O mês de novembro foi bem agitado pro povo da dança, aliás para o povo da chula, da declamação, da cantoria, da gaita, foram bastante eventos neste mês.
Tivemos mais uma edição do ENART o Encontro de Artes e Tradição Gaúcha que ocorreu na cidade de Santa Cruz do Sul/RS, entre os dias 18 e 20 de novembro.
Dentre os festivais e encontros referente as artes tradicionais, o ENART é a continuidade do FEGART que veio do extinto MOBRAL, festivais que alavancaram a dança gaúcha no cenário nacional.
Para chegar à final do ENART os grupos de diversos CTGs (Centro de Tradições Gaúchas) de todos os recônditos do Rio Grande trabalham e investem pesado para a disputa do primeiro lugar.
São horas de ensaio, muito trabalho para levantar uma verba em eventos promovidos pelas entidades, e ajustes de coreografias.
Um final de semana intenso e empolgante para quem ama o mundo das artes, apesar do estádio vazio, por conta do custo do ingresso, nada tira o brilho das apresentações no palco principal.
Ainda bem que em tempos de hoje, temos o recurso da internet e foi possível acompanhar ao vivo de qualquer lugar deste mundão!! Afinal, temos gaúchos em outros pagos, além daqueles que são apreciadores da nossa cultura. Nos trouxe também a possibilidade de termos registros de mais uma edição, pois em tempos de outrora era somente a memória e as fotos de quem esteve presente.
Foram momentos ímpares com muitos espetáculos de entradas e saídas com temas variados e suas coreografias e trajes distintos, uma pegada mais roliudiana devido a liberdade de abordagem de temas e uso de trajes.
São uma caminhada de um ano inteiro para investir horas e horas de ensaio, custo com indumentária, musical, coreógrafos, alimentação, transporte e algo mais que possa ter esquecido, que se resumem em três danças que precisam estarem impecáveis para levar os grupos ao lugar mais alto do pódio.
Tivemos dois representantes de Guaíba/RS no evento, na categoria Danças Tradicionais, o CTG Darci Fagundes e o CTG Caudilho Guaibense, fazendo bonito pela cidade e por suas entidades.
É assim, a dança unindo comunidades, transbordando de união e trabalho as entidades, formando verdadeiras famílias.
São inúmeras madrugadas juntos ensaiando, discutindo e polindo as danças, até brigando para que tudo fique perfeito, afinal família é assim, nem tudo são flores o tempo todo.
A dança é uma ferramenta de transformação social forte e maravilhosa, congregando pessoas diferentes em um mesmo propósito.
E por falar em proposito diferente, neste final de semana (26 e 27 de Novembro), ocorreu o Curso de Atualização Musi-coreográfica de Danças Inéditas Tradicionais Rio-grandenses, ministrado por Moacir Gomes e Rodrigo Gil. Mas como assim danças inéditas??!! Pois é senhores, sempre se há oportunidade de aprender mais não é mesmo?! As danças que tiveram suas pesquisas iniciados por Paixão Cortes, por exemplo, mas poderíamos também citar outros que contribuíram para este histórico, agora, mesmo acabamos de mencionar mais dois, que com muita curiosidade, atitude e interesse escreveram mais um livro de danças, deixam registros e legado para a geração do hoje e as que ainda virão.
E agora em outro contexto, porém, com o mesmo objetivo, que é de manter a cultura viva, estavam neste curso instrutores e dançarinos tradicionalista, durante horas, aprendendo, trocando conhecimentos e vivencias. Satisfação enorme, pois bebemos direto da fonte os ensinamentos daqueles que viveram a pesquisa! Nós também estamos lá (Mário e Tainara), acompanhados dos nossos instrutores e integrantes da invernada veterana do CTG Gomes Jardim.
Diante destes dois exemplos que brevemente descrevemos hoje, veja que bela ferramenta social, a dança nos é! Onde pessoas se reúnem para o bem conviver, onde aprendemos uns com outros, pelo simples gesto da troca, de olhar para o lado e vermos que todo aquele coletivo está executando o passo e a dança acontece! Além da dança, aprendemos a conviver em grupo e respeitarmos as diferenças um dos outros, o que se torna um grande desafio para aqueles que conduzem. Porém, as diferenças são agregadoras, evoluímos como pessoas, temos a oportunidade de ver as situações sob outra perspectiva.
A dança eleva nosso ser, embala a nossa alma e atrai os bons fluídos que a vida tem a oferecer. Dance e sinta seu corpo, mente, alma e coração embalarem na sintonia da bondade, do amor e do afeto, depois embale o mundo a sua volta, na mesma dança que te faz feliz!
“Que o maior presente entre as pessoas, sejam a bondade e o amor fraterno!”
Mário Terres e Tainara Moraga
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