A cachorrinha Pandora, em sua triste trajetória entre Recife/Guarulhos/Santa Catarina, onde foi negligenciada pela Gol na conexão de avião em Guarulhos, fez o Brasil acompanhar e sofrer junto com Reinaldo, seu tutor, que buscou por ela por 45 dias ininterruptos.
Para quem não acompanhou o caso, segue um pequeno resumo: uma cachorrinha foi perdida dentro do terminal de cargas da empresa no aeroporto de Guarulhos. A empresa Gol apenas após decisão judicial manteve o serviço de Busca Pet, bem como prestou assistência com as despesas do tutor, até a resolução do caso. Foram 45 dias de busca pela cachorrinha numa cidade desconhecida e de extremo perigo para animais nas estradas. O tutor de pandora, Reinaldo, ficou fortemente abalado, tendo perdido 12 KG e um emprego na Suíça. O que mais chocou é que a cachorrinha não foi longe e na verdade estava nas imediações do aeroporto, ou seja, ficou claro que, se a empresa tivesse se empenhado, teriam resolvido o caso mais rapidamente.
Reinaldo perdeu muito como vítima e a imagem da empresa perdeu também, por escolha dela.
A companhia aérea falhou. Falhou muito. Falhou quando deixou a cachorrinha fugir por não ter uma pessoa responsável pelos animais; falhou por não ter prestado a ajuda necessária ao tutor desesperado.
Chegaram a chamar o tutor e a perguntar “quanto ele queria em dinheiro”, como se fosse um caso a ser corrigido apenas com dinheiro. Falhou.
Foram tantos erros e falta de interesse que o tutor da Pandora começou a ter o apoio nacional de muitas pessoas ligadas à causa animal, gerando comoção e uma verdadeira corrente do bem na busca por ela.
No Brasil tem acontecido casos semelhantes de morte de animais durante o transporte aéreo. Nem todos tiveram repercussão igual ao caso da Pandora e talvez, isso tenha acontecido para que todo este descaso mude definitivamente as regras e a legislação atual.
Se pararmos para pensar, é um absurdo transportar um animal, ser vivo senciente, junto com objetos como se também fosse uma “coisa”.
Outros casos recentes ocorreram e foram amplamente divulgados pela mídia nacional, como em setembro de 2021, quando um cachorro morreu após um vôo entre Rio e SP. Sua tutora, uma estudante de 24 anos, cobrou a companhia aérea LATAM por possíveis maus-tratos contra seu cachorro de estimação, que acabou morrendo após passar algumas horas aos cuidados da empresa, ou seja, ficou no calor absurdo, desidratando das 13h53 até as 15h30.
Em outubro de 2021, outro cão morreu em vôo da Latam entre SP e Aracaju. Neste caso, foi um cão da raça American Bully, que morreu por asfixia. Segundo laudo veterinário, o cão teria roído "a caixa de transporte em que estava e se asfixiou”.
Em janeiro de 2022, a Gol teve outra ocorrência de morte de cão transportado dentro da cabine do vôo entre Belém e Manaus. De acordo com a Gol Linhas Aéreas, responsável pelo vôo, a temperatura aumentou durante a apuração de um possível problema técnico em um dos motores, porém a temperatura dentro da cabine subiu muito e a cachorrinha da passageira não resistiu. Agora, imaginem se os animais estivessem no compartimento de cargas?
Enfim, o transporte de animais em aviões é um serviço muito caro e o serviço destas companhias é de total negligência e desrespeito a vida.
Hoje, a única restrição nas viagens é quanto aos braquiocefálicos, que são animais que apresentam o focinho mais curto e, por isso, têm dificuldade de respirar, como as raças Pug e Shih Tzu. Referente aos demais, nenhuma restrição além é exigida, apenas estar com vacinas em dia, ou seja, não existe uma regulamentação clara e objetiva em vigor no Brasil.
O correto seria que cada companhia tivesse uma equipe especializada e treinada para separar e monitorar os animais nos bagageiros e supervisionar os mesmos durante o vôo e nas escalas até o destino. Importante também que se melhore o local onde os animais ficam durante o vôo para não ficarem no escuro e com bruscas mudanças de temperatura e pressão.
Enfim, todos estes tristes casos nos fazem refletir sobre o quanto devemos nos envolver e cobrar para que sejam elaboradas leis federais que regulamentem com urgência o transporte de animais em aviões.
Ninguém quer estar na pele do Reinaldo, tutor da Pandora, que para conseguir o mínimo de ajuda da companhia precisou entrar com ação judicial quando se viu sozinho em São Paulo, local desconhecido para ele, dependendo da ajuda de estranhos. Ele teve seu emocional destruído, pois ninguém gostaria de saber que seu animalzinho amado e cuidado ficou desprotegido, perdido num local extremamente perigoso, com medo, fome, frio e sede por 45 dias, podendo ter sido atropelada e morta. O final foi feliz por ela estar viva, mas totalmente desnecessário e desgastante para a vida deles.
A partir deste triste episódio esperamos mudanças na legislação e na postura das empresas, afinal, quem hoje levaria seu pet para viajar sem temer que ele chegue em segurança no destino?
Precisamos pressionar e participar dos processos e abaixo-assinados para mudança da legislação.
Quem sabe venha a Lei Pandora? Precisamos para ontem!!
Alguns sites estão reunindo assinaturas para cobrar mudança na legislação, segue link: https://chng.it/bdQx9vKK9G
Assine e vamos fazer a diferença!
ANIMAIS NÃO SÃO COISAS!!
Comentários: