos reforçar muito mais nossos laços de amizade, amor, solidariedade. Porque em algum momento vamos superar tudo isso e viver outras emoções. 

DC – Em meio a isso tudo, uma boa notícia para a Cultura e para a Economia é a liberação de recursos através da LEI ALDIR BLANC. 

Esse dinheiro que só pode ser investido no setor cultural, virá em boa hora e poderá, além de auxiliar financeiramente a classe artística, os técnicos de espetáculo e os espaços de cultura, transformar a história cultural de nossa cidade. 

Como você vê a importância dessa lei nesse momento e qual é a tua expectativa atual com relação a isso? 

ZÉ RENATO - Leis de Incentivo sempre ajudam. Acho que transformar a história cultural de nossa cidade não é algo que seja possível, mas deve contribuir pra amenizar as perdas do setor nesse período. Espero que atinja todas as categorias e os recursos sejam distribuídos de forma justa. 

DC – Quais sonhos você alimenta para o seu futuro artístico/profissional? 

ZÉ RENATO - Poder trabalhar com o meu grupo num grande teatro com todos os recursos técnicos disponíveis.  

DC – Adoro essa pergunta: 

Tem algum personagem que você gostaria de interpretar? E, caso você tivesse recursos suficientes, qual tipo de texto/espetáculo você gostaria de montar? Nos teus sonhos mais malucos, por onde tua imaginação viaja? 

ZÉ RENATO - Personagem… não tenho nenhum específico. Acho que é porque eu me vejo muito mais dirigindo do que atuando. Gosto de representar para crianças, personagens bem caricatos. Se eu pudesse montaria o musical HAIR. Sou fascinado. 

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DC – Como você gostaria de ver o Teatro Guaibense e o nosso ambiente cultural nos próximos anos? 

ZÉ RENATO - Eu gostaria de ver o Teatro Guaibense com um espaço físico decente, com condições de atender as necessidades dos grupos. No ambiente cultural espero que haja mais diversidade nas formas de expressão, e entendimento do que realmente é cultura. 

DC – Para quem tem vontade de seguir esse caminho, que conselho você pode dar? 

ZÉ RENATO - Não fique só na vontade. Acredite que é possível. Encontre alguém com a mesma vontade. Use as redes sociais, hoje em dia é tão fácil. Busque informações. Monte um grupo de estudos. Pesquise. Quanto mais a gente conhece sobre determinado assunto, mais a gente gosta. Assista uma PEÇA DE TEATRO (não um standup). Converse com alguém que já possui experiência. Não desista. Não deixe para depois. Faça teatro.  

DC – Alguma referência para seguir, ler ou assistir? 

 RENATO - Tem um espetáculo muito interessante que assisti recentemente que é "Chapeuzinho Vermelho" com direção da Camila Bauer e texto de Joël Pommerat, um dos mais importantes dramaturgos franceses da atualidade, reconhecido por suas narrativas líricas e instigantes tanto para o público adulto quanto infantil, e que nesta obra traz à tona uma espécie de “iniciação ao medo”, como ele mesmo define. 

DC – Estamos encerrando a nossa conversa.??  

Não poderia deixar de agradecer muito a tua disponibilidade para esse bate-papo. Foi um prazer e uma honra conhecer um pouco mais sobre você.  

Esse é um espaço de contato com a nossa comunidade.   

Pensado exclusivamente para dar ainda mais visibilidade aos nossos colegas ao mesmo tempo em que pretende aproximá-los de nossa comunidade local.  

Gostaria que você deixasse uma mensagem para os colegas trabalhadores da Cultura e também para todos os nossos vizinhos.??  

Aproveita também que é ano eleitoral e manda um recado aos pré-candidatos que estão se preparando para o pleito. Vários deles estão sempre por aqui e juntos podemos construir uma cidade melhor. 

ZÉ RENATO - Uma mensagem aos colegas de Cultura: Força. Estamos juntos. 

Aos  pré-candidatos a cargos políticos: Desistam enquanto é tempo. 

___________ 

E aí gostou da conversa? 

Tenho certeza de que muitos dos leitores dessa entrevista tiveram, principalmente nos últimos vinte anos, algum contato com o trabalho do Zé Renato. 

E você, já conhecia o Núcleo Teatral? 

Conhecendo ou não, sugiro que você visite as páginas do Núcleo nas redes sociais. Além de ficar por dentro de tudo que o grupo faz, você ainda vai poder conhecer mais sobre essa trajetória. 

A coluna de hoje acaba aqui, mas semana que vem tem conversa com mais um representante dos trabalhadores da Cultura. 

Está sendo um prazer ajudar a contar essas histórias.  

FONTE/CRÉDITOS: Imagens de arquivo do grupo Núcleo Teatral
Comentários:
Isaque Conceição

Publicado por:

Isaque Conceição

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