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Segunda-feira, 06 de Julho de 2026

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Ideologia ou ciência?

Homens livres deveriam demonstrar virtudes para merecerem ensinamento

Ideologia ou ciência?
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Estava cavalgando nos campos do pensamento, bem pilchado, espuela prateada no calcanhar da bota garrão de potro. Chiripá primitivo sobre a ceroula de crivos longos, camisa rota, de camperear e um pañuelo colorado abanando na espalda do gaúcho. Protegendo do sol, um sombrero aba curta e copa alta, o vulgo “coco” preso por um barbicacho trançado de fios de cola de bragada.

Ao meu lado, nesses campos ajenos, um senhor de semblante muy sério, olhar ao longe como que bombeando o futuro mas allá. Bem pilchado, nazarenas presas a botas de garrão com os dedos do pé a vista, calças de tropeiro, camisa abaixo de uma jaqueta pequena, chamada de véstia e um lenço a meia espalda. Na cabeça um chapéu de couro, feito de pança de burro, com um barbicacho rudimentar de couro trançado bem travado abaixo dos queixos.

Os dois, bem montados, quase dois centauros cavalgando o pago, rumando ao horizonte que não tinha fim.

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Era eu e Dom Barulho, mi abuelo monarca com seu baio nos beiços e um galho de arruda na orelha direita.

Metendo pata no campo, subimos até um coxilhão e paramos por lá, acima de tudo, mirando o mundo pequeno, como quem observa a vida do lado de fora do corpo, éramos almas irmãs vislumbrando nossos entes.

Conversávamos dos rumos da vida, das pragas que assolavam o mundo, da pandemia que dizima nações e enriquecia negócios de saúde, matando uns de fome e outros de tanto comer.

Dom Barulho tinha um semblante entre triste e preocupado, entramos em uma conversa que trazia ares de ensinamento.

Havia lhe feito a pergunta de como ele percebia a crise mundial em que vivíamos, afinal a polvorosa global atinge até os campos mais neutrais.

Ele mirou longe como que procurando as palavras nos confins, tragou mais um pouco do baio, soltou a fumaça branca com cheiro de figueirilha no ar e foi descambando pelas frases muy bien pensadas.

Explicou que vê o mundo avesso as suas convicções e que não trataria delas, afinal convicções são coisas pessoais, esse assunto merece cunho filosófico social, coisas de consistência e fundamento, não de ideias próprias.

Me perguntou se sabia como funcionava a escola de Platão, ou academia. Claro que eu, um neto ignorante, querendo aprender sempre, respondi que não e que nem tinha escutado falar.

Ele contrapôs que eu não escutara falar porque o mundo se aparta da filosofia e se apega a ideologia.

Mesmo assim me explicou que na escola de Platão não estudavam quaisquer mortais, homens livres deveriam demonstrar virtudes para merecerem ensinamento. A filosofia era a mãe e as demais notações seriam os filhos dando sequência ao conteúdo aplicado. Na academia ensinava-se de tudo, mas sempre de acordo com o que se quisesse aprender.

Platão trazia ensinamentos socráticos e Sócrates foi um homem ainda mais iluminados, pois além da filosofia, era um grande trabalhador e destacava-se pela paciência e serenidade ao lidar com conflitos.

Bueno mas o que tem esses dois macanudos da antiguidade com o que a gente vinha falando.

Ambos pereceram porque promoviam uma ética implacável, na qual não havia espaço para padrões de desonestidade, desonra ou moral dupla.

Sócrates inclusive foi obrigado a se matar, por agredir com seus padrões uma sociedade degenerada.

Estamos com a mente no futuro, mas com os pés ainda no passado meu neto, hoje em dia se tu não concordas com uma pessoa tu és achacado. Tudo tem polaridade, ou é esquerda ou é direita, é vermelho ou é azul, é radical ou covarde, não sabemos mais dialogar, só nos atacamos.

Onde está a ética e os bons costumes, pereceram a ideologias hipócritas de quem geralmente tem de tudo e compra uma bandeira pra defender quem nada tem, sem nem ao menos compartilhar, querem só promover a discórdia.

Essa tal pandemia é fruto da ciência e só a ciência pode combater, não ideologias com fundos esfumaçados que são carregadas de outras intenções.

Com essas coisas de vírus e de vacina espero que os povos se deem conta que precisam parar de investir em coisas fúteis e que invistam em educação, em estudos científicos. Deixem de buscar fora o que tem dentro, aliás os homens são assim, tudo está aqui perto, a natureza ensina, os livros ensinam, a sociedade ensina, mas mergulham em seus celulares para isentarem-se do convívio e exterminarem a empatia.

Só vejo um caminho meu neto, o caminho da educação, mas não essa que resume o resumo das coisas, que conta mentiras pra nos deixar amistosos, a educação é livre, todos podem ter, basta que despertem a vontade e tenham perseverança de buscar o ensinamento e construírem uma sociedade melhor, porque se estudarem realmente verão que a história sempre deixou evidente, desde que o mundo é mundo as ideologias só destroem as sociedades.

Tolerância, respeito, moral e ética são pavimentos sólidos para um futuro saudável e harmonioso, há que rebuscá-los dos recôncavos das memórias.

E segui nos campos dos sonhos, bombeando ao longe ao lado daquele ser de luz e ensinamentos...

Comentários:
Mário e Tainara

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Mário e Tainara

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