Os galpões de CTG (Centro de Tradições Gaúchas) são elementos vivos da sociedade, uma extensão do Estado para desenvolvimento desta.
Cada galpão conta com um quadro diretivo, chamado dentro do Movimento Tradicionalista de “Patronagem” e, trabalhando junto dessa, outros departamentos com cuidados relativos ao desenvolvimento da cultura tradicional.
Temos geralmente os seguintes departamentos: Artístico, Campeiro, Esporte, Social e Cultural, que trabalham para fomentar e dar continuidade às artes correlatas entre a sociedade.
Hoje vamos conversar mais um pouco leitor sobre o departamento cultural, este trás dentre as suas responsabilidades, um apêndice de fusão cultural, campeiro e artística, que é o concurso de prendas e peões, pois para que possam representar sua entidade tradicionalista (CTG) é preciso que se preparem através de orientações, estudos (história e geografia, folclore e tradição) para realizarem a prova escrita, há também o momento artístico, onde o participante irá apresentar uma dança e no caso dos peões, serão duas, além disso deverá apresentar uma declamação ou cantar ou tocar um instrumento. E os bem pequeninos, sim... eles também já participam com toda a espontaneidade de uma criança, estes ainda poderão contar uma lenda.
Ah, mas não param por aí, ainda temos para os peões a prova campeira e para a prenda veterana, a mostra de servir uma boa mesa (refeição completa). Todos deveram também fazer uma narrativa sobre um tema tradicionalista ou sobre projeto desenvolvido, esta etapa tem por objetivo demonstrar e desenvolver a habilidade de comunicação.
Importante considerar que a estrutura do concurso de prendas e peões, ocorre através de um regimento específico com diretrizes encaminhadas pelo MTG (órgão normativo) e partir deste para fins de etapa interna, poderá o CTG ter especificações no seu estatuto. As categorias são: Bonequinha, Prenda Mirim, Prenda Juvenil, Prenda Adulta e Veterana, Piazito, Piá, Guri Farroupilha, Peão Farroupilha e Veterano.
Veja bem, nos parece que não é fácil portar uma faixa e um crachá, não é mesmo?! Trata-se de um grupo tradicionalista muito especial, que trabalha para propagar a cultura e representar seu CTG, por onde quer que vão.
E como tudo na cultura gaúcha, sua continuidade está baseada na sucessão de geração em geração e no quadro de prendas e pões não é diferente. A gestão de cada prendado tem um tempo previsto de um ano e estes se dedicam para deixar um legado e assim fomentar a participação de outros integrantes da entidade, na intenção de suceder um trabalho iniciado.
O prendado, como é chamado o quadro eleito de prendas e peões, carrega consigo a oportunidade de atuarem em equipe, se desenvolverem como tradicionalistas e integrantes de uma sociedade.
As responsabilidades são muitas, mas a alegria, o bom convívio, a sensação de dever comprido ao término de cada prendado, reforçar e da fluidez a sucessão e continuidade da tradição.
E para expressar este bonito momento que é realizado pelos participantes e por suas famílias, trazemos à vocês os versos de Mário Terres:
Troca da guarda
Eis que um ciclo se fecha
Pra um novo começar
A vida é feita de ciclos
De um contínuo caminhar
Quem se despede deixou
Algo de bom, um legado
Quem chega traz esperança
Que tudo será renovado
Pois sempre é bom renovar
Trazer ares novos, vigor
tudo em nome da tradição
Tudo que nasce do coração
Feito com afeto e amor
Nesse simbolismo de faixas
Crachás e muita felicidade
Muito trabalho e afinco
Com perseverança e humildade
Isso é o que será preciso
Nessa outra caminhada
Aprender das coisas de essência
Da história dessa Querência
Pra florecer a jornada
Essa é a troca da guarda
Guardiões eternos da chama
Um fogo que nunca apaga
Em cada alma ele clama
O calor de Paixão Cortes
Barbosa Lessa e outros tantos
Que põe a gente aos prantos
Cantando nossas façanhas
Das nossas sinas e sanhas
Do amor pelo nosso estado
Tudo que nesse CTG
Se transmite por legado
Antes do ego, a entidade
Antes do eu, seremos Nós
Fazendo pela sociedade
Num cântico a mesma voz
Porque esse caminho é longínquo
De imensidão sem fim
Mas somos família guerreira
Cultural, artística e campeira
Os filhos do Gomes Jardim
“Que o maior presente entre as pessoas, sejam a bondade e o amor fraterno!”
Mário Terres e Tainara Moraga
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