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Segunda-feira, 06 de Julho de 2026

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Perdemos mais um

O HIV ainda existe, e o preconceito também

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Fiquei pensando no que escrever essa semana, muitas coisas tem me incomodado nos últimos dias com injustiças sociais e falta de corresponsabilidades. Então me deparei com uma situação que me chocou muito!
  
Não sei se vocês sabem mas trabalhei muito tempo junto as escolas e em políticas de prevenção a infecções sexualmente transmissíveis, além de ter militar no movimento LGBTI+. Todas as vidas importam e merecem respeito e cuidado. 

Pois então... fui visitar um velho amigo que não via a muito tempo. Quando cheguei ele havia recém retornado de uma homenagem feita por uma escola onde o amigo dele trabalhava, eu não conhecia o rapaz, ele estava muito abatido.  Então ele me contou que o amigo dele havia falecido a pouco tempo, um jovem entre 26 e 30 anos, professor, gostava de vídeo game, divertido. Eu pergunto, mas faleceu do que? 

Eis que me contam a história de que o rapaz estava muito ansioso por não estar se sentindo bem, fazia vários testes para covid e todos negativos mas, seguia se testando. O rapaz então vai ao médico que o examina e o diagnostica com mononucleose, dando os remédios para tratamento. Alguns dias depois meu amigo, em diálogo com o rapaz, percebe que, na troca de whatsaap, se comunicava de forma confusa.  Algumas horas depois soube que o rapaz parou na UTI e estava com meningite, ou seja, a fala estava confusa por que ele entrou em delírio  por causa da doença. Fizeram vários testes e, eis que, HIV positivo, em alta. O rapaz vem a óbito logo depois. 

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Esse jovem não morreu de meningite, apesar de a notificação ter sido essa. Ele morreu de HIV e nenhum médico que ele passou antes se disponibilizou a fazer o básico! Sabem por que? não se fala mais em prevenção, não se fala de prazer, não se fala de vida e, por isso, acham que não existe mais HIV e os índices aumentam a cada dia. Uma pessoa morreu de HIV em 2020, jovem, superior completo, buscou o serviço de saúde e foi negligenciado. 

Aí eu escutei de colegas de saúde. Haa... mas ele não se cuidou, foi irresponsável. Gente, ele não teve como saber por que não se fala nisso. Por exemplo, ninguém sabe, pelo menos que eu conheça, que ao escovar os dentes e passar fio dental entes do sexo oral tem risco de contaminação, por que se abrem fissuras na gengiva e aí tem risco. Isso acontece com todo mundo que faz sexo oral.  As pessoas não tem culpa de ficar doentes e precisamos discutir a formação das redes de saúde. 

Muitas forças movimentam um espaço de formação com profissionais de diferentes setores, áreas, formações num tempo vivido com a duração de intensidades que não temos como medir... É preciso desnaturalizar práticas no cotidiano que carreguem discursos cristalizados. Assim, cabe aos protagonistas da saúde entender que a participação dos mesmos no processo de educação em saúde só se justifica se implementado, menos como ações pontuais de educação à saúde, mas na potencialização da ação do profissional de saúde, o que se dá através da oferta de cursos de formação continuada ou atualização voltada para os mesmos.

Os preconceitos afetam diretamente nossas relações, nosso Sistema único de Saúde (SUS), nossa educação, nossas vidas. Essa coisa de moralidade, tabu, ideologia de gênero (nem existe isso), tudo desculpa pra matar aqueles que são diferentes daqueles que se dizem “normais”. Vamos parar de pensar só nos nossos umbigos e olhar para os lados e processos históricos, sejamos mais coletivos, empáticos. O momento pede isso.

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Vinicius Pasqualin

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Vinicius Pasqualin

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