Com o início das aulas, trago alguns pontos de reflexão sobre o que para muitas crianças a alimentação escolar ainda é o único alimento que recebem durante o dia. Com essa realidade reforça ainda mais a importância de a escola oferecer refeições mais saudáveis e nutritivas para esses estudantes em situação de vulnerabilidade social.
Além das crianças de situação social mais estável, conhecer as propriedades nutritivas dos alimentos é fundamental para a criação de hábitos saudáveis, que poderão guiar suas escolhas durante toda a vida.
O Programa Nacional de Alimentação Nacional (PNAE) é gerenciado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), garantindo a transferência de recursos financeiros aos municípios com o intuito de oferecer alimentação de qualidade para todos os alunos. Reconhecido mundialmente, o PNAE é um dos maiores programas de alimentação escolar, sua história remonta aos anos 1940 e, em muitas situações, representa uma das únicas (quando não a única) refeição completa feita pela criança ou adolescente.
Em dados mais recentes, constatou-se que o Programa atende 41 milhões de pessoas no país, distribuindo merenda escolar em 5.570 municípios brasileiros, totalizando um repasse financeiro que gira em torno de R$ 4 bilhões ao ano. Embora muitas pessoas não conheçam sua origem, é importante lembrar que essa é considerada uma das mais importantes políticas nacionais.
No RS atualmente, as escolas recebem um repasse de R$ 0,66 por aluno para alimentação. Desse total, R$ 0,36 vêm do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e R$ 0,30 saem do programa estadual.
A partir deste ano letivo de 2022, o repasse estadual passará para R$ 0,80, um aumento de 166%, chegando a um total de R$ 1,16 por aluno. Se antes o investimento total era de R$ 135,9 milhões, agora as escolas receberão R$ 215,9 milhões em repasses federais e estaduais.
Dos valores repassados pelo PNAE, 30% devem ser investidos em compra direta de produtos da agricultura familiar, como modo de incentivar o desenvolvimento econômico e sustentável de pequenos produtores. O cardápio é elaborado pela nutricionista responsável da Secretaria Estadual da Educação (Seduc).
Uma pesquisa da revista científica The Lancet identificou que os índices de obesidade infantil no Brasil têm crescido ano após ano, o que reforça a necessidade de tratar sobre esse assunto nas escolas.
De acordo com a Federação Mundial de Obesidade, o crescente nível de obesidade entre crianças e adultos coloca a saúde desse público "em perigo imediato".
Estimativa da organização aponta que, em 2025, 150 mil crianças e jovens no Brasil desenvolverão diabetes tipo 2, enquanto 1 milhão terão pressão arterial elevada. Outro dado alarmante é o número de crianças e jovens brasileiros que sofrerão com gordura no fígado - cerca de 1,4 milhão, segundo a entidade.
"O crescimento dos níveis de obesidade é muito preocupante porque não temos um sistema de saúde preparado para lidar com a obesidade e com os problemas que ela gera", aponta Melo.
Aumentar o aleitamento materno na infância e limitar o consumo de alimentos ricos em açúcar e gordura, como refrigerantes, biscoitos e fast food também é essencial para evitar que crianças se tornem obesas e para reduzir os níveis atuais da doença, alerta a Federação Mundial de Obesidade.
Dicas da Nutri:
- Lancheira, deixe-a dentro da geladeira na noite anterior, assim a bolsa conserva a temperatura dos alimentos por mais tempo;
- Higienize a diariamente, assim, evitamos acúmulo de restos de comida e odores desagradáveis;
- É importante envolver seu filho no processo de montagem da lancheira, peça sua opinião e ajuda para despertar o interesse pela alimentação saudável e balanceada;
- As frutas da estação possuem menos agrotóxicos e costumam ser mais baratas. Prefira as que possam ser consumidas com casca ou fáceis de descascar (como banana) pois, a maioria delas perde vitaminas e oxida (fica com aparência escura) quando cortadas. Frutas e legumes são importantes por serem nutritivos e suas cores deixam o lanche mais atrativo e divertido;
- Para variar as opções de bebidas, agua mineral fresquinha ajuda a criar o hábito de beber bastante agua ao longo do dia e, água de coco pode ser boa uma alternativa ao invés dos sucos;
- O ideal é preparar o suco natural na hora de sair de casa. Na falta de tempo para preparar, uma dica é congelar o líquido em forminhas de gelo e, ao organizar a lancheira, colocar os cubos na garrafa térmica da criança. A bebida irá descongelar aos poucos até a hora do lanche. O suco pode ficar armazenado por meses dentro do freezer;
- Envolva o sanduíche em papel filme ou alumínio, protegendo e evitando que o aroma do mesmo não interfira no gosto da fruta. As frutas, devem ser enviadas já lavadas e secas. Deixe os alimentos bem acondicionados para que não saiam do lugar até chegar à escola;
- Ao escolher os alimentos, prefira pães, bolos ou biscoitos integrais, multigrãos, de arroz ou de milho ao invés de pães brancos, bisnaguinha salgadinhos e bolachas recheadas. Frutas naturais (in natura) ao invés das secas e desidratadas. Suco natural ao invés dos de caixinha, refrigerantes ou achocolatados. Os produtos industrializados são ricos em açúcares, gorduras e conservantes e com pouquíssimo valor nutricional.
- Varie as opções de proteínas (leite, iogurte, queijo branco, ricota temperada, requeijão, creme de ricota, cream cheese, patês caseiros). Os queijos são ótimos para fazer criações – rolinhos e formatos com moldes de biscoitos;
- Escolha alimentos que a criança goste e esteja acostumada a comer, fazendo com que a lancheira seja uma extensão da alimentação de casa;
- Use cortadores de biscoitos e sanduíches em formatos divertidos para o lanche ficar diferente e atrativo;
- Varie o cardápio da lancheira semanalmente, considerando a idade do seu filho (cada faixa etária tem necessidades nutricionais e calóricas diferentes), possíveis alergias alimentares e intensidade de atividades físicas. Na dúvida, consulte sempre um nutricionista.
Bjo da Nutri
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