Se existe algo que está constantemente em movimento é o folclore, afinal folclore é o conhecimento popular, no folclore percebemos a identidade social de um povo, através de atividades culturais, transmitido de geração a geração.
O folclore não fixa nem tolhe o desenvolvimento com o passar do tempo, ele pode se atualizar acompanhando a contemporaneidade, mas sem nunca perder a essência.
O folclore envolve música, dança, festas populares, artesanato, brinquedos e brincadeiras, crendices, lendas, religiosidades, usos e costumes, entre outros.
Um fato torna-se folclórico principalmente quando tem aceitação coletiva e funcionalidade social, com as pessoas de uma mesma comunidade desenvolvendo as atividades que permeiam as gerações.
Vejam as danças tradicionais, são também de projeção folclórica, pois retratam os hábitos antigos dos nossos antepassados, quando em um baile, porém com recursos atuais. Por mais que tentemos ser o mais tradicional possível, algumas coisas da época ficam quase impossíveis de reproduzir.
Em países vizinhos o folclore tem intensa permeabilidade através das escolas primárias, com alunos conhecendo desde cedo os contos, lendas e as danças. A escola é uma potente ferramenta de fomento da cultura popular.
Assim como as instituições escolares, nós todos temos um papel importante na multiplicação do folclore. Talvez, neste primeiro momento ao ler esta linha, fica grandioso, não é mesmo?! E acreditamos, que realmente seja! Porém, pode estar nos pequenos gestos, fazemos até sem perceber.
Na nossa família, seja ela sanguínea ou aquela que escolhemos, ao repetirmos hábitos dos usos e costumes, já estamos dando seguimento ao nosso folclore, ao dialogarmos com os mais velhos para aprendermos o que aqui acontecia, ou ainda, ao compartilharmos com os mais jovens sobre nossas histórias vividas, para despertar a curiosidade e o interesse sobre o que é do nosso chão sulino, já estamos dando seguimento, na tentativa de que não se perca.
Nossos antecessores fizeram isso, com as possibilidades que tinham na época e após conseguiram deixar registros formais, então, com base construída, vamos alimentar nosso saber e fomentar o assunto em diferentes contextos, por exemplo: rodas de conversa, postagem nas redes sociais, aproveitar aquele olhar curioso das crianças, ambiente de trabalho, grupos de convívio, etc.
Cada um de nós carrega um pouco e tem com certeza a oferecer! Poderá parecer no primeiro momento, que o outro não está muito interessado pelo assunto ou ainda, não ter aprendido muito. Bem, mas aí pode ser um julgamento. A pessoa levará o que faz sentido para ela e assim, de maneira muito simples, o folclore segue se propagando.
Dom Barulho uma vez (num passado remoto), sentado ao pé de uma frondosa figueira, secava o suor do rosto enquanto desencilhava, para usar os arreios como banco e deixar o pingo descansar da lida.
Eu, no meu petiço baio, acompanhava cada movimento e também desencilhando, perguntei porque o gaúcho usava o laço como ferramenta de trabalho.
Ele me disse que isso foi algo passado de nossos mais primitivos antepassados, os ameríndios já trançavam laços que era parente próximo da boleadeira, para usar nos animais. Para sujeita-los ou prendê-los e assim lidarem com eles de forma segura, sem enfrentamento corpo a corpo.
Com o passar do tempo, o hábito do laço atinge todos os recantos e adentra de vez no folclore deste povo.
Hoje, fazendo uma projeção, os rodeios de entidades tradicionalistas, apresentam o tiro de laço como algo folclórico, mantendo a tradição dos nossos antepassados de um jeito contemporâneo.
Esse Dom Barulho, sempre nos surpreendendo...
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