A cultura de um povo é um patrimônio a ser zelado, fomentado e bem tratado, trata-se de um meio importantíssimo de obtenção de conhecimento e mantém estreita relação com a educação.
Esclareça-se: estreita relação não significa na mesma pasta, pois ambas (educação e cultura) necessitam de equipes para trabalharem tecnicamente em prol do desenvolvimento delas, preferencialmente de mãos dadas.
Nossa cidade, querida Guaíba, não é cultural. Ela é poli-multi-ultra cultural. São tantos talentos, tantos artistas, temos tanta inteligência cultural que não entendo como nossa cidade amada não tem teatro, não tem cinema, não tem uma casa de cultura eficiente e atuante.
Antes de divagar sobre política cultural, há que se fazer um diagnóstico sobre a realidade cultural de nossa cidade, entender as potencialidades, vislumbrar as fragilidades e trabalhar a cultura em todos os aspectos, buscando diversificar suas formas de expressar.
Esse ano foi atípico, a pandemia impediu essa interação com a comunidade, mas e dos anos anteriores?
Se mapearmos culturalmente nossa cidade, podemos fazer estudos e trabalhos direcionados, promover a diversidade cultural, estabelecer vínculos e dar acesso ao desconhecido para cada comunidade, atuação em parceria.
Sei que somos o “Berço da Revolução Farroupilha” e, apesar desse título garboso, precisamos fazer mais tradicionalismo o ano inteiro, porque aqui no “Berço” só lembramos do vínculo tradicionalista em setembro, com shows de artistas advindos de outros lugares que são remunerados, enquanto os artistas locais da música recebem cachês menores. E os artistas anônimos dos CTGs dessa cidade abrilhantam a festa, recebem cachê?
Também sei que há em nossa cidade, pessoas que trabalham com artes cênicas (atores de teatro, stand-up e cinema) artistas do espetáculo circense, fotógrafos exímios, escritores de diversas áreas, artistas plásticos, artesanato, músicos de todos os estilos e de excelente qualidade, mas por onde andam todos esses baluartes culturais de Guaíba?
Pergunto e já respondo: Procurando lugar para fazer carreira, para apresentar seu trabalho ou ao menos para expor suas obras ou então escondido no quarto esperando que alguém venha lhe pegar pela mão e levar até o futuro.
Até porque o público da nossa cidade também não é muito prestativo com a cultura. Põe um show local, ao invés de lotar e mostrar que somos unidos pela cultura local, prefere ficar em casa com a bunda no sofá babando na televisão que vai anulando cada vez mais o desenvolvimento cultural.
“Respeitável público! ”
Por favor voltem a ser respeitável e busque a cultura local, ensine seu filho, seu sobrinho, seu neto a ouvir música de seu amigo, a ler o livro do escritor local, ver a peça de teatro, assistir ao filme, ir na exposição, comprar artesanato...
Guaíba recebeu verba da lei Aldir Blanc e fez o chamado para que os artistas atuantes da cidade apresentassem seus projetos para usufruir dessa lei e jogar ao mundo seu trabalho. Houveram poucos que procuraram seu espaço.
Portanto está na hora de largar as armas, deixar de apontar o dedo e darmos as mãos, Guaíba é um polo cultural, pode trazer turistas, dinheiro e reconhecimento para o município, basta que fomentemos espaços, levantemos do sofá e lotemos as salas para que a cultura se manifeste.
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