Repórter Guaibense

Segunda-feira, 06 de Julho de 2026

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A sucessão no galpão

como tudo na cultura gaúcha, sua continuidade está baseada na sucessão de geração em geração...

A sucessão no galpão
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Os galpões de CTG (Centro de Tradições Gaúchas) são elementos vivos da sociedade, uma extensão do Estado para desenvolvimento desta.

Cada galpão conta com um quadro diretivo, chamado dentro do Movimento Tradicionalista de “Patronagem” e, trabalhando junto dessa, outros departamentos com cuidados relativos ao desenvolvimento da cultura tradicional.

Temos geralmente os seguintes departamentos:  Artístico, Campeiro, Esporte, Social e Cultural, que trabalham para fomentar e dar continuidade às artes correlatas entre a sociedade.

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Hoje vamos conversar mais um pouco leitor sobre o departamento cultural, este trás dentre as suas responsabilidades, um apêndice de fusão cultural, campeiro e artística, que é o concurso de prendas e peões, pois para que possam representar sua entidade tradicionalista (CTG) é preciso que se preparem através de orientações, estudos (história e geografia, folclore e tradição) para realizarem a prova escrita, há também o momento artístico, onde o participante irá apresentar uma dança e no caso dos peões, serão duas, além disso deverá apresentar uma declamação ou cantar ou tocar um instrumento. E os bem pequeninos, sim... eles também já participam com toda a espontaneidade de uma criança, estes ainda poderão contar uma lenda.

 Ah, mas não param por aí, ainda temos para os peões a prova campeira e para a prenda veterana, a mostra de servir uma boa mesa (refeição completa). Todos deveram também fazer uma narrativa sobre um tema tradicionalista ou sobre projeto desenvolvido, esta etapa tem por objetivo demonstrar e desenvolver a habilidade de comunicação.

Importante considerar que a estrutura do concurso de prendas e peões, ocorre através de um regimento específico com diretrizes encaminhadas pelo MTG (órgão normativo) e partir deste para fins de etapa interna, poderá o CTG ter especificações no seu estatuto. As categorias são: Bonequinha, Prenda Mirim, Prenda Juvenil, Prenda Adulta e Veterana, Piazito, Piá, Guri Farroupilha, Peão Farroupilha e Veterano.

Veja bem, nos parece que não é fácil portar uma faixa e um crachá, não é mesmo?! Trata-se de um grupo tradicionalista muito especial, que trabalha para propagar a cultura e representar seu CTG, por onde quer que vão.

E como tudo na cultura gaúcha, sua continuidade está baseada na sucessão de geração em geração e no quadro de prendas e pões não é diferente. A gestão de cada prendado tem um tempo previsto de um ano e estes se dedicam para deixar um legado e assim fomentar a participação de outros integrantes da entidade, na intenção de suceder um trabalho iniciado.

O prendado, como é chamado o quadro eleito de prendas e peões, carrega consigo a oportunidade de atuarem em equipe, se desenvolverem como tradicionalistas e integrantes de uma sociedade.

As responsabilidades são muitas, mas a alegria, o bom convívio, a sensação de dever comprido ao término de cada prendado, reforçar e da fluidez a sucessão e continuidade da tradição.

E para expressar este bonito momento que é realizado pelos participantes e por suas famílias, trazemos à vocês os versos de Mário Terres:

 

 

Troca da guarda

 

Eis que um ciclo se fecha

Pra um novo começar

A vida é feita de ciclos

De um contínuo caminhar

Quem se despede deixou

Algo de bom, um legado

Quem chega traz esperança

Que tudo será renovado

 

Pois sempre é bom renovar

Trazer ares novos, vigor

tudo em nome da tradição

Tudo que nasce do coração

Feito com afeto e amor

 

Nesse simbolismo de faixas

Crachás e muita felicidade

Muito trabalho e afinco

Com perseverança e humildade

Isso é o que será preciso

Nessa outra caminhada

Aprender das coisas de essência

Da história dessa Querência

Pra florecer a jornada

 

Essa é a troca da guarda

Guardiões eternos da chama

Um fogo que nunca apaga

Em cada alma ele clama

O calor de Paixão Cortes

Barbosa Lessa e outros tantos

Que põe a gente aos prantos

Cantando nossas façanhas

Das nossas sinas e sanhas

Do amor pelo nosso estado

Tudo que nesse CTG

Se transmite por legado

 

Antes do ego, a entidade

Antes do eu, seremos Nós

Fazendo pela sociedade

Num cântico a mesma voz

Porque esse caminho é longínquo

De imensidão sem fim

Mas somos família guerreira

Cultural, artística e campeira

Os filhos do Gomes Jardim

 

                   “Que o maior presente entre as pessoas,                                                                                                                                            sejam a bondade e o amor fraterno!”

                                 Mário Terres e Tainara Moraga

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