Os homens têm relação com a bicharada desde seu surgimento. Na história da criação, a cobra participa do princípio de tudo, nas buscas arqueológicas, nos estudos antropológicos e em outras áreas, sempre há uma conexão dos humanos antigos com os animais, basta lermos sobre antigas civilizações e em algum símbolo ou artefato estará um animal estampado.
Tenho um irmão de coração que diz cheio de orgulho, que seus antepassados foram ginetes de dinossauros, as primeiras loncas de couro eram do bicho Rex pra fazer laço forte, bueno mas essa é outra história.
A questão é que, ao convivermos com os animais, por vezes nos apegamos de tal forma que os tornamos de estimação, aproximamos seu convívio das casas e de seus habitantes e damos conotação familiar a eles.
Essa convivência nos aproxima de muitos sentimentos: apego, carinho, saudade, afeto, preocupação e por aí vai... também demonstramos nosso gesto de cuidar!! Companheiros, estão em nosso dia a dia no convívio familiar, fazem parte da lida de trabalho e até das competições. Enfim, lá estão com o ser humano, lado a lado, nos oferecendo um olhar atento e carinhoso.
Os animais contribuem, inclusive, para nossa saúde emocional. Eles são colaborativos, proporcionam vantagens físicas e psicológicas aos seres humanos.
Porém, como lidar quando estes fogem da gente?! As emoções ficam a flor da pele, é uma confusão generalizada! Sensação de culpa, questionamentos sobre a falta de atenção, talvez, do momento! Afinal, são como membro da família! A sensação de reencontro é inexplicável, vem o alivio de ambos os lados, a alegria toma conta e animal faz questão de demonstrar ao seu dono que reconhece a importância do reencontro.
E quando esta perda é definitiva e eles passam a ser uma estrela no céu a nos cuidar de lá?! Precisamos então, lidar com a saudade deste Ser e sua falta eterna e nos dias.
Dom Barulho tinha apreço e respeito pelos animais, tinha pato, peru, galinha, galo de rinha, cachorro (su perro como gostava de falar), cavalo, além de ter na bagagem o histórico de capataz de estância, lidando com a cavalhada e o gado.
Pois Dom Barulho dizia: observe os animais e aprenderá muitas coisas sobre a natureza.
Quando nos reuníamos, a netaiada e o velho avô ele mostra um João de Barro que carregava no bico os galhinhos de plantas depois o barro e construía sua casa, os sabiás que rodeavam as árvores para sorver uma laranja ou uma bergamota, uma galinha que cisca o chão buscando um farelo ou uma minhoca, um quero quero que avisa a aproximação de alguém, os bichos são parte do todo e ele ainda mandava o recado:
“Se não cuidarmos, tudo isso pode acabar, afinal no concreto dos edifícios os bichos não conseguem estabelecer sua vivência com a natureza”.
Por isso sempre que nossos pais nos presenteavam com um cachorro ou outro bicho de estimação, ele dava bons conselhos, dizendo que se cuidássemos e não deixássemos de dar atenção aos bichos, a retribuição seria ainda maior, afinal quem recebe carinho aprende que carinho faz bem e retribui, essa é a lei da natureza.
E Dom Barulho sempre trazia os melhores ensinamentos...
Homens e animais desde antanho convivem no mesmo planeta, uns com inteligência outros com servidão, mas sempre cumprindo de forma harmoniosa seu papel.
Comentários: