Todas as profissões possuem seus próprios vocabulários que formam as suas linguagens sempre repletas de termos técnicos, nomenclaturas e gírias. Mecânicos, cirurgiões, professores, esportistas, vendedores, engenheiros, advogados, cabeleireiros, jornalistas, enfim, cada profissão, seja qual for a sua rotina, só é executada dentro de um sistema muito próprio de comunicação. Acessórios específicos e expressões muito características que servem para práticas bastante próprias de uma determinada atividade podem ser completamente estranhas para a maioria das pessoas.
No universo da Arte, como não poderia ser diferente, isso também acontece bastante. E o glossário de termos varia muito, principalmente entre as diferentes formas de expressão artística.
Partindo do meu lugar de fala, as artes cênicas, resolvi apresentar alguns termos muito comuns em nossos processos criativos e rotinas de trabalho.
Boca de cena – Toda a extensão da abertura da parte frontal do palco. A partir desse conceito, podemos chamar a cortina do palco de Pano de boca.
Caco – Palavra, expressão ou frase, geralmente de teor cômico/espirituoso, que o ator insere nas suas falas de forma improvisada.
Ciclorama – Painel, geralmente branco, em formato curvo e que é fixado no fundo do palco. Com ele se pode fazer uso de projeções de imagens e luzes.
Contrarregra – Profissional que executa tarefas como colocação dos objetos de cena e cenografia em seus devidos lugares, trocas de figurino e cenários, podendo em muitos casos também atuar como uma espécie de organizador/zelador dos objetos cênicos em seu uso e transporte.
Coxias – Partes do palco, aos lados e ao fundo do palco, ocultas à visão do público, geralmente protegidas por tecidos pretos ou paredes.
Deixa – Palavra, frase, ação ou gesto que marca o fim da fala de um ator, permitindo/impulsionando a próxima entrada ou fala de outro ator, podendo também servir como sinal para que a equipe técnica prepare ou execute algum efeito de luz, de som, de mudança cênica.
Pernas – Tecidos compridos, de pouca largura, suspensos na lateral do palco, estendidos de cima a baixo, sendo utilizados para delimitar a extensão horizontal da caixa-cênica (local onde a cena é apresentada), formando corredores por onde os atores e objetos cênicos entram e saem de cena.
Proscênio – É a parte do palco que avança desde a boca de cena até seu limite de separação da plateia. Em muitos espaços, esta parte do palco fica do lado de fora da cortina de cena.
Ribalta – Fileira de luzes instaladas na boca de cena, ao nível do chão do palco, invisível para o público, com o objetivo principal de iluminar os rostos dos atores em um ângulo contrário ao dos refletores superiores, equilibrando o jogo de luz e sombra que permite que o público perceba as expressões faciais colocadas em cena.
Rotunda – Tecido estendido no fundo do palco, geralmente em veludo ou flanela preta que serve para delimitar a profundidade da área de atuação ou de visibilidade do público. Costuma servir como proteção para as coxias.
Urdimento – É o conjunto de cordas, mecanismos e varas, não visíveis ao público, suspensos sobre a área de atuação.
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O universo de palavras bastante específicas nesta área é muito amplo. Mais para frente, devo voltar trazendo outros termos técnicos curiosos que fazem parte do dia a dia de quem trabalha nessa arte tão encantadora e importante.
Um contexto com tantas especificidades precisa, cada vez mais, de formação de profissionais capacitados. Pessoas que vejam no teatro uma carreira que pode ir muito além da atuação no palco.
Precisamos de profissionais técnicos que se dediquem aos estudos da iluminação, da sonoplastia, da maquiagem, do figurino, da construção, logística, transporte e conservação dos objetos cênicos, da fotografia e da produção de espetáculos.
O aumento do interesse de novos trabalhadores nestas áreas também passa pela consolidação de um mercado de trabalho mais atrativo, que será fortalecido na medida em que os envolvidos (artistas e apoiadores) entrem em sintonia e as políticas públicas saiam do território das intenções, se materializando na prática da dinâmica cultural local, regional e nacional.
O incentivo vem com as oportunidades criadas e pelo aumento da percepção de outras possibilidades.
Se este assunto te deixou interessado e você quer saber mais sobre teatro, aproveite e leia as colunas Para ler Teatro, onde eu explico como funciona um texto dramático, deixando também algumas dicas de ótimas peças teatrais que valem muito a leitura, e Pra que Teatro?, onde eu apresento uma lista com 13 motivos pelos quais você deve buscar a experiência teatral.
Espero você no teatro!
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