Hoje, dia 28, é o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. Mas você sabe a razão pela qual esse dia existe? Aliás, você sabe o que significa LGBTQIA+?
A sigla sofreu diversas modificações ao longo dos anos, do GLS ao LGBTQIA+, o movimento, no início dos anos 90, era conhecido como Movimento Homossexual Brasileiro (MHB), e o termo ‘gay’ era usado como guarda-chuva para todas as identidades da sigla. Como estratégia de marketing e de mercado, a sigla GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) foi adotada. Por volta de 2005, a sigla passou a incluir pessoas bissexuais e transgêneras, tornando-se GLBT.
Com o intuito de dar maior visibilidade às lésbicas e reconhecer a interseccionalidade entre gênero e orientação sexual, influenciado pelo movimento internacional, em 2008, a sigla tornou-se LGBT. Conforme o avanço dos estudos de gênero e orientação sexual, a sigla atual é LGBTQIA+, com o intuito de abarcar as diversas identidades existentes.
Diante disso, é importante sabermos o que significa cada letra:
L (lésbicas): mulheres que se atraem sexual/afetivamente por outras mulheres;
G (gays): homens que se atraem sexual/afetivamente por outros homens;
B (bissexual): pessoa que sente atração sexual/afetiva por mais de um gênero;
T (transgêneras): pessoas cuja identidade de gênero é diferente daquela que lhe foi atribuída ao nascer, com base na classificação de seu sexo biológico;
Q (queer): pessoa que foge ao padrão social cisheteronormativo, não se submetendo à binaridade de gênero e atribuição de papéis performativos, podendo ou não assumir identidades neutras ou transacionar entre as pré-estabelecidas.
I (intersexo): pessoas cujo desenvolvimento sexual corporal não se encaixa no padrão dos sexos feminino ou masculino, podendo não se desenvolver completamente como nenhuma delas ou se desenvolver como ambas;
A (assexual): pessoa que não se atrai sexualmente por outras pessoas;
+: abarca todas as identidades existentes, ainda que não definidas ou pré-estabelecidas antes.
Essa sigla não representa apenas letras e palavras, mas sim pessoas, identidades, vidas.
Ao contrário do que muitos pensam, a comunidade LGBTQIA+, ao ostentar orgulho, não busca privilégios, mas apenas igualdade.
Se comparado a outros países, o Brasil é infinitamente avançado em se tratando de direitos LGBTQIA+, considerando que há países que sequer é permitido ser homossexual, na Arábia Saudita e na Somália, por exemplo, a homossexualidade é punida com pena de morte. No Brasil é permitido casar, adotar, e viver livremente enquanto gay, lésbica, bissexual, travesti, pessoa trans, intersexo, etc.
Mas até que ponto a população LGBTQIA+ pode, de fato, viver livre?
Ainda que progressista quanto aos direitos, o Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo. Aqui, a expectativa de vida de uma pessoa trans é de 35 anos, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), enquanto a expectativa média de vida da população brasileira é de 76 anos. Por quê?
Por qual razão o país que assegura direitos e se fundamenta baseado na dignidade da pessoa humana e na liberdade dos seus indivíduos, na prática, pune quem permite se aceitar como é.
Por isso a necessidade de orgulhar-se. Pela necessidade de resistir, diariamente, é que se deve orgulhar.
Enquanto houver pessoas sendo assassinadas, violentadas, espancadas, apenas por serem quem são, não podemos nos calar.
Não se pode mais aceitar que o diferente seja rechaçado e excluído. Não se pode mais aceitar que somente duas identidades sejam validadas.
Afinal, que graça tem sermos todos iguais?
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