Desde o início da pandemia, no ano passado, a atuação do Ministério da Educação (MEC) tem sido frágil, não se viu orientações efetivas para a condução da educação no cenário pandêmico. Foi público e notório que as redes estaduais e municipais Brasil afora assumiram, em meio a muitas dúvidas e algumas poucas certezas, a administração da pandemia em quase todos os seus setores, dentre eles, o educacional, criaram e geriram seus formatos, orientam a atuação dos profissionais da educação e a participação de estudantes.
Enquanto isto, no Ministério da Educação, o que se viu foi uma constante troca de chefes da pasta. Iniciamos o período pandêmico com Abraham Weintraub, que acabou deixando a pasta em meio a ações e declarações escandalosas. Logo após houve um fato raro, um ministro teve sua indicação e nomeação publicada no Diário Oficial da União, porém não chegou a tomar posse, foi Carlos Alberto Decotelli que deixou o cargo envolvido em denúncias sobre seu currículo. O cargo ficou vago por pouco mais de um mês e então foi empossado o atual Milton Ribeiro.
Milton Ribeiro tem feito declarações infelizes desde a sua posse, mas vou relembrar aqui algumas classificadas como “pérolas”, inicio com a que o ministro diz que ser professor no Brasil é quase uma declaração de que não conseguiu fazer outra coisa, sigo então com a que ele diz que a universidade deve ser para poucos mesmo, e encerro com a mais atual, na qual fala que alunos com deficiência atrapalham o aprendizado. Você não leu errado não, é isso mesmo! E percebam que só relembrei três...
E como se não bastassem as declarações, ainda convivemos com alguma iniciativas equivocadas do Ministério, como a intenção de inserir o livro didático na educação infantil, contrariando a própria BNCC, no sentido em que o objetivo desta etapa tão fundamental na vida de qualquer ser humano não é alfabetizar. Há tanto que se realizar nesta etapa, tanto a estimular, materiais e espaços a explorar, não cabe, na minha opinião tal iniciativa. Mas este é um assunto tão especial que merece uma coluna inteirinha só para ele, e terá!
O governo federal abriu mão de qualquer tipo de gestão educacional durante a pandemia, houveram pouquíssimos investimentos, ao contrário, foram reduzidas ainda mais as verbas orçamentárias para as universidades, institutos federais de educação, bolsas de pesquisas. Houve também a intenção de interferir na elaboração da prova do ENEM, realizada pelo INEP, a polêmica implantação do Novo Ensino Médio, entre tantas outras ações que demonstram falta de organização, coordenação. Cabe aqui citar também a constante troca de diretores das pastas dentro do próprio Ministério e Institutos ligados ao mesmo, o que gera instabilidade e pouca confiança em programas mais elaborados e a longo prazo.
Não se vê um rumo a ser tomado, objetivos traçados de forma uniforme para a educação como um todo, uma unidade dentro do país. Quando se tenta analisar as políticas educacionais a nível de MEC, o que nos sobra são dúvidas, muito mais questionamentos do que respostas. Li em julho, uma notícia na qual o Ministro dizia ter ficado envergonhado sobre o retorno das aulas, em uma reunião com o G20 (Grupo das 20 maiores economias do mundo) e então concordei com tal afirmação, pois a vergonha é toda dele mesmo, Ministério que se manteve ausente na administração da educação durante o período pandêmico, e ainda se mantém.
Enquanto isso, no Brasil real, as universidades, os institutos federais, os pesquisadores, as redes, os gestores, os profissionais da educação, os estudantes e as famílias vão lutando como podem para combater a exaustão emocional, a pandemia, a evasão escolar, a falta de conectividade, de alimentos, de saúde, de estímulos para amenizar as perdas educacionais, procurando formas de avançar e não “atrapalhar” o aprendizado no país. A estes, o meu aplauso!
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